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Com seis meses restantes até as eleições presidenciais, chairman do BTG Pactual ainda não enxerga um nome forte para ganhar a disputa da presidência

As eleições presidenciais se aproximam, mas as discussões políticas ainda não começaram a fazer tanto efeito sobre os preços dos ativos. O motivo para isso, segundo André Esteves, chairman do BTG Pactual, é a ausência de expectativa de uma grande mudança no cenário brasileiro com os nomes de Lula, Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado no radar.
"O investidor olha e vê uma eleição 50-50", explicou no evento Global Managers Conference Brasil 2026, realizado pela BTG Pactual Asset Management nesta terça-feira (31).
De um lado, há o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com trajetória conhecida e já testada. De outro, um campo que pode sinalizar mudanças na condução econômica, mas ainda cercado por incertezas.
Ainda assim, Esteves chama atenção para uma transformação mais estrutural dos eleitores brasileiros: "a sociedade está mais à direita do que parece", afirmou.
Segundo o executivo, mudanças no perfil do mercado de trabalho ajudam a explicar essa alteração de perfil.
Com o aumento dos trabalhadores autônomos — como é o caso de motoristas de aplicativo e prestadores de serviços —, parte dos brasileiros passou a se aproximar mais de pautas associadas a menor intervenção estatal, carga tributária mais baixa e maior previsibilidade.
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Além disso, o dinamismo recente do agronegócio e a expansão econômica de regiões fora dos grandes centros contribuíram para esse reposicionamento, ao gerar novos polos de renda e consumo com características distintas do padrão observado nas últimas décadas.
Apesar desse movimento, a mudança de perfil do eleitor ainda não se traduziu em uma candidatura capaz de reorganizar a disputa presidencial. “Não apareceu uma alternativa ‘matadora’”, afirmou Esteves.
Na leitura do banqueiro, esse é o principal fator que mantém o cenário indefinido. Mesmo com sinais de desgaste sobre o governo Lula, ainda não há um nome capaz de capturar esses eleitores em transformação.
“Existe uma certa fadiga. O Lula foi protagonista de diversas eleições, está no terceiro mandato, e parte do eleitorado mais jovem já não se conecta da mesma forma”, disse.
Por outro lado, o histórico político e a fama do presidente funcionam como um ativo relevante na disputa. “Ele larga bem estando parado”, afirmou Esteves.
No campo da oposição, os nomes divulgados por enquanto enfrentam limitações parecidas.
Embora tenham propostas econômicas diferentes da já vista, ainda há resistência em temas sensíveis e não consolidaram uma base eleitoral suficientemente ampla.
Esteves citou, por exemplo, o caso de Flávio Bolsonaro, que reúne força política e fragilidades. De um lado, herda o capital eleitoral e o reconhecimento do sobrenome Bolsonaro.
De outro, carrega também o desgaste associado a episódios do governo anterior, especialmente em áreas como gestão da pandemia, meio ambiente e relação institucional.
Esse equilíbrio entre ativos e passivos, na avaliação do banqueiro, impede que a candidatura avance de forma mais intensa sobre o eleitorado de hoje.
O cenário recente também trouxe novas peças para o tabuleiro. A entrada do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, foi classificada como uma surpresa em relação às expectativas anteriores, que apontavam para outros nomes no campo da centro-direita, como Ratinho Jr.
Ainda assim, o impacto tende a ser limitado. “Ele deve disputar o mesmo espaço, não muda muito o quadro e não ameaça o Lula”, disse Esteves.
Na margem, segundo ele, o movimento pode até beneficiar o atual presidente, ao fragmentar ainda mais o campo adversário. “Achei melhor para o Lula essa indicação”, afirmou.
Com isso, a oposição segue pulverizada e sem um nome capaz de unificar forças ou capturar de forma clara o eleitor em transformação, o que reforça a percepção de uma disputa em aberto.
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