O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
O ambiente de incerteza já pressiona diversos ativos globais, contribui para a elevação dos rendimentos de títulos soberanos e amplia os riscos macroeconômicos
A nomeação de Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, como novo líder supremo do Irã reforça a percepção de continuidade da linha dura do regime e sinaliza que Teerã não pretende recuar no conflito com Estados Unidos e Israel.
Aos 56 anos, Mojtaba recebeu apoio decisivo da Assembleia de Peritos e mantém vínculos estreitos com a Guarda Revolucionária Islâmica, que rapidamente declarou lealdade ao novo líder.
A decisão elevou ainda mais as tensões geopolíticas. A intensificação da guerra também provocou forte turbulência nos mercados globais de energia, e o petróleo voltou a superar US$ 100 por barril.
Além da escolha do novo líder supremo no Irã, o movimento foi impulsionado por uma combinação de fatores, como cortes de produção entre países do Golfo, ataques à infraestrutura energética da região e as dificuldades de navegação no Estreito de Ormuz.
Parte dessa alta foi posteriormente amenizada após a divulgação de que os ministros das Finanças do G7 discutem a possibilidade de uma liberação coordenada de petróleo das reservas estratégicas, em articulação com a Agência Internacional de Energia, como forma de conter a disparada dos preços (iniciativa importante, porém limitada).
Enquanto isso, Estados Unidos e Israel ampliam suas operações militares contra alvos iranianos, ao passo que Teerã afirma possuir capacidade para sustentar o conflito por até seis meses, intensificando ataques com drones e mísseis contra Israel e também contra países do Golfo.
Leia Também
Para os mercados, mais relevante do que a mudança de liderança em si é a duração potencial do conflito e o risco de uma interrupção prolongada no fluxo de petróleo da região. Esse ambiente de incerteza já pressiona diversos ativos globais, contribui para a elevação dos rendimentos de títulos soberanos e amplia os riscos macroeconômicos.
Segundo estimativas do FMI, cada aumento de 10% no preço do petróleo, caso persista ao longo de boa parte do ano, tende a adicionar cerca de 40 pontos-base à inflação global.
Além do impacto direto sobre a energia, o conflito também ameaça outras cadeias produtivas importantes.
O Irã é um fornecedor relevante de ureia e amônia, dois insumos fundamentais para a fabricação de fertilizantes utilizados na agricultura. O país responde por cerca de 5% do comércio global de ureia e 11% de amônia, e boa parte desse fluxo passa justamente pelo Estreito de Ormuz.
Com as dificuldades logísticas na região, o acesso a esses produtos ficou mais restrito, o que já levou a uma alta de aproximadamente 25% no preço da ureia, níveis semelhantes aos observados após o início da guerra na Ucrânia.
Como fertilizantes são essenciais para a produtividade agrícola, essa escassez tende a elevar os custos de produção no campo e, potencialmente, pressionar também os preços dos alimentos. O movimento é reforçado pela alta do gás natural, um insumo importante no processo de fabricação de fertilizantes, ampliando o risco de pressões inflacionárias.

Ainda assim, é importante notar que não estamos diante de um choque do petróleo nos moldes da década de 1970. Desde então, a economia global tornou-se relativamente menos dependente da commodity, ao mesmo tempo em que o sistema energético mundial passou a contar com maior diversificação de rotas e fornecedores, reduzindo também a dependência estrutural do Estreito de Ormuz.
Além disso, embora o preço do barril tenha avançado de forma expressiva nas últimas semanas, a magnitude do movimento ainda está distante da multiplicação abrupta observada naquele período histórico.
Mesmo assim, o cenário atual não deve ser subestimado. A disrupção logística em curso já é, em termos absolutos, a maior da história, reflexo de uma economia global maior e interconectada, com cadeias produtivas e fluxos energéticos maiores do que no passado.
Na segunda-feira, contudo, os mercados apresentaram uma reviravolta significativa. Os principais índices acionários e os títulos soberanos avançaram, enquanto o petróleo perdeu parte de sua força, após Donald Trump sinalizar que a ofensiva militar contra o Irã poderia estar mais próxima do fim do que o inicialmente previsto.
Em coletiva de imprensa, o presidente afirmou que a operação estaria adiantada em relação ao cronograma, o que ajudou a reduzir temporariamente a percepção de risco geopolítico.
Além disso, discussões envolvendo a possibilidade de alívio parcial de sanções à Rússia, bem como iniciativas diplomáticas em busca de um cessar-fogo, inclusive com algum grau de mediação russa, também contribuíram para amenizar o estresse observado ao longo do final de semana.
Em ambientes de mercado mais sensíveis, como o atual, pequenas mudanças de sinalização política ou geopolítica podem provocar reprecificações rápidas de curto prazo, elevando de forma significativa a volatilidade dos ativos.
Caso a alta do petróleo seja contida por novas sinalizações diplomáticas ou por medidas de estabilização da oferta, o ambiente de mercado tende a se normalizar gradualmente. Ainda assim, o episódio reacendeu temores de estagflação, um cenário particularmente desafiador, em que a inflação se eleva ao mesmo tempo em que a atividade econômica perde força.
