YouCom, a força da juventude na Lojas Renner: por que a marca tem ganhado cada vez mais relevância no grupo, segundo o diretor Claudio Barone
Em entrevista ao Seu Dinheiro, o diretor explica os pilares por trás do crescimento da marca e como planeja dobrar o número de lojas no longo prazo

Filha adolescente da Lojas Renner (LREN3), a YouCom tem sido um belo destaque nos planos de crescimento da ‘família’. A marca, conhecida por coleções inspiradas no jovem urbano, foi a que mais abriu lojas dentro do grupo, que também controla a Camicado, nos últimos dois anos.
Hoje com 141 unidades espalhadas por 23 estados brasileiros mais o Distrito Federal, a expectativa até o final do ano é que esse número suba para 150 pontos. No longo prazo, a meta é dobrar, chegando a 300 lojas — e o Rio de Janeiro é uma das praças para as quais a empresa está olhando com mais atenção.
O diretor da marca, Claudio Barone, que dá raras entrevistas à imprensa, topou conversar com o Seu Dinheiro para contar como a empresa pretende chegar lá e o que está por trás do caminho de sucesso da YouCom — que, além de novas lojas, está expandindo algumas das que já existem. O espaço ficou pequeno demais.
“No final de julho completamos 12 anos de história da marca. A YouCom amadureceu, ganhou cada vez mais força. Hoje já contamos com uma base de aproximadamente 1,6 milhão de clientes ativos, um dado que mostra o quanto geramos valor para todo o ecossistema”, diz Barone.
O braço jovem da Lojas Renner encerrou o primeiro semestre de 2025 com receita líquida de quase R$ 250 milhões, um avanço de 24% frente aos mesmos seis meses do ano passado. As vendas aceleraram 24,4% na YouCom — frente aos 5,1% na Camicado e 15,8% na Renner.
De acordo com Barone, esse crescimento é impulsionado por três pilares: abertura e ampliação de lojas e o fortalecimento dos canais digitais.
Leia Também


- CONFIRA: Você sabe o que está em alta? Cadastre-se para receber as newsletters do Lifestyle do Seu Dinheiro, antenada em comportamento e consumo
A estratégia digital de crescimento na YouCom
De acordo com Barone, a trajetória de sucesso da YouCom até aqui é muito alicerçada na obsessão da marca por ser uma referência em moda e lifestyle, além da construção de uma relação forte com a base de clientes.
“Nosso papel no grupo é ampliar continuamente a relevância da marca junto ao público jovem. Sempre com escala, com consistência e com rentabilidade crescente. Isso, sem dúvida, fortalece todo o ecossistema da companhia”, afirma o diretor da YouCom.
A empresa acelerou a estratégia digital em 2020, com a pandemia de coronavírus, e hoje tem apostado bastante em campanhas envolvendo influenciadores famosos no TikTok, rede mais conhecida pelo apelo ao público jovem que a YouCom quer alcançar. Uma delas foi uma coleção de 24 peças em colaboração com a influenciadora Malu Camargo, que acumula quase 4 milhões de seguidores no aplicativo.
“Ela se conecta de uma forma muito genuína com o público da Youcom, e entende profundamente o que os jovens buscam em termos de estilo e expressão pessoal”, destaca Barone.
Além disso, a marca tem investido cada vez mais em outros perfis conhecidos especificamente entre o público adolescente e jovem adulto nas redes sociais para divulgar os produtos. Em um breve giro pelo perfil da loja, é possível ver outros nomes fortes nesse segmento. É o caso de duas it girls das redes: Natália Cangueiro (1,8 milhão de seguidores) e Isadora Raymundi (815 mil seguidores).
No entanto, os perfis combinados em Instagram e TikTok da marca ainda são relativamente pequenos quando comparados aos outros do próprio grupo. Contando as duas redes, a YouCom acumula 1,3 milhão de seguidores — versus 10,6 milhões da Renner e 2,72 milhões da Camicado.
A YouCom também tem a frente de e-commerce, com vendas realizadas tanto por aplicativo, lançado em 2021, quanto pelo site.
Embora a empresa não divulgue o tamanho dessa operação, dados do SimilarWeb indicam que o site da marca registrou cerca de 800 mil visitas em agosto, número inferior ao de concorrentes do fast fashion brasileiro, como Hering, C&A e a própria Renner.

