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FORA DO CONSENSO

Por que El-Erian, um dos economistas mais renomados do mundo, defende que Powell renuncie ao Fed

Mais cedo, Trump voltou a criticar o chefe do banco central norte-americano e a defender juros na casa de 1% nos EUA

O economista Mohamed El-Erian está frente a frente com Jerome Powell, presidente do Fed. Ao fundo, a bandeira dos EUA.
Mohamed El Erian (esquerda) e Jerome Powell (direita) em imagem criada por inteligência artificial - Imagem: Aurora / Grok

Toda vez que Donald Trump sugere que Jerome Powell deve abrir mão do comando do Federal Reserve (Fed), o mercado torce o nariz e responde, muitas vezes, castigando ativos de risco como as ações. Não é à toa: uma mudança dessas no banco central é fonte de incerteza global. E quando quem defende essa renúncia é um dos economistas mais renomados do mundo?

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Certamente não provoca caos na bolsa — o S&P 500 terminou esta terça-feira (22) em novo recorde, ao 6.309,62 pontos — mas é uma opinião completamente fora do consenso e o próprio Mohamed El-Erian reconhece isso. 

O presidente do Queen's College e ex-chefe da gestora Pimco começa um post no X dizendo que as críticas desta terça-feira (22) a Powell e ao Fed se ampliaram para desvio da missão e que a autonomia do banco central norte-americano, neste contexto, deve ser prioridade.

“Os acontecimentos dos últimos dias reforçam minha opinião: se o objetivo do presidente Powell é salvaguardar a autonomia operacional do Fed (que considero vital), então ele deveria renunciar”.

"Reconheço que essa não é a visão consensual, que favorece sua permanência até o fim do mandato em maio. No entanto, é melhor do que o que está acontecendo agora — ameaças crescentes e ampliadas à independência do Fed — que, sem dúvida, aumentarão se ele permanecer no cargo", observou.

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Em relação à reação do mercado, El-Erian acredita que a maioria dos candidatos frequentemente mencionados para substituir Powell  no comando do Fed seria capaz de acalmar qualquer potencial nervosismo.

Trump volta a criticar Powell e o Fed

Mais cedo, Trump voltou a criticar o presidente do Fed, e defendeu cortes agressivos na taxa básica de juros, que “deveriam estar mais baixas do que a atual, em 1%”.

O banco central norte-americano vem mantendo os juros na faixa entre 4,25% e 4,50% ao ano, e tem indicado que vai esperar para ver os efeitos das tarifas comerciais nos preços.

"Powell está fazendo um trabalho horrível", afirmou o republicano, acrescentando que "Powell sairá em breve de qualquer jeito; em oito meses estará fora".

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O mandato de Powell acaba em maio de 2026 e, recentemente, especulações de que Trump havia preparado o rascunho da carta de demissão do presidente do Fed circularam na imprensa norte-americana. O Seu Dinheiro contou essa história e você pode conferir os detalhes aqui. 

Durante reunião com o presidente das Filipinas na Casa Branca, Trump voltou a acusar o Fed de agir com motivações políticas.

"Powell mantém taxas de juros altas provavelmente por motivos políticos", disse. 

Para o republicano, os juros elevados têm causado impacto direto na economia real. "Taxas de juros altas estão trazendo problemas para compradores de imóveis", afirmou ele, embora tenha reiterado que "nossa economia está forte".

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Presente na reunião, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, também criticou a postura da autoridade monetária. "Eles não devem se meter no que não é da conta deles", disse, em referência ao Fed.

Segundo Bessent, "eles deveriam estar reduzindo juros agora".

Para se somar à pressão por juros mais baixos, o chefe de equipe da Casa Branca, James Blair, confirmou nesta terça que visitará a sede do BC em Washington para inspecionar obras de renovação na quinta-feira (24). Se você quiser entender mais sobre a polêmica reforma do Fed, pode acessar aqui

Bessent visitou a sede na segunda-feira (21) e defendeu que deveria haver uma revisão da decisão do banco central de reformar partes do prédio da instituição. 

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