Não por acaso, plataformas de previsão como o Polymarket já indicam que a probabilidade de uma recessão nos Estados Unidos voltou a ultrapassar os 30%.

Fonte: LSEG.
Esse tipo de combinação torna mais complexa a atuação do Federal Reserve, já que cortar juros para estimular o crescimento se torna uma decisão mais difícil quando as pressões inflacionárias permanecem elevadas.
Nesse contexto, a agenda da semana ganha relevância adicional, com a divulgação de indicadores importantes de inflação nos Estados Unidos — como o CPI e o PCE, este último a medida preferida do Federal Reserve — além de novos dados sobre confiança do consumidor e atividade empresarial, que ajudarão a calibrar as expectativas do mercado para os próximos passos da política monetária.
No Brasil, a deterioração do ambiente internacional também alterou as expectativas em relação à trajetória da política monetária.
O aumento das incertezas externas reduziu a probabilidade de o Banco Central iniciar o ciclo de cortes de juros com um movimento mais agressivo de 50 pontos-base, abrindo espaço para uma abordagem inicial mais cautelosa, com uma redução de 25 pontos-base, em linha com o cenário que a própria autoridade monetária deixou como possível em sua comunicação mais recente.
Por isso, ganha ainda mais importância a divulgação do IPCA de fevereiro, na quinta-feira. Ainda assim, a menos que o indicador venha significativamente abaixo das expectativas, o cenário mais provável neste momento parece ser o de um início gradual do processo de flexibilização monetária.
Para dividendos, preferimos a Petrobras que, com o empurrãozinho do petróleo, caminha para um dividend yield acima de 10%; já a Prio se enquadra mais em uma tese de crescimento (growth)
Confira o que esperar dos resultados do 4T25 da Petrobras, que serão divulgados hoje, e qual deve ser o retorno com dividendos da estatal
A concentração em tecnologia deixou lacunas nas carteiras — descubra como o ambiente geopolítico pode cobrar essa conta
A Ação do Mês busca chegar ao Novo Mercado e pode se tornar uma pagadora consistente — e robusta — de dividendos nos próximos anos; veja por que a Axia (AXIA3) é a escolhida
Veja como acompanhar a temporada de resultados das construtoras na bolsa de valores; PIB, guerra no Oriente Médio e Caged também afetam os mercados hoje
Mais do que tentar antecipar desfechos políticos específicos, o foco deve permanecer na gestão de risco e na diversificação, preservando uma parcela estratégica de proteção no portfólio
Em situações de conflito, fazer as malas para buscar um cenário mais tranquilo aparece como um anseio para muitas pessoas. O dinheiro estrangeiro, que inundou a B3 e levou o Ibovespa a patamares inéditos desde o começo do ano, tem data para carimbar o passaporte e ir embora do Brasil — e isso pode acontecer […]
Primeiro bimestre de 2026 foi intenso, mas enquanto Ibovespa subiu 18%, IFIX avançou apenas 3%; só que, com corte de juros à vista, é hora de começar a recompor posições em FIIs
Entre as cabines de primeira classe e os destinos impactados pelo excesso de visitantes, dois olhares sobre a indústria de viagens atual
Veja por que a Vivo (VIVT3) é vista como boa pagadora de dividendos, qual o tamanho da Bradsaúde e o que mais afeta o mercado hoje
Mesmo sendo considerada uma das ações mais “sem graça” da bolsa, a Vivo subiu 50% em 2025 e já se valoriza quase 30% em 2026
Mesmo com a perspectiva de queda nos juros, os spreads das debêntures continuam comprimidos, mas isso pode não refletir uma melhora nos fundamentos das empresas emissoras
Estudo histórico revela como o desempenho do mês de janeiro pode influenciar expectativas para o restante do ano no mercado brasileiro
Entenda o que as novas tarifas de exportação aos EUA significam para aliados e desafetos do governo norte-americano; entenda o que mais você precisa ler hoje
Antigos alvos da política comercial norte-americana acabam relativamente beneficiados, enquanto aliados tradicionais que haviam negociado condições mais favoráveis passam a arcar com custos adicionais
Os FIIs multiestratégia conseguem se adaptar a diferentes cenários econômicos; entenda por que ter essa carta na manga é essencial
Saiba quais são as perguntas essenciais para se fazer antes de decidir abrir um negócio próprio, e quais os principais indicadores econômicos para acompanhar neste pregão
Após anos de calmaria no mercado brasileiro, sinais de ruptura indicam que um novo ciclo de volatilidade — e de oportunidades — pode estar começando
Depois que o dinheiro gringo invadiu o Ibovespa, as small caps ficaram para trás. Mas a vez das empresas de menor capitalização ainda vai chegar; veja que ações acompanhar agora
Confira as leituras mais importantes no mundo da economia e das finanças para se manter informado nesta segunda-feira de Carnaval