Momento decisivo para o Brasil: Lula lidera cenário eleitoral de 2026, mas rejeição desafia favoritismo, segundo especialistas
Durante evento nesta quinta-feira (11), promovido pelo Itaú Asset Management, Thomas Wu e Felipe Seligman dizem que o petista é o favorito, mas enfrenta alta rejeição e dilemas econômicos e geopolíticos que podem redefinir o futuro do Brasil

As eleições presidenciais de 2026 já começaram a fazer preço no mercado — o Ibovespa, por exemplo, chegou a perder 8 mil pontos com eventos recentes ligados ao pleito. Mais do que uma simples disputa de nomes, a votação deve refletir o humor da economia e a intensidade da polarização social que atravessam o país.
Para o economista-chefe do o Itaú Asset Management, Thomas Wu, e para o cofundador e co-CEO do JOTA, Felipe Seligman, o Brasil entra agora em um período decisivo.
De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desponta como protagonista, mesmo carregando uma rejeição elevada; de outro, a oposição tenta se reorganizar em meio às incertezas sobre quem será seu candidato.
Seligman classificou a eleição de 2026 como “uma das mais abertas dos últimos tempos”, mas destacou que Lula deve ser candidato, já que a esquerda não possui outro nome competitivo.
“Podemos dizer com clareza que Lula será candidato porque a esquerda não tem outro nome que performe bem no segundo turno”, afirmou ele nesta quinta-feira (11) durante evento Perspectivas 2026, promovido pelo Itaú Asset Management
Enquanto isso, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, é visto como potencial nome da oposição, ao lado de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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Economia como fator decisivo para Lula
Apesar da rejeição elevada, Lula ainda aparece como favorito. Segundo Seligman, medidas como a isenção da conta de luz para 80 milhões de pessoas, a distribuição de gás e a ampliação da faixa de isenção do imposto de renda fortalecem sua posição.
“Estamos falando de dinheiro na mão do brasileiro em um momento importante”, avaliou.
Ele lembrou que Lula conseguiu recuperar discursos antes abandonados, como patriotismo, combate à corrupção e segurança pública, ampliando seu alcance político. Além disso, destacou que o presidente saiu fortalecido em meio à questão tarifária com os Estados Unidos.
“Na questão do tarifaço, Lula foi beneficiado pelo filho de [Jair] Bolsonaro e soube usar isso a seu favor”, disse, em referência aos pedidos de Eduardo Bolsonaro para que Donald Trump punisse o Brasil com tarifas após o julgamento do ex-presidente por tentativa de golpe.
Terras raras: oportunidade estratégica para o Brasil
Thomas Wu, por sua vez, chamou atenção para o aumento das tensões globais.
“O mundo está ficando mais tenso, e em 2025 ficou mais tenso do que já estava”, afirmou.
Para ele, essa conjuntura marca o reinício de uma corrida armamentista em que os minerais estratégicos — especialmente as terras raras — assumem papel central.
“Os Estados Unidos têm que se armar até os dentes para evitar um conflito com a China, mas precisa importar uma coisa que a China faz. A China [como principal oponente, por sua vez] tem imposto restrições para vender terras raras para os EUA”, afirmou Wu, destacando isso como um “gargalo” na estratégia norte-americana.
Nesse cenário, o Brasil está bem-posicionado para ser “parte da solução” como um dos principais fornecedores aos EUA.
“Isso nos dá uma vantagem geopolítica gigante”, disse. “Se a gente começar a investir em tecnologia para terras raras hoje, talvez em 2030 podemos ter 20% desse mercado”, acrescentou.
Com a aproximação das eleições, os especialistas reforçaram que o próximo presidente terá de lidar com dilemas complexos na política externa.
“O próximo presidente estará mergulhado nesse dilema: como se posicionar entre duas potências sem perder parceiros comerciais”, disse Seligman.
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