- Para este gráfico, foi considerada apenas a concorrência brasileira da varejista para não gerar distorções em sites que têm domínio global, mas considerando o público, a maior concorrente da YouCom, segundo analistas, é a Shein.
Já o aplicativo detém cerca de 1 milhão de downloads na PlayStore, também abaixo dos outros players.
De acordo com analistas com quem o Seu Dinheiro conversou, isso aponta para um apelo mais marcante no mundo físico, onde as lojas têm aparecido em cada vez mais shoppings, do que no digital. E isso é um desafio para que a marca ganhe ainda mais escala entre o público, principalmente considerando os mais jovens.
No entanto, Barone ressalta que as duas frentes (digital + física) são complementares. “Eu não sou jovem, mas em conversas eu percebo que o jovem gosta de se relacionar, gosta do contato olho no olho. Prefere uma marca que se posiciona como amiga, que é a proposta da YouCom. Então, certamente, o digital vai crescer, mas esse contato vai ser construído independente de canal”, afirma.
Ele ainda complementa dizendo que a presença física também impulsiona os canais online. “Nosso objetivo é trazer complementaridade. Um dado importante é que, ao abrirmos uma loja física, observamos um fenômeno: ela acaba gerando mais clientes digitais. Isso demonstra um ciclo virtuoso, no qual um canal fortalece o outro”.
Barone também compartilha uma das estratégias que a companhia tem usado para promover o aplicativo entre os clientes das lojas.
“Imagine que você está em uma de nossas lojas e deseja uma peça tamanho P, mas só temos M ou G. Nesse caso, temos uma modalidade muito importante chamada Showroom, onde realizamos a venda e garantimos a entrega em dois ou três dias. Atualmente, essa modalidade representa cerca de 10% da nossa participação digital e é uma maneira de educar e orientar os clientes a utilizarem nosso app”, conta Barone.

