🔴 TOUROS E URSOS: PETRÓLEO EM DISPUTA: VENEZUELA, IRÃ E OS RISCOS PARA A PETROBRAS – ASSISTA AGORA

Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Felipe Miranda: Notas sobre a Venezuela

Crise na Venezuela e captura de Maduro expõem a fragilidade da ordem mundial pós-1945, com EUA e China disputando influência na América Latina

5 de janeiro de 2026
14:01 - atualizado às 14:52
Maduro
Nicolás Maduro - Imagem: Wikimedia Commons

É sempre capcioso escrever sobre eventos históricos enquanto eles estão acontecendo. Sem o benefício da retrospectiva, falamos apenas do que pode ser. Aquilo que efetivamente é ou será ainda há de ser escrito.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O véu que repousa sobre o futuro e o esconde é especialmente espesso em situações de guerra — “the fog of war”, no mais do que clássico de Carl von Clausewitz.

Introduzindo a famosa frase de conteúdo nacional à pauta de exportações, “na Venezuela, até o passado é incerto.” As dúvidas são de toda a sorte.

Houve colaboração local, alianças e traições para a captura de Maduro? Elas implicam compromissos com um governo de transição? Se Delcy Rodrigues, que era parte do regime anterior, continuar à frente do país, terá legitimidade? Como fica a situação de Edmundo Gonzalez, recém-autoproclamado presidente eleito do país?

Essas seriam apenas algumas perguntas iniciais, certamente não-exaustivas da complexidade do quadro à nossa frente.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Futuro da Venezuela

O recado é que escrevemos sob incerteza, tentando, no máximo possível, evitar previsões sobre um futuro inexoravelmente impermeável. Ainda assim, algumas considerações já podem ser feitas.

Leia Também

A primeira delas é que, se havia ainda algum vestígio sobrevivente da Ordem Mundial em vigor a partir de 1945, ele acaba de sucumbir. O estabelecimento de garantias de respeito às fronteiras territoriais do pós-guerra foi, para usar as palavras Yuval Harari, uma das maiores conquistas civilizacionais.

Somente perante uma invasão de seu território, em uma ofensiva de legítima defesa, ou mediante aprovação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), um país poderia realizar incursão militar em outra nação. Finalmente, tribos, sociedades e estados-nacionais tinham definidas regras e instituições claras em favor de sua soberania.

Quando a China viola de maneira sub-reptícia regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) ou desrespeita propriedade intelectual, apontamos com certa benevolência a narrativa de que uma sociedade confuciana não estaria sob as mesmas diretrizes e os mesmos valores dos herdeiros do Iluminismo ou da democracia liberal.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Quando a Rússia invade duas vezes a Ucrânia, ferindo os limites da demarcação territorial pregressa, a questão é vista como uma violação pontual, restrita a um autocrata com passagem pela KGB e ligações pouco republicanas com a oligarquia local.

Agora, quando a maior democracia liberal atropela a governança que ela mesma ajudou a construir, é porque a tal “Nova Ordem Mundial” ficou velha demais para continuar em curso. Se há destruição do ordenamento anterior, o que fica no lugar?

Cresce a incerteza e, com ela, a necessidade de diversificação e os prêmios de risco geopolíticos.

Não à toa, os metais preciosos se apreciam com vigor nesta segunda-feira — o ouro sobe mais de 2%, a prata avança quase 5%. As ações de defesa europeias atingem seu maior patamar em dois meses.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Entre a direita e a esquerda

Também não parece ser coincidência o paralelo escrito por Niall Ferguson, relacionando questões atuais com aquelas de 120 anos atrás. Nas palavras do prestigioso historiador, “na direita, temos a figura odiosa de Nick Fuentes”, para quem “Hitler was fucking cool”.

“Não menos absurdo (à esquerda) é o discurso recente de Zohran Mamdani, de que precisamos substituir a frieza do áspero individualismo pelo caloroso coletivismo.”

Ferguson arremata: “aqui está sua escolha diante do absurdo extremista do espectro político: fascismo ou socialismo.” Essa foi a escolha que muitos fizeram na década de 1920. Deu no que deu.

O segundo ponto importante é que há uma clara mudança do governo norte-americano em relação à postura adotada para a América Latina nas últimas décadas. De uma espécie de negligência ou até desinteresse, agora caminhamos para algo de maior atenção e intervencionismo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ainda em agosto de 2024, escrevi sobre um “corolário Trump à doutrina Monroe”, como se os EUA recuperassem a filosofia do Destino Manifesto para impor a América para os americanos, considerando qualquer interferência externa um ato de guerra, que permitiria resposta do grande porrete do norte.

Se não estamos mais sob a égide do Fim da História de Fukuyama, ou seja, se a democracia liberal, representada de forma mais icônica pelos EUA, não é mais o grande líder indisputável, e se estamos num contexto de Segunda Guerra Fria ou num G2 (mundo bipolar entre EUA e China), caminhamos em prol da disputa por zonas de influência novamente.

