Tempo fechado: Voepass entra com pedido de recuperação judicial e culpa Latam
Essa é a segunda vez que a companhia entra com pedido de recuperação judicial; em jogo está uma dívida que gira em torno de R$ 400 milhões

A crise na Voepass ganhou um novo capítulo na terça-feira (22), quando a companhia aérea de Ribeirão Preto (SP) entrou com um novo pedido de recuperação judicial e apontou a Latam como a principal responsável pelo buraco financeiro em que se encontra. Sim, a treta é pesada.
No pedido formal apresentado à Justiça, ao qual o G1 teve acesso, a Voepass afirma que a Latam exerceu “elevado poder de ingerência” na relação comercial entre as duas empresas.
E não para por aí: a Voepass revelou que o contrato entre elas era um Capacity Purchase Agreement (CPA), e não apenas um codeshare simples. Dessa forma, segundo a Voepass, a Latam teria controle quase total sobre a gestão da companhia, como se fosse uma sociedade.
- VEJA MAIS: Ação brasileira da qual ‘os gringos gostam’ tem potencial para subir mais de 20% em breve; saiba o porquê
A Voepass afirma que, após o trágico acidente aéreo em Vinhedo (SP), que matou 62 pessoas em agosto de 2024, a Latam teria solicitado a suspensão das operações de quatro aeronaves, deixando apenas seis voando. Para piorar, a Latam também teria deixado de repassar cerca de R$ 35 milhões relacionados à manutenção dos aviões.
Por sua vez, a Latam, em nota divulgada na tarde desta quarta-feira (23), repudiou o posicionamento da Voepass e declarou que a tragédia foi o principal fator para o encerramento da parceria entre as empresas.
“A Latam Airlines Brasil reforça que o término da parceria comercial com a Voepass foi motivado principalmente pelo acidente ocorrido no voo 2283, operado pela Voepass em 9 de agosto de 2024", escreveu a empresa.
Leia Também
"A Latam ressalta também que a Voepass não possui Certificado de Operador Aéreo (COA), conforme suspensão determinada pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Essa suspensão a impede de operar voos de transporte de passageiros, o que reforça as justificativas da rescisão contratual”, completou.
Recuperação judicial e dívida milionária
Essa é a segunda vez que a Voepass entra com pedido de recuperação judicial. O motivo? Uma dívida que gira em torno de R$ 400 milhões, segundo informações atualizadas na petição. Esse valor não inclui débitos em dólares, o que pode elevar ainda mais o tamanho do rombo financeiro.
A empresa informou ainda que, desses R$ 400 milhões, R$ 209,2 milhões foram detalhados no pedido recente, sendo R$ 162,2 milhões com credores quirografários — aqueles que não têm garantia real.
A crise, segundo a empresa, foi alimentada por três grandes fatores:
- O impacto do acidente aéreo em Vinhedo;
- A suspensão das operações pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) após detectar falhas de segurança;
- E o conflito com a Latam, que, de acordo com a Voepass, antes do desastre aéreo representava 93% do faturamento total da empresa.
Em nota, a Voepass afirma que “caso o pedido de recuperação judicial seja deferido pela Justiça, todos os passivos serão congelados e negociados com base em um plano detalhado que será elaborado para atender todos os credores”.
Na sequência, a aérea destacou que o pedido não inclui os processos relacionados ao acidente de Vinhedo, que segue sob responsabilidade da seguradora.
Voepass em turbulência: recuperação judicial é a última esperança
Antes de entrar com o pedido de recuperação judicial, a Voepass já havia tentado reestruturar suas finanças e suspender ações de cobrança e apreensão de aeronaves. No entanto, nada adiantou.
- VEJA TAMBÉM: Todos os sábados, as principais tendências de comportamento e consumo em uma newsletter especial do Lifestyle do Seu Dinheiro no seu e-mail; veja como receber
Sem autorização da Anac para voltar a operar, a empresa iniciou demissões, embora não tenha divulgado quantos funcionários foram desligados.
A situação da companhia é delicada e, até que a Justiça aceite o novo plano de recuperação, os céus continuam fechados para a empresa.
