Rodolfo Amstalden: medindo a volatilidade implícita do trade eleitoral
O jogo político de 2026 vai além de Lula e Bolsonaro; entenda como o trade eleitoral redefine papéis e cenários

Quando primeiro falamos em trade eleitoral, temos a impressão de que estamos apostando contra ou a favor de cavalos bem definidos, que atendem por nomes próprios e habilidades específicas.
Porém, esse é um jogo muito mais complexo do que o de turfe. Potencialmente, muito mais rentável também.
A matriz de eventos e probabilidades de um trade eleitoral compreende um vasto número de atores, com papéis que se confundem entre protagonistas, antagonistas e coadjuvantes.
Esse tipo de consideração vem à tona na medida em que figuras tidas como meramente acessórias no processo eleitoral de 2026 passam a interpretar roteiros que parecem muito além das pretensões originais.
Flávio Bolsonaro e o trade eleitoral
Sem dúvida, o caso mais notável nesse sentido, até o momento, é o de Flávio Bolsonaro, que ainda luta para convencer a todos (inclusive ao próprio pai) de que pode ser um nome viável.
Como consequência do Flávio Day, Ratinho Júnior e Eduardo Leite também veem seus personagens até então indumentários transformados em opções, mesmo que fora do dinheiro.
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E — quem diria? — Dario Durigan pode se transformar no ministro da Fazenda técnico e executor com que muitos sonhavam lá atrás.
Mas, para que alguns sejam promovidos a certo estrelato, outras estrelas absolutas do jogo político precisam ser relativizadas.
Xadrez político
Jair Bolsonaro provavelmente é o perdedor mais óbvio, por colocar em risco a liberdade de seu nome em prol da remota sobrevivência de um sobrenome.
Tarcísio sofreria uma eventual derrota anti-pírrica, por assim dizer, ao se contentar com a nobre reeleição para o Governo de SP.
E quanto a Lula?
Embora os holofotes do trade eleitoral estejam todos direcionados para os potenciais concorrentes do presidente em exercício, pouco se tem falado sobre as incertezas que rondam a soberania do Lulismo.
Sua idade é avançada, de modo que terminaria o próximo mandato mais perto dos 90 do que dos 80 anos.
Joe Biden feelings, isso deveria obrigar o mercado a olhar para alternativas como Geraldo Alckmin, Fernando Haddad e Simone Tebet com uma atenção mais do que nula.
Estou longe de ser especialista em política, mas a eleição presidencial deste ano pode ser, a priori (pois Itamar e Temer tornaram-se importantes a posteriori), a mais relevante da história brasileira para um cargo de vice.
E mesmo a hipótese de Lula candidato não deveria ser precificada 100% a valor de face.
Eu sei que soa como um contrassenso absurdo, pois estamos falando aqui de cenários alternativos. Mas qual era mesmo o cenário base seis meses atrás? E doze meses atrás?
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