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A AGENDA DO INVESTIDOR

A Selic cai mais? A pergunta de US$ 1 milhão dos investidores começará a ser respondida pelo IPCA e pela ata do Fed

A semana desenha um cenário de arrefecimento temporário nos preços domésticos e traz documentos cruciais para entender os próximos passos dos juros, o que exige atenção estratégica na alocação dos ativos

nuvens escuras representando dúvida sobre a política monetária e a palavra selic escrita em branco ao centro
Selic - Imagem: Montagem Seu Dinheiro/iStock/Andrey Shadrin

A pergunta de 1 milhão de dólares que tira o sono dos investidores hoje é: para onde vão os juros? E a próxima semana será crucial para responder esse enigma e ajustar as expectativas. O cenário econômico trará indicadores de peso no Brasil e nos EUA que devem nortear os mercados e ditar o rumo dos investimentos. 

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Os grandes destaques da agenda estão divididos entre a inflação oficial no Brasil e os bastidores da primeira decisão de juros comandada por Kevin Warsh, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) que assustou os investidores no mês passado. 

Vale lembrar que na quinta-feira (9) é feriado em São Paulo, mas a bolsa brasileira opera normalmente.  

Brasil: alívio na inflação? 

Por aqui, a atenção do investidor estará totalmente voltada para os dados de preços. A boa notícia é que o mercado espera números mais benignos no curto prazo, refletindo a dissipação dos principais efeitos dos choques de petróleo e alimentos. 

Na terça-feira (7), o IGP-DI abre a agenda e, segundo a pesquisa econômica do Bradesco o indicador que mede a variação de preços de toda a cadeia produtiva — desde matérias-primas até o consumidor final — deve vir com uma deflação relevante de -0,77%.  

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Esse recuo expressivo é explicado, segundo o banco, pela queda do petróleo, mas também conta com um alívio no núcleo do IPA (índice de preços ao produtor amplo) industrial. 

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O prato principal da semana nacional será servido na sexta-feira (10), com a divulgação do IPCA (índice de preços ao consumidor amplo), que ajuda a definir a trajetória da taxa de juros no Brasil. A expectativa para o IPCA de junho é de uma alta de 0,29%, segundo o Bradesco.  

Em maio, o IPCA subiu 0,58% em base mensal, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na base de comparação anual, o avanço foi de 4,72%.

De acordo com o time de analistas do Bradesco, em junho, o índice deve mostrar um alívio na margem puxado pelo grupo de alimentos.  

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O ponto de atenção para o investidor fica para o núcleo da inflação, que deve rodar pouco acima de 5% na margem anualizada, mantendo um comportamento qualitativo semelhante ao das últimas divulgações. 

Inflação no Brasil, ata do Fed nos EUA 

Se a semana será marcada no Brasil por inflação, nos EUA as apostas dos juros devem ser recalibradas com a divulgação da ata da primeira reunião comandada por Warsh como presidente do Fed. 

Na semana que passou, ele deixou claro que não é favorável ao forward guidance, expressão em inglês para a orientação futura da política monetária de um banco central.  

Além disso, na reunião de junho, Warsh deixou a porta aberta para retomar os aumentos dos juros, atualmente na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, ao indicar que a inflação no país está muito acima da meta. 

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Em maio, o índice de preços para gastos pessoais (PCE, a métrica preferida do Fed para inflação) subiu 0,4% em relação a abril e 4,1% em 12 meses — mais do que o dobro da meta de 2% do banco central norte-americano.   

O núcleo do PCE, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, avançou 0,3% em maio ante abril, e teve alta de 3,4% em maio na comparação anual.   

A ata, no entanto, só será divulgada na quarta-feira (8), quando o investidor conhecerá os trará detalhes de como o comitê de política monetária do Fed avalia o balanço de riscos entre a inflação e o mercado de trabalho. 

Mas a semana começa nos EUA com a divulgação do ISM de serviços nos EUA. A expectativa do mercado é de desaceleração no índice cheio e também nos componentes de novos pedidos e preços pagos. Em contrapartida, o subíndice de emprego deve registrar melhora.  

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A semana termina com discursos de membros do Fed, que devem ser acompanhados com lupa pelo mercado em busca de pistas sobre como o banco central norte-americano enxerga a trajetória dos juros daqui para frente.  

Dolarização dos investimentos? A estratégia para lucrar com a Selic e diversificar no exterior

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Para quem acompanha a América Latina, México e Chile trazem atualizações importantes no meio da semana 

No México, o Banxico publicará a ata da reunião de junho. O mercado busca clareza sobre a visão do board a respeito de um possível descolamento das decisões em relação ao Fed.  

Além disso, os dados de inflação de junho devem registrar desaceleração de 0,4 ponto percentual em relação a maio, recuando para 3,5% ao ano, segundo o Bradesco, movimento impulsionado pelos preços agrícolas. 

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Os chilenos também conhecerão dados de inflação do país na quinta-feira (9). A previsão do Bradesco é de queda anual de 0,2%, liderada pelos preços de bens (efeito dos descontos do Cyber Day) e pela redução nos preços de energia.  

Embora o repasse dos preços mais altos de energia observados desde março continue limitado, a projeção é de que a inflação geral acelere para 4,1% ao ano ante os 3,9% registrados em maio. 

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