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Empresas petroleiras brasileiras menores, como Brava (BRAV3) e PetroRio (PRIO3), sofrem mais. Mas a causa não é a queda do preço do petróleo; entenda
O ano mal começou e já trouxe um cenário conturbado para uma das principais commodities globais: o petróleo. Depois da operação dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, o líder norte-americano afirmou que pretende aumentar a oferta da matéria prima do país.
Donald Trump afirmou que enviará empresas petrolíferas norte-americanas para a Venezuela. Apesar da turbulência, a Opep+ confirmou que não deve mexer na produção. O preço do tipo brent está em alta de 1,28% por volta das 16h.
A projeção é de que a produção da commodity seja maior e mais previsível, e de que o preço caia no médio prazo. Mas nada disso deve ser fácil e, no curto prazo, não deve haver um grande impacto no preço.
A Venezuela detém as maiores reservas do óleo do mundo — são mais de 303 bilhões de barris, 17% do total. Durante as décadas de 1930 e 1940, era um dos principais produtores mundiais e fornecedor para as forças aliadas durante a Segunda Guerra Mundial.
Naquela época, a indústria venezuelana era dominada por empresas estrangeiras, como Chevron, Exxon e Shell, diz a XP. Em 1976, o país nacionalizou o setor e a produção caiu. Em 2007, veio uma nova onda: o presidente Hugo Chávez decretou a nacionalização de 60 empresas privadas do setor, e grandes empresas que saíram do país exigem mais de US$ 10 bilhões em indenizações.
Hoje, a Chevron é a única petroleira norte-americana a atuar no país. O país é pouco relevante no mercado global. Se em 2012 o país explorou 2,7 milhões de barris por dia, em 2024 foram apenas 960 mil barris diários.
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No curto prazo, há um pequeno risco de desabastecimento com o aumento das tensões geopolíticas. Em dezembro, os EUA apreenderam um petroleiro com petróleo venezuelano e tentaram interceptar mais dois navios. A estatal de energia Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) também sofreu um ataque cibernético e ainda está se recuperando.
“As exportações venezuelanas já haviam sido reduzidas pela recente ação militar dos EUA no Caribe”, afirma o analista Regis Cardoso, da XP Investimentos, em relatório.
O retorno de empresas petrolíferas norte-americanas à Venezuela, sem nenhum tipo de restrição, aumentaria a oferta de petróleo no mercado, causando, uma queda nos preços internacionais, disse Gustavo Cruz, estrategista‑chefe da RB Investimentos.
Além disso, um controle mais previsível da produção petrolífera venezuelana sob influência norte-americana também faria o preço cair, diz o analista da Empiricus Matheus Spiess em nota.
As ações das companhias petroleiras dos EUA estão em alta hoje. A Chevron (que no Brasil é negociada pela BDR CHVX34) está em alta de aproximadamente 5,51%; a ConocoPhillips (COP) está em alta de 3,57% e a Exxon Mobil Corp (também negociada no Brasil pela BDR EXXO34) também sobe 2,27% por volta das 16h.
O mercado poderia ser aberto para empresas de outras nacionalidades. "Entendo que a Petrobras poderia até ser uma das empresas a participar deste processo”, diz Pedro Galdi, analista da AGF, relembrando a extinta parceria entre a estatal venezuelana e a brasileira na Refinaria Abreu e Lima.
Mas a retomada da produção pode demorar. O parque petroleiro está sucateado, depois de anos sem grandes investimentos.
O retorno também depende de como será feita a reorganização na liderança do país. Segundo os especialistas, as companhias precisam confiar nas instituições venezuelanas para voltar a firmar contratos de longo prazo e com alta necessidade de capital. Além disso, as reservas venezuelanas são de um óleo mais denso, que tem um preço menor.
Nos próximos doze meses, o país pode adicionar de 300 a 500 mil barris na produção diária. Em três anos, a produção pode aumentar em mais 1,5 milhão de barris, para voltar aos níveis de uma década atrás, segundo estimativas da XP.
As decisões da OPEP também afetam o preço. "A gente tem que lembrar que basicamente é o acordo da OPEP para que não tenha uma disparidade muito grande e uma vantagem com relação a um e outro na produção, com uma demanda natural mais estável", diz Lucas Sigu Souza, sócio-fundador da Ciano Investimentos.
"Ainda não está claro se as empresas petrolíferas americanas verão a Venezuela como uma oportunidade atraente de investimento, considerando o histórico de instabilidade política do país, o cenário jurídico incerto para o setor e a grande quantidade de capital necessária para recuperar a infraestrutura envelhecida", diz o banco UBS em relatório.
Inicialmente, quem ganha é a Chevron, que pode colher os frutos desse esforço para aumentar a exploração mais rapidamente, por já estar no país.
Mesmo com impacto limitado no curto prazo, as ações das petroleiras brasileiras estão em queda na bolsa. As ações ordinárias da Petrobras (PETR3) caem 2,94%, enquanto as preferenciais (PETR4) encolhem por volta de 2,83%.
Já entre as petroleiras menores, a Brava Energia (BRAV3) está em queda de aproximadamente 6,40% e a PRIO, ex-PetroRio, (PRIO3) cai 2,2%. Parte desse movimento está sendo amenizado pelo anúncio de que a China iria trocar a importação do petróleo venezuelano pelo brasileiro.
A causa dessa queda não é necessariamente a expectativa de um preço menor de petróleo, mas sim a troca de ações de petroleiras em todo o mundo, inclusive brasileiras, pelos papéis das empresas norte-americanas, afirma Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez. "Mais do que isso, as junior oils também podem perder volume para a Petrobras, que é a empresa mais resiliente do país", afirma.
Segundo a XP, a PRIO tem mais margem de segurança, antes que a geração de caixa chegue perto do breakeven com uma queda no preço da commodity.
Por outro lado, a Brava é a mais sensível aos preços internacionais, podendo perder 6 pontos porcentuais de valor no mercado para cada queda de US$ 5 no preço. Além disso, é mais alavancada do que seus pares, com uma dívida mais alta em relação ao Ebitda, e tem custos de produção de petróleo mais altos, diz a XP.
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