Tanure vai virar o alto escalão do Pão de Açúcar de ponta cabeça? Trustee propõe mudanças no conselho; ações PCAR3 disparam na B3
A gestora quer propor mudanças na administração em busca de uma “maior eficiência e redução de custos” — a começar pela destituição dos atuais conselheiros

A trama envolvendo o empresário Nelson Tanure e o Pão de Açúcar (PCAR3) acaba de ganhar um novo capítulo — agora, com o potencial de virar de cabeça para baixo o alto escalão do GPA.
A varejista afirmou que convocará uma assembleia geral extraordinária (AGE) após um dos acionistas minoritários, o Saint German FIM, fundo da Trustee DTVM controlado por Tanure, solicitar a reunião.
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De acordo com o comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a gestora quer propor mudanças no conselho de administração da gigante do varejo alimentar em busca de uma “maior eficiência e redução de custos”.
“Esperamos contribuir com o Grupo Pão de Açúcar da mesma forma que temos feito em outras companhias. A acolhida por parte dos demais acionistas foi das mais encorajadoras desde o primeiro momento e não temos dúvida de que há muito a realizar e a conquistar nos próximos anos”, disse Tanure, em nota enviada ao Seu Dinheiro.
Vale lembrar que Tanure é conhecido por desempenhar uma gestão ativa nas companhias nas quais é acionista.
Em seu rol de participações, figuram desde casos de sucesso empresarial como o turnaround na Prio (PRIO3), como também questões mais controversas, como a disputa societária na Gafisa (GFSA3) e uma suposta posição relevante na Ambipar (AMBP3).
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O fundo da Trustee atualmente detém mais de 3% do capital social do Pão de Açúcar. De acordo com a Exame, se considerada a posição em derivativos e a participação de 5,7% em ações, a Trustee possui em torno de 10% da empresa.
As ações do Pão de Açúcar operam em forte alta no pregão desta segunda-feira (31). Os papéis fecharam o dia com alta de 13,6%, liderando a ponta positiva do Ibovespa, a R$ 3,09. No acumulado do ano, a valorização chega a 19%.
As propostas do fundo ligado a Tanure para o Pão de Açúcar (PCAR3)
Uma das propostas da Trustee é a destituição integral do atual corpo administrativo do Pão de Açúcar (PCAR3) para a eleição de novos membros.
A gestora também quer discutir a reestruturação do colegiado, fixando em nove cadeiras o número de conselheiros — a mesma quantidade atualmente em vigor — para um novo mandato unificado de dois anos.
Hoje, o estatuto do Pão de Açúcar determina que o conselho seja composto por no mínimo três conselheiros e possa atingir, no máximo, 12 membros.
Para a eleição do conselho de administração, o fundo da Trustee também propõe que seja realizada pelo sistema de chapas. A proposta da gestora é a seguinte:
- Ronaldo Iabrudi dos Santos Pereira (Presidente)
- Cristophe José Hidalgo (Vice-Presidente)
- Marcelo Pimentel
- Helene Esther Bitton (membro independente)
- Rodrigo Tostes Solon de Pontes (membro independente)
- Pedro de Moraes Borba (membro independente)
- Líbano Miranda Barroso (membro independente)
- Eliana Ambrósio Chimenti (membro independente)
- Sebastián Dario Los (membro independente)
Nos termos da proposta, o novo conselho terá dois representantes indicados por Nelson Tanure: Pedro de Moraes Borba e Rodrigo Tostes Solon de Pontes.
Assim, apenas três membros seriam mantidos no conselho da varejista. Um deles é o atual CEO do GPA, Marcelo Pimentel.
Os outros dois são acionistas de referência do Pão de Açúcar. A proposta prevê que Ronaldo Iabrudi seria indicado ao cargo de presidente do conselho (chairman). Enquanto isso, Cristophe Hidalgo ocuparia a posição de vice-presidente do colegiado.
"Nelson Tanure acredita que a maximização do valor e do retorno aos acionistas deve ser o objetivo central. E vislumbra imenso potencial nesta direção", disse a assessoria, em nota.
O Pão de Açúcar confirmou que convocará a AGE “dentro do prazo legal”.
Por trás da proposta
De acordo com a carta enviada à administração do GPA, o fundo da Trustee não pretende “alterar substancialmente o direcionamento geral dos negócios sociais”.
Porém, o Saint German avalia que o foco da varejista deveria ser a geração de valor e retorno aos acionistas e hoje “há um considerável potencial para essa maximização”, especialmente por meio de práticas focadas na eficiência e redução de custos.
Tanure afirma que a nova estratégia deve operar em três níveis:
- Redução do nível de endividamento;
- Avaliação de riscos, com redução de potenciais contingências legais, fiscais e trabalhistas;
- Redução de custos e despesas e garantir a qualidade do atendimento e serviços aos clientes.
Segundo o fundo controlado pelo empresário, a sustentabilidade financeira da varejista “depende diretamente da sua capacidade de gerenciar e reduzir suas obrigações financeiras”.
É por isso que a redução significativa no nível geral de endividamento atual do Pão de Açúcar deveria ser um “objetivo prioritário da administração”, para não comprometer a liquidez e a capacidade do GPA de investir em oportunidades de crescimento, segundo a Trustee.
No fim do quarto trimestre, o Pão de Açúcar apresentava uma dívida líquida de R$ 1,3 bilhão, com uma alavancagem de 1,6 vez.
Uma das estratégias propostas pela gestora ligada a Nelson Tanure para reduzir ainda mais esse patamar é a venda de ativos “não essenciais”, além da reavaliação e priorização dos investimentos e otimização do capital de giro.
“O foco em um balanço sólido permitirá que a companhia tenha mais flexibilidade em suas operações e uma maior capacidade de crescimento”, avaliou a gestora.
*Com informações do Pipeline e da Exame Insight.
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