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China e o Canadá são, até o momento, os únicos países que contra-atacaram os EUA, enquanto as tarifas norte-americanas já atingiram o maior nível desde 1930

Dizem que Donald Trump amarela ao anunciar tarifas pesadas contra parceiros comerciais e depois recua em troca de acordos mais favoráveis aos EUA — uma estratégia que ficou conhecida como Taco Trade (Trump always chickens out, ou Trump sempre amarela). Mas não é o que dizem os números no momento.
Levantamento do Financial Times mostra que o republicano arrecadou quase US$ 50 bilhões em receitas alfandegárias extras, enquanto os alvos do tarifaço não conseguem responder a altura à nova ofensiva tarifária do presidente americano.
China e o Canadá são, até o momento, os únicos países que contra-atacaram os EUA, ainda assim com ações pontuais e limitadas, enquanto as tarifas norte-americanas já atingiram o maior nível desde 1930.
Com uma trajetória fiscal insustentável nos EUA, a notícia de que as tarifas estão enchendo os cofres em Washington é uma boa notícia para o governo Trump.
Dados divulgados pelo Tesouro dos EUA na sexta-feira (11) mostram que as tarifas impulsionaram a arrecadação por lá para um recorde de US$ 64 bilhões no segundo trimestre — US$ 47 bilhões a mais do que o registrado no mesmo período de 2024.
Como comparação, as tarifas retaliatórias da China sobre os produtos norte-americanos — as mais significativas adotadas por um país contra os EUA — não tiveram o mesmo efeito, com a arrecadação total alfandegária chinesa em maio de 2025 subindo 1,9% na comparação anual.
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Embora Trump esteja enchendo os cofres com as tarifas, elas têm efeitos colaterais importantes — e não é a toa que os países não respondem a guerra comercial com mais força.
Para analistas ouvidos pelo FT, governos evitam confronto com Washington por receio de desencadear uma espiral protecionista global.
Segundo modelagem da Capital Economics citada pelo jornal britânico, uma guerra comercial em larga escala poderia reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) global em até 1,3% em dois anos, em comparação com uma de 0,3% em um cenário-base de tarifas mantidas em 10%.
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