Sob essas lentes estritamente pragmáticas, a divisão do mundo implicaria: ou a América Latina fica para os EUA, ou para a China.

Petróleo venezuelano

Hoje, a produção de petróleo na Venezuela é pouco relevante em termos globais, ainda que possa ser expressiva para a arrecadação tributária do país, dada a situação combalida de sua economia. Se podemos confiar nos números disponíveis, a Venezuela produz hoje cerca de 1 milhão de barris por dia. Esse número já foi 3 milhões de barris.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Apesar da baixa produção, as reservas venezuelanas são as maiores do mundo, com 303 bilhões de barris, ainda que seja um petróleo mais pesado — isso se compara, por exemplo, aos 250 bilhões da Arábia Saudita.

A ideia de que companhias norte-americanas possam vir a explorar o óleo venezuelano impulsiona suas ações nesta segunda-feira, com destaque para Chevron, que ainda mantém uma operação no país — suas ações subiam 8% pela manhã.

Empresas norte-americanas de serviços para a produção de petróleo, como Schlumberger e Halliburton, podem ser segundas derivadas do processo.

Talvez até mais importante do que permitir um lucro às petroleiras dos EUA seja evitar que o petróleo da Venezuela continue vendido a preços descontados para China, o verdadeiro foco da Segunda Guerra Fria.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Se a questão demográfica, o esgotamento do modelo focado em investimentos e exportações, a defasagem no mercado de chips e a subpenetração em indústria aeroespacial são fraquezas chinesas frente aos EUA, seu acesso à energia barata está entre seus grandes diferenciais positivos.

Impactos regionais e oportunidades

Ainda que a Venezuela seja de pequeno impacto sobre os mercados globais, os eventos recentes oferecem desdobramentos sobre toda a região e a geopolítica global. Para os países da América Latina, a postura norte-americana e a captura de Maduro oferecem riscos e oportunidades.

Como impacto direto e imediato, os bonds venezuelanos se apreciam de forma pronunciada. Os títulos de Cuba também podem ser carregados, sob a ideia de que aumentou a probabilidade de serem os próximos da fila. Até mesmo a Colômbia pode estar nessa esteira.

Para a Guiana e as empresas exploradoras de petróleo no país, a notícia é positiva, pois há uma diminuição do risco político, dadas as ameaças recentes de Caracas de guerra contra o vizinho.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para a esquerda latino-americana, o golpe é duro.

O regime de Chavez e Maduro há décadas financia movimentos mais à esquerda na região, com especial impacto sobre Peru e Colômbia. No caso brasileiro, a complacência com que o governo Lula tratou as mazelas da ditadura de Maduro cobra seu preço agora.

A direita já recupera vídeos de Lula em 2013 defendendo o legado Chavez-Maduro e toda a proximidade com o eixo das ditaduras (China, Rússia, Irã, além dos satélites Nicarágua, Cuba, Venezuela e Coreia do Norte) certamente será explorada nas eleições de 2026.

Se o Direito Internacional canônico perde prestígio e invasões de territórios estrangeiros passam a ser possibilidades materiais, além dos casos já citados, Panamá, Groenlândia, Kiev e Taiwan passam a conviver com uma espada de Dâmocles sobre suas cabeças.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A neutralidade diplomática do Brasil pode ser um ativo valioso na segunda metade da década de 2020. Não é exatamente uma má ideia estar no meio do Planalto Central brasileiro num momento como esse. Basta saber se faremos as escolhas certas para explorar esse ativo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Governo Trump pressiona, e quem paga a conta é a credibilidade do Federal Reserve

13 de janeiro de 2026 - 7:46

Além de elevar o risco institucional percebido nos Estados Unidos, as pressões do governo Trump adicionam incertezas sobre o mercado

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O agente secreto de rentabilidade entre os FIIs, a disputa entre Trump e Powell e o que mais move o seu bolso hoje

12 de janeiro de 2026 - 8:28

Investidores também aguardam dados sobre a economia brasileira e acompanham as investidas do presidente norte-americano em outros países

VISÃO 360

A carta na manga do Google na corrida da IA que ninguém viu (ainda)

11 de janeiro de 2026 - 8:00

A relação das big techs com as empresas de jornalismo é um ponto-chave para a nascente indústria de inteligência artificial

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ação para ter no bolso com o alívio dos receios envolvendo a Venezuela, e o que esperar da bolsa hoje

9 de janeiro de 2026 - 8:27

Após uma semana de tensão geopolítica e volatilidade nos mercados, sinais de alívio surgem: petróleo e payroll estão no radar dos investidores

SEXTOU COM O RUY

Venezuela e Petrobras: ainda vale a pena reservar um espaço na carteira de dividendos para PETR4?

