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Otávio Preto

Otávio Preto

Formado em Jornalismo pela PUC-SP, atua como repórter no Money Times e no Seu Dinheiro, onde também já trabalhou como analista de mídias sociais, com experiência em produção de conteúdo para diferentes plataformas digitais. Antes disso, foi repórter no site Monitor do Mercado.

NOSTALGIA

Que fim levou o Kichute, a mistura de tênis e chuteira que marcou época nos pés dos brasileiros?

Símbolo da infância de gerações, o tênis da Alpargatas chegou a vender milhões de pares nos anos 1970, mas acabou perdendo espaço com a chegada das marcas internacionais

Otávio Preto
Otávio Preto
24 de agosto de 2025
9:00 - atualizado às 17:06
Tênis Kichute - reprodução
Kichute - reprodução -

Tinha quem amarrasse os longos cadarços no calcanhar. Outros preferiam passar o cordão por baixo do solado. Independentemente de qual ‘time’ você fazia parte, não tem como negar: o Kichute marcou época.

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Popular entre meninos e meninas que gostavam de futebol (ou não) nas décadas de 1970 e 1980, o misto de tênis e chuteira foi um dos grandes sucessos no mercado de calçados brasileiro. Com o tempo, porém, acabou desaparecendo das prateleiras.

Lançado em 15 de julho de 1970 pela Alpargatas, o Kichute surgiu em um momento de euforia com o maior esporte nacional: a seleção brasileira de futebol havia acabado de conquistar o tricampeonato na Copa do Mundo de 70, no México.

Propaganda do tênis Kichute com a participação de Zico nos anos 80.

VEJA TAMBÉM: Receba os episódios do Touros e Ursos, podcast do Seu Dinheiro, em primeira mão para saber quais são as principais recomendações dos “gigantes” do mercado

O tênis dividia as atenções com modelos como o Bamba, que voltou recentemente ao varejo, e o Conga. Estava longe de ser dos mais bonitos — era simples, robusto, feito de lona resistente e com solado de borracha com cravos — e ainda era acusado de causar chulé.

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Apesar disso, o sucesso foi inegável. Em 1978, ano da Copa do Mundo da Argentina, o Kichute viveu seu auge: foram vendidos mais de 9 milhões de pares, o que correspondia a 10% da população brasileira da época.

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O sucesso do tênis era reforçado pela forte publicidade. Se marcas como Adidas e Nike hoje recorrem a Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, a Kichute teve o craque Zico como principal garoto-propaganda.

A diferença é que, até onde consta, Zico nunca a usou profissionalmente.

Mas os anos de ouro do Kichute acabaram.

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A abertura econômica e a invasão das marcas internacionais colocaram o Kichute na marca do pênalti.

O calçado perdeu espaço no mercado e nos pés dos consumidores a partir do início dos anos 1990.

Em 1996, a Alpargatas parou de produzir o Kichute para focar em outras marcas, como Havaianas e Topper.

Simultaneamente, chuteiras mais vistosas e coloridas começavam a despontar no mercado, hoje dominado por marcas estrangeiras como Nike e Adidas.

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A volta (ou quase) do Kichute

Em 2005, depois de adquirir os direitos da marca junto a Alpargatas, a Vulcabras tentou relançar o calçado. A ideia era apostar na nostalgia do público, mas não deu muito certo.

O Kichute enfrentou a forte concorrência de outras marcas que ofereciam mais variedade, qualidade e tecnologia.

Mais recentemente, em 2022, o Grupo Alexandria anunciou a intenção de relançar o Kichute e comercializá-lo exclusivamente pela internet, sem pontos físicos.

Até o momento, entretanto, isso não ocorreu. O Seu Dinheiro procurou a empresa em busca de informações sobre os planos, mas não obteve resposta até o momento.

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De opção em conta a artigo vintage 

Engana-se quem acha que, após as tentativas frustradas de relançamento do Kichute, não é mais possível comprá-lo.

O tênis, que no passado se popularizou pelo valor acessível, hoje é encontrado em sites de e-commerce como artigo vintage. Os valores partem de R$ 228 e podem alcançar R$ 381.

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