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SELIC ALTA DEMAIS, BOLSA SEM LASTRO?

“Banco Central já deveria cortar a Selic em 0,25 p.p”, diz Felipe Guerra, da Legacy, que alerta para bolha na bolsa

Enquanto a Legacy defende corte imediato de 0,25 ponto nos juros, Genoa alerta para o risco de o Banco Central repetir erros do passado

Felipe Guerra, sócio-gestor da Legacy Capital
Felipe Guerra, sócio-gestor da Legacy Capital - Imagem: Divulgação

Enquanto o mercado praticamente joga a toalha para um corte de juros nesta reunião do Copom, Felipe Guerra, fundador e CIO da Legacy, vai na contramão. Para o gestor, o Banco Central já deveria iniciar o ciclo de afrouxamento agora — ainda que de forma tímida, com um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, já nesta noite (28). 

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“Não é que a economia precise de juros caindo rapidamente para níveis abaixo da taxa neutra. Mas precisa de calibragem. O juro atual está muito alto”, afirmou Guerra durante um painel no evento do UBS. 

Para ele, há espaço — e justificativa — para um corte inicial de 0,25 ponto percentual, especialmente diante da recente valorização do real frente ao dólar. O comportamento do câmbio, segundo o gestor, deveria pesar mais na decisão de política monetária. 

“Historicamente, o Banco Central costuma ser mais lento e acaba reagindo depois. Mas hoje há espaço na mesa para começar a cortar. Um ajuste de 25 pontos-base seria adequado.” 

Nas contas de Guerra, esse movimento abriria caminho para um ciclo de cortes mais longo, que poderia somar até 450 pontos-base. Isso levaria a Selic para 10,5% ao ano, abaixo do patamar de cerca de 12% que hoje domina as projeções do mercado. 

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“Com o cenário externo atual, o ajuste será inevitável para evitar que o Brasil se transforme em um polo excessivo de atração de fluxos financeiros”, disse. 

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No mesmo painel, Andre Raduan, cofundador, sócio e portfolio manager da Genoa Capital, concordou que um corte de 0,25 ponto percentual não seria um absurdo, mas fez um alerta. 

Para ele, o Banco Central precisa evitar repetir o erro de 2023, quando acelerou demais o afrouxamento monetário e depois foi obrigado a voltar atrás. 

“Um corte hoje não seria maluquice. Mas sinalizar cautela e manter um ritmo mais consistente pode ser mais eficaz para ancorar expectativas”, afirmou. 

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Na leitura de Raduan, uma manutenção da Selic agora, acompanhada de uma sinalização clara de corte em março, ajudaria a “segurar o ânimo da galera”. 

Selic caindo, bolsa subindo — e o investidor local de fora 

Apesar da perspectiva de queda dos juros no horizonte, Guerra mantém uma postura cautelosa em relação à bolsa brasileira. Pelo menos por enquanto, a Legacy prefere ficar à margem do mercado de ações locais. 

Na visão do gestor, eleições, ruídos institucionais e debates políticos internos têm peso secundário neste momento. 

A lógica, segundo ele, é simples: o fluxo estrangeiro manda. “Estamos tentando pensar como gringo. E a regra é nunca ficar contra o fluxo. Se você vê dinheiro entrando, ou fica fora ou entra junto na bolha — sabendo que precisa sair quando ela estourar.” 

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O que realmente importa agora, segundo Guerra, é o comportamento das commodities, dos juros globais e do apetite ao risco lá fora.

É nesse ponto que Guerra vê sinais de alerta. Para ele, há um “quê de bolha” na bolsa brasileira — ainda que isso, por si só, não seja um gatilho imediato para sair do mercado.

“Não significa que seja hora de vender. O fluxo estrangeiro é avassalador. Se os caras quiserem comprar ações, os múltiplos sobem mesmo sem lastro ou fundamento.”

O risco, segundo o gestor, está na dependência excessiva desse capital, enquanto o investidor local segue de fora da bolsa brasileira. “Se o estrangeiro pausar por alguns dias, a bolsa pode tombar rapidamente”, acrescentou.

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Diante desse cenário, a Legacy prefere manter posições vendidas em dólar contra o real, aproveitando o carrego do câmbio, e aplicadas em juros nominais e reais — ou seja, apostando em uma queda maior das taxas do que aquela hoje precificada pelo mercado.

Já na Genoa, a gestora mantém cerca de 70% de sua posição otimista no câmbio, apostando na assimetria favorável da moeda brasileira.

“O câmbio oferece uma assimetria positiva. Mesmo em um cenário de continuidade do governo atual, o carrego dos juros elevados protege a posição”, afirmou Raduan.

Diferentemente da Legacy, porém, a Genoa mantém um viés comprado em bolsa brasileira.

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“A bolsa parece cara, mas não diria que é um fluxo totalmente maluco, porque os ativos globais em geral estão inflados por políticas expansionistas de dívida. Qualquer fluxo que saia dos EUA em direção aos emergentes é uma fortuna para o mercado brasileiro. Não acredito que esteja em vias de acabar”, disse o gestor.

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