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Karin Salomão

Karin Salomão

Jornalista formada pela Universidade de São Paulo (USP), com experiência em economia e negócios. Foi repórter na Exame e editora assistente no UOL Economia. Completou o Curso B3 de Mercado de Capitais para Jornalistas e Formadores de Opinião, em parceria com o Insper. Hoje, é editora assistente de empresas no Seu Dinheiro.

VAI CAIR?

Com invasão dos EUA na Venezuela, como fica o preço do petróleo e o que pode acontecer com a Petrobras (PETR3) e junior oils

Empresas petroleiras brasileiras menores, como Brava (BRAV3) e PetroRio (PRIO3), sofrem mais. Mas a causa não é a queda do preço do petróleo; entenda

Karin Salomão
Karin Salomão
5 de janeiro de 2026
16:09 - atualizado às 7:24
Barril de petróleo sobre dólares
Imagem: DALL-E/ChatGPT

O ano mal começou e já trouxe um cenário conturbado para uma das principais commodities globais: o petróleo. Depois da operação dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, o líder norte-americano afirmou que pretende aumentar a oferta da matéria prima do país.

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Donald Trump afirmou que enviará empresas petrolíferas norte-americanas para a Venezuela. Apesar da turbulência, a Opep+ confirmou que não deve mexer na produção. O preço do tipo brent está em alta de 1,28% por volta das 16h.

A projeção é de que a produção da commodity seja maior e mais previsível, e de que o preço caia no médio prazo. Mas nada disso deve ser fácil e, no curto prazo, não deve haver um grande impacto no preço.

A importância da Venezuela para o petróleo no mundo

A Venezuela detém as maiores reservas do óleo do mundo — são mais de 303 bilhões de barris, 17% do total. Durante as décadas de 1930 e 1940, era um dos principais produtores mundiais e fornecedor para as forças aliadas durante a Segunda Guerra Mundial.

Naquela época, a indústria venezuelana era dominada por empresas estrangeiras, como Chevron, Exxon e Shell, diz a XP. Em 1976, o país nacionalizou o setor e a produção caiu. Em 2007, veio uma nova onda: o presidente Hugo Chávez decretou a nacionalização de 60 empresas privadas do setor, e grandes empresas que saíram do país exigem mais de US$ 10 bilhões em indenizações.

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Hoje, a Chevron é a única petroleira norte-americana a atuar no país. O país é pouco relevante no mercado global. Se em 2012 o país explorou 2,7 milhões de barris por dia, em 2024 foram apenas 960 mil barris diários.

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No curto prazo, há um pequeno risco de desabastecimento com o aumento das tensões geopolíticas. Em dezembro, os EUA apreenderam um petroleiro com petróleo venezuelano e tentaram interceptar mais dois navios. A estatal de energia Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) também sofreu um ataque cibernético e ainda está se recuperando.

“As exportações venezuelanas já haviam sido reduzidas pela recente ação militar dos EUA no Caribe”, afirma o analista Regis Cardoso, da XP Investimentos, em relatório.

O que pode acontecer com a produção de petróleo agora

O retorno de empresas petrolíferas norte-americanas à Venezuela, sem nenhum tipo de restrição, aumentaria a oferta de petróleo no mercado, causando, uma queda nos preços internacionais, disse Gustavo Cruz, estrategista‑chefe da RB Investimentos.

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Além disso, um controle mais previsível da produção petrolífera venezuelana sob influência norte-americana também faria o preço cair, diz o analista da Empiricus Matheus Spiess em nota.

As ações das companhias petroleiras dos EUA estão em alta hoje. A Chevron (que no Brasil é negociada pela BDR CHVX34) está em alta de aproximadamente 5,51%; a ConocoPhillips (COP) está em alta de 3,57% e a Exxon Mobil Corp (também negociada no Brasil pela BDR EXXO34) também sobe 2,27% por volta das 16h.

O mercado poderia ser aberto para empresas de outras nacionalidades. "Entendo que a Petrobras poderia até ser uma das empresas a participar deste processo”, diz Pedro Galdi, analista da AGF, relembrando a extinta parceria entre a estatal venezuelana e a brasileira na Refinaria Abreu e Lima.

Alta na produção deve demorar

Mas a retomada da produção pode demorar. O parque petroleiro está sucateado, depois de anos sem grandes investimentos.

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O retorno também depende de como será feita a reorganização na liderança do país. Segundo os especialistas, as companhias precisam confiar nas instituições venezuelanas para voltar a firmar contratos de longo prazo e com alta necessidade de capital. Além disso, as reservas venezuelanas são de um óleo mais denso, que tem um preço menor.

Nos próximos doze meses, o país pode adicionar de 300 a 500 mil barris na produção diária. Em três anos, a produção pode aumentar em mais 1,5 milhão de barris, para voltar aos níveis de uma década atrás, segundo estimativas da XP.

As decisões da OPEP também afetam o preço. "A gente tem que lembrar que basicamente é o acordo da OPEP para que não tenha uma disparidade muito grande e uma vantagem com relação a um e outro na produção, com uma demanda natural mais estável", diz Lucas Sigu Souza, sócio-fundador da Ciano Investimentos.

"Ainda não está claro se as empresas petrolíferas americanas verão a Venezuela como uma oportunidade atraente de investimento, considerando o histórico de instabilidade política do país, o cenário jurídico incerto para o setor e a grande quantidade de capital necessária para recuperar a infraestrutura envelhecida", diz o banco UBS em relatório.

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Inicialmente, quem ganha é a Chevron, que pode colher os frutos desse esforço para aumentar a exploração mais rapidamente, por já estar no país.

Como ficam as ações de petroleiras, como Petrobras e junior oils

Mesmo com impacto limitado no curto prazo, as ações das petroleiras brasileiras estão em queda na bolsa. As ações ordinárias da Petrobras (PETR3) caem 2,94%, enquanto as preferenciais (PETR4) encolhem por volta de 2,83%.

Já entre as petroleiras menores, a Brava Energia (BRAV3) está em queda de aproximadamente 6,40% e a PRIO, ex-PetroRio, (PRIO3) cai 2,2%. Parte desse movimento está sendo amenizado pelo anúncio de que a China iria trocar a importação do petróleo venezuelano pelo brasileiro.

A causa dessa queda não é necessariamente a expectativa de um preço menor de petróleo, mas sim a troca de ações de petroleiras em todo o mundo, inclusive brasileiras, pelos papéis das empresas norte-americanas, afirma Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez. "Mais do que isso, as junior oils também podem perder volume para a Petrobras, que é a empresa mais resiliente do país", afirma.

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Segundo a XP, a PRIO tem mais margem de segurança, antes que a geração de caixa chegue perto do breakeven com uma queda no preço da commodity.

Por outro lado, a Brava é a mais sensível aos preços internacionais, podendo perder 6 pontos porcentuais de valor no mercado para cada queda de US$ 5 no preço. Além disso, é mais alavancada do que seus pares, com uma dívida mais alta em relação ao Ebitda, e tem custos de produção de petróleo mais altos, diz a XP.

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