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Pierre Jadoul não vê investidor disposto a tomar risco e enfrentar volatilidade enquanto juros continuarem altos e eleições aumentarem imprevisibilidade
O investidor brasileiro está “monotemático” nos últimos dois anos. Ninguém olha para ações, fundos imobiliários, ETFs ou outros ativos mais arriscados. Há dois anos, a renda fixa — com destaque para o crédito privado — é a única classe de investimento que tem espaço nas carteiras.
Esta é a análise de Pierre Jadoul, diretor-executivo e gestor responsável pela estratégia de crédito privado da ARX Investimentos. Segundo ele, o investidor não só está avesso ao risco, como também evita qualquer possibilidade de volatilidade no portfólio.
Em outubro, quando os spreads — diferença entre a taxa dos títulos privados e públicos, que representa o prêmio pelo risco das empresas — das debêntures incentivadas (isentas de imposto de renda) se abriram, os preços dos títulos caíram e comprometeram o retorno dos fundos de crédito, “queridinhos” dos investidores.
O índice IDA-IPCA Infraestrutura, que acompanha esses títulos incentivados, recuou 0,78% no mês, na primeira marcação negativa do ano.
A abertura foi um movimento natural de mercado, mas que não ocorria com as debêntures incentivadas desde o ano passado. O resultado dessa oscilação foi um primeiro mês negativo para a classe e alguns fundos.
Jadoul acreditava que o movimento poderia assustar os investidores e gerar resgates. Isso aconteceu, mas em um volume pequeno, sem impacto relevante para o mercado.
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“A abertura de spreads de outubro foi uma correção para o fechamento absurdo de setembro. Na prática, um movimento anulou o outro e, no acumulado do ano, os fundos de crédito ainda estão com resultados extraordinários”, disse o gestor em entrevista ao Seu Dinheiro.
A classe de crédito privado inclui diversos ativos: debêntures (incentivadas ou tradicionais), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e Imobiliários (CRIs), Fundos de Direitos Creditórios (FIDCs), entre outros títulos e fundos.
Nesta matéria e na conversa com Jadoul, o Seu Dinheiro focou nas debêntures e nos fundos de infraestrutura, que investem nesses papéis.
Na opinião do gestor, não é por acaso que os investidores estão agarrados aos fundos de infra e continuam colocando cada vez mais dinheiro. O retorno desses fundos está entre 2% e 3% acima do CDI — o que significa ganhos de 17% a 18% em 12 meses.
No acumulado do ano até 25 de novembro, o IDA-IPCA Infraestrutura registrou retorno de 15,75%, considerando apenas as debêntures incentivadas. Ou seja, esta é uma rentabilidade líquida, pois estes papéis são isentos de IR. Já o IDA-Geral (que inclui todas as debêntures) chegou a 14,68%.
Para comparação, o IMA-Geral, que acompanha todos os títulos públicos, no mesmo período, acumulou retorno de 13,73%.
Jadoul não acredita na possibilidade de um movimento de resgate volumoso no futuro. Pelo contrário, ele afirma que 2026 deverá ser mais um ano positivo para o crédito privado — tanto em captações quanto em emissões e retorno.
“Se resgatar, vai alocar onde? O investidor não quer tomar risco. Não está entrando em ações, em multimercados. Nem um Tesouro IPCA+ do governo ele está colocando na carteira porque não quer volatilidade. Os fundos de crédito pós-fixados são a opção do momento”, disse o gestor.
Para Jadoul, a preferência do investidor pelo crédito privado vai se manter até que o apetite a risco volte. Para isso, ele vê dois possíveis cenários:
E esse compasso de espera não é exclusivo dos investidores pessoas físicas. A estratégia de crédito da própria ARX também é conservadora.
Jadoul afirma que os fundos da casa estão alocando apenas em emissores de baixo risco, mesmo com os spreads comprimidos dessas emissões com grau de investimento. O volume de caixa está alto, e a preferência é por títulos de curto prazo.
Além disso, a gestora também aposta no crédito estruturado para melhorar a rentabilidade, como os FIDCs.
“Eu não vou tomar risco sem ter clareza de uma melhora de cenário lá na frente. Esses juros de 15% comprometem o negócio das empresas. Tem empresa grande por aí que está operando só para pagar juros de dívida. Uma hora essa conta explode”, diz o gestor da ARX.
O corte da Selic previsto para o próximo ano — de 15% para 12% em dezembro, segundo o Boletim Focus do Banco Central — é quase como a correção dos spreads em outubro, na opinião do gestor: muito pequeno.
Para Jadoul, o apetite a risco dos investidores, a Selic abaixo de 10% ao ano, o Tesouro IPCA+ com prêmios de 5% novamente e a “normalidade” no mercado financeiro só serão possíveis depois das eleições de 2026.
Tudo depende de uma boa proposta para o déficit fiscal do Brasil.
O gestor acredita que a falta de visibilidade sobre a contenção da dívida e das contas públicas está travando as projeções futuras das empresas e os indicadores econômicos.
“Independentemente do candidato A ou B, a questão é como ele vai endereçar o problema fiscal. Uma boa proposta pode destravar tudo. Do jeito que está, não dá para ficar. O Brasil não sustenta um juro de 15% ao ano por mais tempo”, disse Jadoul.
Enquanto a proposta não está na mesa, o gestor afirma que o investidor vai seguir avesso a risco, estacionado na renda fixa — e nos fundos de infraestrutura.
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