DE A PARA B
Entre JBS e J&F: o xadrez financeiro dos irmãos Batista na B3
21 de setembro de 2026 - 19:37PREPAREM O BOLSO
Dividendos e JCP: empresas anunciam mais de R$ 600 milhões aos acionistas; saiba quem paga e quando receber
21 de setembro de 2026 - 19:13SINERGIAS
Fusão com a Afya pode turbinar lucro da Yduqs (YDUQ3) e deixar ação mais barata, segundo Itaú BBA; veja o possível prêmio
21 de setembro de 2026 - 17:41A PENEIRA DOS BANCÕES
Itaú, Bradesco ou Banco do Brasil: BofA escolhe seu favorito na B3 — e deixa uma ação de escanteio
21 de setembro de 2026 - 15:57ALÉM DAS FRONTEIRAS
Petrobras acena com descobertas de gás na Colômbia. Aonde a estatal quer chegar?
21 de setembro de 2026 - 14:04ACESSO AO MERCADO DE CAPITAIS
J&F, dos irmãos Batista, pede registro de companhia aberta na CVM: entenda o plano da gigante para ser mais que uma holding
21 de setembro de 2026 - 11:04MAIS UM PASSO
Braskem (BRKM5) vai deixar a B3? CVM dá sinal verde para OPA. Saiba o que isso significa para os acionistas minoritários da petroquímica
21 de setembro de 2026 - 10:42MARGEM EQUATORIAL
Petrobras (PETR4) e MPF entram em briga pela exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Qual é o impasse?
21 de setembro de 2026 - 10:29ENTREVISTA EXCLUSIVA
Bradesco (BBDC4) está prestes a receber R$ 10 bilhões para crescer, mas não vai acelerar: “Não queremos voo de galinha”, diz CFO
21 de setembro de 2026 - 6:15COMPRA OU VENDER
Vale (VALE3) no olho do furacão? CEO da mineradora abre o jogo; Citi e Itaú BBA dizem o que você deve fazer com a ação
20 de setembro de 2026 - 13:33MERCADO USA A RÉGUA ERRADA?
Citi sobe o preço-alvo de BTG Pactual (BPAC11) e vê espaço para ação se descolar dos bancões
19 de setembro de 2026 - 16:55VAI PINGAR POR AÍ?
Porto (PSSA3), Totvs (TOTS3) e Fleury (FLRY3) colocam R$ 636 milhões em JCP no radar; veja quem tem direito
19 de setembro de 2026 - 15:47QUEM ESCOLHE QUEM FISCALIZA?
Perto do dono, longe da autonomia? O dilema da independência nos conselhos das empresas da bolsa
19 de setembro de 2026 - 12:38POR DENTRO DO NEGÓCIO
Cheque bilionário do Itaú (ITUB4) para a Eztec (EZTC3) deve impactar mercado de escritórios em São Paulo
18 de setembro de 2026 - 18:34PISOU NO FREIO
A maré virou para os bancões? Safra corta preço-alvo de Itaú, Bradesco e Banco do Brasil. Ainda vale apostar em alguma dessas ações?
18 de setembro de 2026 - 16:46LOJA COMPLETA
Assaí (ASAI3) enche o tanque com a compra de postos por R$ 80 milhões; entenda o que isso significa para o investidor
18 de setembro de 2026 - 14:03VOLTA AO PRESENCIAL?
Itaú (ITUB4) quer ocupar mais espaço em SP: banco aluga 100% de empreendimento da Eztec (EZTC3); entenda a estratégia
18 de setembro de 2026 - 10:18POTE DE OURO
O ‘trade’ de Vivara (VIVA3) que poucos perceberam: ouro comprado na baixa agora ajuda a turbinar o caixa
18 de setembro de 2026 - 6:07DISTRIBUIÇÃO DE PROVENTOS
Dividendos e JCP: Lojas Renner (LREN3), TIM (TIMS3), Cemig (CMIG4) e B3 (B3SA3) pagam juntas mais de R$ 2 bilhões aos acionistas
17 de setembro de 2026 - 18:34COMPROMISSO AMBIENTAL