Raízen (RAIZ4) vira penny stock e recebe ultimato da B3. Vem grupamento de ações pela frente?
Com RAIZ4 cotada a centavos, a B3 exige plano para subir o preço mínimo. Veja o prazo que a bolsa estipulou para a regularização

Depois de meses sendo negociada na casa dos centavos, a Raízen (RAIZ4) recebeu um ultimato formal da B3: é hora de tirar a ação debaixo de R$ 1.
Isso porque, no mercado de ações, as penny stocks são um incômodo recorrente. O preço muito baixo dos papéis costuma vir acompanhado de uma combinação indigesta para os investidores: volatilidade exagerada, baixa liquidez e um ambiente fértil para operações especulativas.
Em termos resumidos, papéis com valor muito baixo costumam apresentar:
- Alta volatilidade, com variações bruscas durante o pregão; e
- Baixa liquidez, dificultando entrada e saída do investidor.
Esses fatores afetam a dinâmica de negociação, elevam o risco para investidores e dificultam a precificação dos ativos na bolsa.
Por isso, a B3 estabelece mecanismos de proteção contra penny stocks. Quando uma ação flerta com a casa dos centavos por tempo demais, a bolsa intervém para forçar uma solução. E é exatamente o caso da Raízen.
Raízen (RAIZ4) precisa deixar de ser penny stock
Pelas normas da B3, nenhum papel pode ficar mais de 30 pregões seguidos abaixo de R$ 1. Se isso acontecer, a companhia é notificada e precisa apresentar um plano para reenquadrar a cotação mínima.
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No caso da Raízen, essa linha foi cruzada há algum tempo: os papéis RAIZ4 estacionaram abaixo do patamar desde 6 de outubro de 2025. Hoje, a ação é cotada a R$ 0,86, com uma queda acumulada de 60% no ano.
Desde a abertura de capital, em 2021, a companhia já perdeu aproximadamente 90% do seu valor de mercado na bolsa — um contraste dramático para quem estreou no mercado com a promessa de disputar o protagonismo global no mercado de etanol.
Vale destacar que a empresa enfrenta trimestres consecutivos de desafios financeiros: alavancagem elevada, dificuldade na geração de caixa e lucro comprimido.
Esse quadro levou a sucessivos rebaixamentos de recomendação por casas de análise, além de cortes nas notas de crédito pelas agências de classificação de risco.
Tic-tac, tic-tac
Segundo comunicado enviado ao mercado, a B3 cobrou a Raízen que “divulgue os procedimentos e o cronograma das medidas que serão adotadas para o reenquadramento da cotação ao valor mínimo exigido”.
A dona da bolsa também deu um prazo: a regularização deverá acontecer até 29 de maio de 2026.
Em resposta, a Raízen afirmou que está “avaliando alternativas e adotará as medidas necessárias”, levando em consideração a execução do seu plano estratégico — mas sem antecipar qual será a estratégia adotada.
A solução mais comum nesses casos é o grupamento de ações: a empresa reúne blocos de papéis em uma única ação, elevando o preço nominal em tela sem mexer no capital social.
Na prática, o número de ações em circulação diminui e o preço sobe, embora a operação não mude fundamentos financeiros ou resolva os desequilíbrios estruturais das empresas.
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