9 de janeiro de 2026 - 6:12

No atual cenário, 2 milhões de barris extras por dia na oferta global exerceriam uma pressão para baixo nos preços de petróleo, mas algumas considerações precisam ser feitas — e podem ajudar a Petrobras

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os riscos e as oportunidades com Trump na Venezuela e Groenlândia: veja como investir hoje

8 de janeiro de 2026 - 8:24

Descubra oito empresas que podem ganhar com a reconstrução da Venezuela; veja o que mais move o tabuleiro político e os mercados

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: medindo a volatilidade implícita do trade eleitoral

7 de janeiro de 2026 - 19:48

O jogo político de 2026 vai além de Lula e Bolsonaro; entenda como o trade eleitoral redefine papéis e cenários

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Empresas brasileiras fazem fila em Wall Street, e investidores aguardam dados dos EUA e do Brasil

7 de janeiro de 2026 - 8:25

Veja por que companhias brasileiras estão interessadas em abrir capital nos Estados Unidos e o que mais move os mercados hoje

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Venezuela e a Doutrina Monroe 2.0: Trump cruza o Rubicão

6 de janeiro de 2026 - 9:33

As expectativas do norte-americano Rubio para a presidente venezuelana interina são claras, da reformulação da indústria petrolífera ao realinhamento geopolítico

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A janela para o mundo invertido nos investimentos, e o que mais move o mercado hoje

6 de janeiro de 2026 - 8:16

Assim como na última temporada de Stranger Things, encontrar a abertura certa pode fazer toda a diferença; veja o FII que ainda é uma oportunidade e é o mais recomendado por especialistas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A ação do mês, o impacto do ataque dos EUA à Venezuela no petróleo, e o que mais move os mercados hoje

5 de janeiro de 2026 - 7:58

A construtora Direcional (DIRR3) recebeu três recomendações e é a ação mais indicada para investir em janeiro; acompanhe também os efeitos do ataque no preço da commodity

TRILHAS DE CARREIRA

O ano novo começa onde você parou de fugir. E se você parasse de ignorar seus arrependimentos em 2026?

4 de janeiro de 2026 - 8:00

O ano novo bate mais uma vez à porta. E qual foi o saldo das metas? E a lista de desejos para o ano vindouro?

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

FIIs de logística agitaram o ano, e mercado digere as notícias econômicas dos últimos dias

2 de janeiro de 2026 - 8:28

China irá taxar importação de carne, o que pode afetar as exportações brasileiras, mercado aguarda divulgação de dados dos EUA, e o que mais você precisa saber para começar o ano bem-informado

RETROSPECTIVA

As ações que se destacaram e as que foram um desastre na bolsa em 2025: veja o que deu certo e o que derrubou o valor dessas empresas

31 de dezembro de 2025 - 8:51

Da Cogna (COGN3) , que disparou quase 240%, à Raízen (RAIZ4), que perdeu 64% do seu valor, veja as maiores altas e piores quedas do Ibovespa no ano de 2025

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Empreendedora já impactou 15 milhões de pessoas, mercado aguarda dados de emprego, e Trump ameaça Powell novamente

30 de dezembro de 2025 - 8:43

Conheça a história da Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME) e do Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), e quais são seus planos para ajudar ainda mais mulheres

EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: 10 surpresas para 2026

29 de dezembro de 2025 - 20:34

A definição de “surpresa”, neste escopo, se refere a um evento para o qual o consenso de mercado atribui uma probabilidade igual ou inferior a 33%, enquanto, na nossa opinião, ele goza de uma chance superior a 50% de ocorrência

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como cada um dos maiores bancos do Brasil se saiu em 2025, e como foram os encontros de Trump com Putin e Zelensky

29 de dezembro de 2025 - 8:13

Itaú Unibanco (ITUB4) manteve-se na liderança, e o Banco do Brasil (BBAS3). Veja como se saíram também Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11)

DÉCIMO ANDAR

FIIs em 2026: gatilhos, riscos e um setor em destaque

28 de dezembro de 2025 - 8:00

Mesmo em um cenário adverso, não surpreende que o segmento em destaque tenha encerrado 2025 como o segundo que mais se valorizou dentro do universo de FIIs

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O Mirassol das criptomoedas, a volta dos mercados após o Natal e outros destaques do dia

26 de dezembro de 2025 - 9:01

Em um ano em que os “grandes times”, como o bitcoin e o ethereum, decepcionaram, foram os “Mirassóis” que fizeram a alegria dos investidores

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

De Volta para o Futuro 2026: previsões, apostas e prováveis surpresas na economia, na bolsa e no dólar

23 de dezembro de 2025 - 8:33

Como fazer previsões é tão inevitável quanto o próprio futuro, vale a pena saber o que os principais nomes do mercado esperam para 2026

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar