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Dani Alvarenga

Repórter de fundos imobiliários e finanças pessoais no Seu Dinheiro. Estudante de Jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP).

SEM MEDO DA RECESSÃO?

Trump descarta demissão de Powell, mas pressiona por corte de juros — e manda recado aos consumidores dos EUA

Em entrevista, Trump afirmou que os EUA ficariam “bem” no caso de uma recessão de curto prazo e que Powell não reduziu juros ainda porque “não é fã” do republicano

Dani Alvarenga
4 de maio de 2025
13:48 - atualizado às 9:38
Donals Trump
Donald Trump - Imagem: Reprodução YouTube

Desde que voltou à Casa Branca, Donald Trump vem tecendo severas críticas ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e chegou a ameaçar demitir o dirigente do Banco Central (BC) dos EUA. Porém, neste domingo (4), o republicano abaixou o tom.

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Em uma entrevista ao programa "Meet the Press" da NBC News, Trump descartou uma substituição antecipada de Powell. "Não, não, não. Por que eu faria isso? Eu terei a oportunidade de substituir essa pessoa em um curto período de tempo", disse o presidente norte-americano.

Porém, Trump voltou a cobrar Powell por uma redução nas taxas de juros, que estão, atualmente, na faixa entre 4,25% e 4,50% ao ano. 

"Ele deveria baixá-las. E em algum momento, ele vai. Ele prefere não fazer isso porque não é meu fã. Ele simplesmente não gosta de mim porque acho que ele é um completo teimoso", afirmou o presidente na entrevista.

Vale lembrar que, na próxima quarta-feira (7), ocorre a chamada Super Quarta, quando o Comitê de Política Monetária brasileiro e o Federal Reserve (Fed) decidem, no mesmo dia, as taxas de juros nos dois países. 

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A expectativa é que o Fed mantenha os juros inalterados na próxima reunião. Dados divulgados na sexta-feira mostraram criação de 177 mil empregos nos EUA em abril, acima das projeções do mercado

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Na entrevista, Trump também comentou que outros países mantêm taxas de juros mais baixas, o que, segundo ele, coloca os Estados Unidos em desvantagem competitiva. "Estamos pagando muito mais do que outros países. Eles emprestam dinheiro a taxas muito mais baixas", declarou.

 Trump sem medo de recessão

Trump também aproveitou a oportunidade para minimizar as preocupações com uma possível recessão no país, em meio às taxas impostas aos parceiros comerciais dos EUA e à desaceleração da economia.

Ao ser questionado sobre aceitar uma recessão como custo para alcançar seus objetivos econômicos, ele disse: “Está tudo bem. Eu disse que esse é um período de transição. Acho que vamos nos sair muito bem”.

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O republicano também afirmou que os EUA ficariam "bem" no caso de uma recessão de curto prazo, uma vez que prevê, no longo prazo, que a economia ficará mais agitada quando suas políticas entrarem em vigor.

Trump ainda reforçou que as medidas adotadas por sua gestão visam fortalecer a economia no longo prazo, mesmo com eventuais efeitos negativos no curto prazo.

A declaração vem na esteira da divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre dos EUA, que mostrou uma contração de 0,3% na taxa anualizada, a primeira queda desde o início de 2022.

Norte-americanos, chegou a hora de gastar menos

O presidente dos EUA voltou a defender as tarifas comerciais elevadas durante a entrevista, especialmente contra a China. Segundo Trump, a imposição de alíquotas de até 145% é uma forma de proteger a indústria americana e corrigir o que chama de desequilíbrio comercial histórico. 

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"Nós perdíamos cinco a seis bilhões de dólares por dia com Biden. Agora, isso caiu drasticamente. Colocamos uma tarifa de 145%. Ninguém nunca ouviu falar disso.", afirmou.

Contudo, ao ser questionado sobre o impacto das taxas para os consumidores, Trump sugeriu que os americanos podem reduzir o consumo de produtos supérfluos. 

“Eu não acho que uma garotinha de 11 anos precise ter 30 bonecas. Ela pode ter três ou quatro. Não precisamos gastar dinheiro com lixo vindo da China”, disse.

Além disso, ao falar sobre a principal promessa de campanha do republicano — que prometeu acabar com a inflação e turbinar a economia americana —, Trump argumentou que as tarifas reduzirão o déficit comercial dos EUA, gerarão receita para o governo e vão melhorar a economia doméstica.

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Vale lembrar que dados recentes mostraram que, apesar de uma leve desaceleração na inflação anual, os preços de itens importados como pneus, utensílios domésticos e carrinhos de bebê seguem em alta.

Porém, Trump relativizou esses aumentos e disse que o foco deve ser a redução no preço da energia, como gasolina. “A gasolina é milhares de vezes mais importante do que um carrinho de bebê”, disse.

Já em relação à possibilidade de desabastecimento, o republicano negou que os norte-americanos devam esperar prateleiras vazias, mas insistiu que o consumo deve ser racionalizado. “Não estou dizendo que vai faltar. Só estou dizendo que as pessoas não precisam ter 250 lápis. Podem ter cinco”, afirmou.

A culpa é do outro: Trump sobre a gestão Biden

O republicano manteve a postura de vencedor da guerra comercial travada por ele e evitou fazer um mea culpa. Durante a entrevista, Trump negou que sua agenda econômica esteja causando danos estruturais. “As tarifas vão nos deixar ricos. Vamos ser um país muito rico”, declarou.

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Até mesmo em relação à reação negativa de parte do mercado financeiro após o anúncio das novas tarifas, o presidente dos EUA conseguiu se esquivar. Ele afirmou que se responsabiliza pelas consequências, mas que está no cargo há apenas três meses.

“Ultimamente, eu me responsabilizo por tudo. Mas só estive aqui por pouco mais de 100 dias. Mesmo assim, já conseguimos reduzir custos. Estamos falando de uma economia que estava sangrando. Hoje temos um comércio muito mais equilibrado e parceiros que querem fazer acordos conosco. Mas tem que ser justo", disse em entrevista.

Trump criticou o ex-presidente Joe Biden e atribuiu a ele os problemas econômicos atuais. 

"As partes boas da economia são minhas. As ruins são do Biden. Ele fez um trabalho terrível em tudo. Desde a economia até o uso do autopen, que ele nem sabia que estava assinando", disparou, fazendo referência ao episódio recente em que um indulto concedido a um aliado democrata foi atribuído ao mecanismo automatizado de assinatura do ex-presidente.

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*Com informações do Estadão Conteúdo.

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