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A correção de spreads desde setembro melhora a percepção dos gestores em relação às debêntures incentivadas, com o vislumbre de retorno adequado ao risco
O mercado de crédito privado começou novembro ajustando as expectativas e os preços após meses de cautela. Se em outubro o sentimento geral dos gestores era de pessimismo em relação ao risco e ao retorno das debêntures incentivadas, o cenário de novembro mostra redução da classe, mas com interesse pelas novas taxas no médio a longo prazo.
Os spreads — diferença entre a taxa do título privado e seu similar público, que remunera o risco da empresa emissora — tiveram uma abertura nítida entre outubro e novembro.
O índice que mede o desempenho de fundos de crédito indexados aos juros (Idex-CDI Geral) registrou no início de novembro 1,9% ao ano de spread. Um mês atras, esse prêmio era de 1,71%.
O aumento de 20 pontos-base (bps) foi significativo para a estratégia de alocação dos gestores. O índice focado em companhias de maior risco e ratings menores, o Idex-CDI Low Rated, também mostrou spreads melhores. Passou de uma abertura de 4,76% ao ano em outubro para aproximadamente 5% em novembro.
Essa abertura de spreads é a continuidade de um movimento que começou em setembro, quando a Medida Provisória 1.303/2025, que tributava as debêntures incentivadas isentas de IR, deixou de valer.
Sem o risco de tributação, parte da atração dos títulos de dívida diminuiu e a demanda mais fraca permitiu a abertura das taxas. Com um início de correção na relação risco/retorno, os gestores começam a redesenhar suas estratégias de alocação.
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Os dados são do relatório Perspectiva dos Gestores, realizado pela Empiricus. A pesquisa de novembro contou com a participação de 17 gestoras, que somam mais de R$ 1,3 trilhão sob gestão em crédito privado. As respostas foram coletadas entre os dias 3 e 10 de novembro.
A principal mudança na visão dos gestores, segundo a pesquisa, está na alocação e expectativa de retorno futuro (carrego) com as debêntures, incentivadas ou tradicionais. Em outubro, o mercado ainda estava sobrealocado em caixa, crédito bancário e debêntures incentivadas.
Passado um mês, os gestores começaram a virar suas carteiras.
O caixa continua alto, mas o crédito bancário perdeu espaço para pequenas posições em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e do Agronegócio (CRAs). Além disso, a alocação em crédito estruturado via Fundos em Direitos Creditórios (FIDCs) continua alta.
No entanto, o analista Pedro Claudino, que assina o relatório da Empiricus, chama a atenção para a "virada de mão" nas debêntures incentivadas. Os gestores saíram de uma posição sobrealocada direto para subalocada.
Os gestores mudaram drasticamente sua alocação, reduzindo a exposição que tinham após a correção de spreads.
Quando as taxas aumentam (abertura dos spreads), o preço dos títulos de dívida cai para ajustar o retorno. Para fundos, isso significa uma desvalorização momentânea no valor da cota.
A virada para uma subalocação pode ser a tentativa de suavizar essa reprecificação dos papéis e o retorno negativo no curto prazo.
Para os próximos seis meses, no entanto, os gestores de crédito esperam debêntures com spreads condizentes com o risco dos papéis, numa continuidade de ajustes das taxas em novas emissões.
Essa expectativa se traduziu no relatório em mais intenções de aumentar o carrego (ficar com o título na carteira por mais tempo para capturar rendimento diário) dos fundos. O carrego ficou baixo por meses por causa dos spreads apertados.
Mas se a expectativa de retorno futuro melhorou, a cautela se mostra nas intenções de manter a duration em linha ou abaixo da média histórica.
A duration mede a sensibilidade do preço de um título à variação das taxas de juros — ou seja, quanto o preço sobe ou desce quando os juros do mercado mudam. Com a dúvida em relação à data e magnitude do corte da taxa Selic nos próximos meses, manter a duration menor é uma forma de diminuir o risco da carteira.
Na pergunta temática do mês, a Empiricus questionou os gestores sobre quais são os três riscos mais relevantes para os fundos de crédito que devem ser monitorados nos próximos seis a 12 meses.
As duas maiores preocupações indicadas na pesquisa de novembro dizem respeito ao fluxo de resgates, especialmente nos fundos indexados ao CDI.
Dos 17 gestores consultados, 13 responderam “maior volume de resgates em fundos de alta liquidez” e “maior volume de resgates em fundos de debêntures incentivadas em CDI”.
Esses resgates representam um risco que vem sendo monitorado pela Empiricus, segundo Claudino, principalmente após o retorno negativo de alguns fundos em outubro devido a abertura dos spreads das debêntures incentivadas.
A terceira preocupação mais selecionada pelos gestores para 2026 está relacionada ao risco de crédito corporativo. Mais especificamente: recuperações judiciais.
Nove gestores indicaram “aumento no número de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial entre empresas com acesso ao mercado de capitais”. Este risco se torna cada vez mais relevante frente ao custo de refinanciamento das empresas com os juros ainda elevados.
Para Claudino, chama a atenção que a opção “empresas com acesso ao mercado de capitais” tenham sido mais citadas do que a opção que indicava “pequenas e médias empresas”.
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