O avanço das lojas físicas da YouCom

Além de ser referência em lifestyle e moda, outro pilar do crescimento até aqui e daqui para a frente da YouCom, de acordo com o diretor, é a experiência nas lojas. Por isso, para mais do que abrir novas unidades, a empresa está apostando em aumentar as que já existem.
“Existem espaços que hoje ficaram pequenos e que têm potencial para agregar mais”. Atualmente, são seis lojas da companhia que passam por reformas. A varejista acabou de concluir os trabalhos no BH Shopping, em Belo Horizonte (MG), e no Shopping Vila Romana, em Florianópolis (SC). Outro destaque nesse sentido é que a YouCom irá abrir sua primeira loja de rua, em Balneário Camboriú (SC).
Para o futuro, Barone afirma que um dos estados para os quais a fast fashion está olhando com mais carinho quando o assunto é inaugurar novas lojas é o Rio de Janeiro. “Nós já temos lojas na capital, Niterói e Volta Redonda, mas é uma praça que tem muito espaço para crescermos”.
Ele também cita as regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste como focos de novas unidades daqui para a frente. Sobre uma possível expansão para fora do país — seguindo os passos da Renner, que opera na Argentina e no Uruguai —, o diretor afirma que é “um sonho no radar”, mas que ainda não é a prioridade.
“A gente tem, sim, sonhos de ir para outros países, mas tem tanta coisa para acontecer no Brasil, que ainda não entrou no radar. Mas tenho certeza que isso vai acontecer no futuro”, afirma.
A concorrência asiática
No caso da concorrência, a Shein aparece como um dos principais nomes quando o assunto é a YouCom, uma vez que o público da asiática é bem parecido com o que a brasileira conversa. E não dá para esquecer que, mesmo taxada, a estrangeira tem uma estratégia agressiva na competição por preços.
A título de comparação, o Seu Dinheiro foi pesquisar a média de preços de uma camiseta básica preta estilo cropped nos dois sites, Shein e YouCom, usando os mesmos termos-chave de pesquisa. Enquanto na asiática o modelo mais barato encontrado fica em torno de R$ 14, na brasileira a opção mais barata está na casa dos R$ 50.
Já na busca por uma calça jeans reta feminina, a asiática tinha produtos a partir de R$ 70, enquanto os valores na marca da Renner partiam de R$ 99. Cabe ressaltar que não avaliamos a qualidade de cada produto, a pesquisa foi feita com base nos preços.
Mas Barone não se diz muito preocupado.
“Olhamos para a concorrência, mas temos pontos fortes muito sólidos aqui. Seguimos firmes na execução do nosso plano estratégico, com investimentos e eficiência nos canais, ampliação da distribuição física e inovação de produtos. Os jovens não buscam apenas preço — claro, o preço é importante, mas eles também querem identidade, autenticidade e confiança. Nossas lojas físicas são um diferencial estratégico importante em relação às plataformas, e é nesse espaço que a YouCom vai se consolidando, criando condições para o futuro”, afirma.
VAI PINGAR
Dividendos e JCPs: Sabesp (SBSP3) vai depositar R$ 2,6 bilhões — e ainda dá para aproveitar
5 de novembro de 2026 - 19:58BALANÇO 3T26
Fleury (FLRY3): Lucro cresce 42,9% no 3T26 e bate expectativa; CEO detalha planos para sustentar o crescimento
5 de novembro de 2026 - 18:11SD ENTREVISTA
“A arte está em saber quem merece crédito”: o recado do ABC Brasil (ABCB4) para empresas em meio à pressão dos juros
5 de novembro de 2026 - 16:31É DINHEIRO OU NÃO É?
Após OPA da Helbor (HBOR3), HBR Realty (HBRE3) vende ativos a FII por quase R$ 1 bilhão; ações sobem 6%
5 de novembro de 2026 - 14:18ENTROU EM PROMOÇÃO?
Ações com desconto? Queda de 9% é oportunidade para Méliuz (CASH3) após balanço, segundo dois bancões; entenda
5 de novembro de 2026 - 14:18EMPRESAS
Cosan (CSAN3) está barata demais? UBS-BB vê oportunidade após tombo de 40% e aponta o que pode destravar valor
5 de novembro de 2026 - 13:58O QUE AGRADOU?
Ação da C&A (CEAB3) dispara até 10% após trimestre melhor do que o temido pelo mercado; veja os destaques
5 de novembro de 2026 - 13:25ONDE INVESTIR NO VAREJO?
Juros mais altos por mais tempo: Citi rebaixa Magazine Luiza (MGLU3), eleva Alpargatas (ALPA4) e muda apostas no varejo
4 de novembro de 2026 - 14:45AMBIÇÃO RENOVADA
Revolut chega a US$ 115 bilhões e já vale mais que o dobro do Nubank; o que está por trás da aposta dos investidores
4 de novembro de 2026 - 12:35CENÁRIO MAIS APERTADO
“É preciso ser realista”: CEO do Itaú (ITUB4) revela como o banco pretende equilibrar crédito e rentabilidade em 2027
4 de novembro de 2026 - 11:56MAIS UMA PARA A LISTA
Aeris (AERI3) recorre à recuperação extrajudicial para lidar com dívida de R$ 1,52 bilhão
4 de novembro de 2026 - 10:06PECHINCHA ENTRE OS BANCÕES
Nem na crise de 2016 o Bradesco (BBDC4) ficou tão barato: o que o Morgan Stanley está vendo após o tombo de quase 40% desde as eleições
4 de novembro de 2026 - 8:56RESULTADO
Itaú (ITUB4) lucra R$ 12,6 bilhões no 3T26, em linha com o esperado; veja o que pesou no balanço
3 de novembro de 2026 - 18:37CAIU DEMAIS?
Nubank (NU): XP vê duas cartas na manga para roxinho; saiba o potencial da ação
3 de novembro de 2026 - 17:47PRÉVIA DO BALANÇO
Após decepção dos rivais no 3T26, é a vez de o Itaú (ITUB4) mostrar por que joga em outra liga; veja o que esperar do balanço
3 de novembro de 2026 - 6:02ALÔ, É UM SER HUMANO?
Fim da secretária eletrônica? Empresas terão de oferecer atendimento humano obrigatório no SAC; veja o que muda
2 de novembro de 2026 - 14:00O TEMPO FECHOU
Chilli Beans vê o sol se esconder: rede de óculos escuros pede recuperação extrajudicial; entenda os próximos passos da empresa
1 de novembro de 2026 - 10:35TIRANDO O CAVALINHO DA CHUVA
Nada de dividendos extras: Vale (VALE3) descarta possibilidade, mas CFO revela alternativa que pode agradar acionista
31 de outubro de 2026 - 16:11REESTRUTURAÇÃO
Raízen (RAIZ4) será dividida em duas empresas listadas em bolsa e aprova aumento de capital de R$ 39,8 bilhões
30 de outubro de 2026 - 19:00PROTEÇÃO ATIVADA