A Selic cai mais? A pergunta de US$ 1 milhão dos investidores começará a ser respondida pelo IPCA e pela ata do Fed
A semana desenha um cenário de arrefecimento temporário nos preços domésticos e traz documentos cruciais para entender os próximos passos dos juros, o que exige atenção estratégica na alocação dos ativos

A pergunta de 1 milhão de dólares que tira o sono dos investidores hoje é: para onde vão os juros? E a próxima semana será crucial para responder esse enigma e ajustar as expectativas. O cenário econômico trará indicadores de peso no Brasil e nos EUA que devem nortear os mercados e ditar o rumo dos investimentos.
Os grandes destaques da agenda estão divididos entre a inflação oficial no Brasil e os bastidores da primeira decisão de juros comandada por Kevin Warsh, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) que assustou os investidores no mês passado.
Vale lembrar que na quinta-feira (9) é feriado em São Paulo, mas a bolsa brasileira opera normalmente.
Brasil: alívio na inflação?
Por aqui, a atenção do investidor estará totalmente voltada para os dados de preços. A boa notícia é que o mercado espera números mais benignos no curto prazo, refletindo a dissipação dos principais efeitos dos choques de petróleo e alimentos.
Na terça-feira (7), o IGP-DI abre a agenda e, segundo a pesquisa econômica do Bradesco o indicador que mede a variação de preços de toda a cadeia produtiva — desde matérias-primas até o consumidor final — deve vir com uma deflação relevante de -0,77%.
Esse recuo expressivo é explicado, segundo o banco, pela queda do petróleo, mas também conta com um alívio no núcleo do IPA (índice de preços ao produtor amplo) industrial.
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O prato principal da semana nacional será servido na sexta-feira (10), com a divulgação do IPCA (índice de preços ao consumidor amplo), que ajuda a definir a trajetória da taxa de juros no Brasil. A expectativa para o IPCA de junho é de uma alta de 0,29%, segundo o Bradesco.
Em maio, o IPCA subiu 0,58% em base mensal, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na base de comparação anual, o avanço foi de 4,72%.
De acordo com o time de analistas do Bradesco, em junho, o índice deve mostrar um alívio na margem puxado pelo grupo de alimentos.
O ponto de atenção para o investidor fica para o núcleo da inflação, que deve rodar pouco acima de 5% na margem anualizada, mantendo um comportamento qualitativo semelhante ao das últimas divulgações.
Inflação no Brasil, ata do Fed nos EUA
Se a semana será marcada no Brasil por inflação, nos EUA as apostas dos juros devem ser recalibradas com a divulgação da ata da primeira reunião comandada por Warsh como presidente do Fed.
Na semana que passou, ele deixou claro que não é favorável ao forward guidance, expressão em inglês para a orientação futura da política monetária de um banco central.
Além disso, na reunião de junho, Warsh deixou a porta aberta para retomar os aumentos dos juros, atualmente na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, ao indicar que a inflação no país está muito acima da meta.
Em maio, o índice de preços para gastos pessoais (PCE, a métrica preferida do Fed para inflação) subiu 0,4% em relação a abril e 4,1% em 12 meses — mais do que o dobro da meta de 2% do banco central norte-americano.
O núcleo do PCE, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, avançou 0,3% em maio ante abril, e teve alta de 3,4% em maio na comparação anual.
A ata, no entanto, só será divulgada na quarta-feira (8), quando o investidor conhecerá os trará detalhes de como o comitê de política monetária do Fed avalia o balanço de riscos entre a inflação e o mercado de trabalho.
Mas a semana começa nos EUA com a divulgação do ISM de serviços nos EUA. A expectativa do mercado é de desaceleração no índice cheio e também nos componentes de novos pedidos e preços pagos. Em contrapartida, o subíndice de emprego deve registrar melhora.
A semana termina com discursos de membros do Fed, que devem ser acompanhados com lupa pelo mercado em busca de pistas sobre como o banco central norte-americano enxerga a trajetória dos juros daqui para frente.
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No México, o Banxico publicará a ata da reunião de junho. O mercado busca clareza sobre a visão do board a respeito de um possível descolamento das decisões em relação ao Fed.
Além disso, os dados de inflação de junho devem registrar desaceleração de 0,4 ponto percentual em relação a maio, recuando para 3,5% ao ano, segundo o Bradesco, movimento impulsionado pelos preços agrícolas.
Os chilenos também conhecerão dados de inflação do país na quinta-feira (9). A previsão do Bradesco é de queda anual de 0,2%, liderada pelos preços de bens (efeito dos descontos do Cyber Day) e pela redução nos preços de energia.
Embora o repasse dos preços mais altos de energia observados desde março continue limitado, a projeção é de que a inflação geral acelere para 4,1% ao ano ante os 3,9% registrados em maio.
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