O “lixo” não subiu: empresas pagadoras de dividendos e com pouca dívida devem seguir ditando o ritmo na bolsa
Olhamos para 2026 e não vemos um cenário assim tão favorável para companhias capengas. Os juros vão começar a cair, é verdade, mas ainda devem permanecer em níveis bastante restritivos para as empresas em dificuldades.

Para quem já está no mercado há alguns anos, 2025 mostrou um comportamento bastante estranho da bolsa brasileira.
Normalmente, períodos de forte alta do Ibovespa (como no ano passado) coincidem com melhora das condições macro (PIB, juros, etc) e um maior apetite por teses mais alavancadas e cíclicas. É por esse motivo, inclusive, que se diz que “quando a bolsa sobe, o lixo sobe ainda mais”.
Mas não foi isso o que aconteceu em 2025, o que fica muito claro ao analisarmos o desempenho da série Vacas Leiteiras, composta por algumas das empresas mais sólidas do Brasil, como Itaú e Vale.
A carteira do Vacas subiu 50% em 2025, contra “apenas” 34% do Ibovespa. Ou seja, em 2025 o “lixo” não subiu mais, mas o que explica essa diferença para o que costumava acontecer em anos anteriores?
Fatores externos dominaram a bolsa
Em 2025, os fatores determinantes para a valorização não vieram de dentro, mas de fora, principalmente relacionados às polêmicas de Donald Trump. Isso provocou um fluxo de investimento estrangeiro muito grande entrando no Brasil.
No entanto, mesmo com esse fluxo estrangeiro favorável, no Brasil os juros estavam em patamares elevadíssimos, o fiscal continuou sem resolução e tudo isso implicou em um ambiente ainda muito adverso para as empresas mais cíclicas.
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Ou seja, o fluxo vindo de fora não encontrou um ambiente interno tão propício para investimentos, e preferiu se restringir às empresas mais sólidas e geradoras de caixa, o que foi determinante para a valorização de ações como as da série Vacas Leiteiras, por exemplo.
Uma outra forma de observar essa alta procura por empresas sólidas é através da compressão das taxas internas de retorno e do prêmio de risco das utilities em 2025.

Apenas como curiosidade, a AXIA6 é uma das representantes do Vacas neste setor e se valorizou 88% no passado! A dúvida que surge agora é se, depois dessa forte alta em 2025, ainda existe espaço para essas empresas sólidas se valorizarem, ou se este será o ano do “lixo”.
- Leia também: Próxima parada: Brasil. Por que o fluxo de dinheiro gringo pode fazer o Ibovespa subir ainda mais este ano
Ainda não
Para responder a essa pergunta, olhamos para 2026 e não vemos um cenário assim tão favorável para companhias capengas. Os juros vão começar a cair, é verdade, mas ainda devem permanecer em níveis bastante restritivos para as empresas em dificuldades.
Além disso, todas as incertezas relacionadas às eleições tendem a empurrar os investidores para teses mais sólidas e menos binárias. Nesse sentido, estabilidade de resultados e dividendos tornam-se grandes diferenciais, porque mesmo no pior cenário, o acionista sabe que essas empresas vão sobreviver.
No caso específico da Axia, alguns fatores nos deixam particularmente animados com a tese. Apenas para contextualizar, boa parte da valorização de 2025 esteve ligada a uma forte alta dos preços de energia, por conta dos gargalos de transmissão que o país vem enfrentando há alguns anos.
Com as chuvas abaixo da média e a recente piora dos níveis dos reservatórios, os preços seguem subindo e a companhia acertadamente tem utilizado a estratégia de manter uma boa parte do portfólio descontratado, para conseguir vender energia por preços elevados.
Além disso, não podemos esquecer que a Axia segue entregando melhoras sequenciais de eficiência, o que deve continuar em 2026.
Por esses motivos, entendemos que a Axia é uma das empresas que mais podem surpreender o mercado no primeiro semestre, e é por isso também que ela entrou para a Carteira Mensal de Dividendos em fevereiro.
Falando nisso, a alta de 19,9% dessa carteira em janeiro, contra apenas 12,6% do Ibovespa, apenas reforça o que já conversamos: o mercado segue preferindo teses sólidas ao invés do “lixo”.
Ou seja, se quiser se aproveitar do bom momento da Bolsa, minha recomendação é não inventar: invista em empresas boas, com poucas dívidas e pagadoras de dividendos.
A Carteira Mensal de Dividendos vem obtendo ótimos retornos replicando essa estratégia, e você pode conferir o portfólio completo de forma gratuita clicando aqui.
Um abraço e até a próxima,
Ruy
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