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Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

AFOGADOS SEM LANTERNA

Quando bilhões viram pó: as ex-gigantes que hoje negociam abaixo de R$ 1 na bolsa. Como elas viraram penny stock?

Oi, Azul, PDG Realty e outras empresas carregam hoje o título desonroso de Penny Stock, mas outrora foram enormes. Veja a lista completa e entenda o que aconteceu

Bia Azevedo
Bia Azevedo
25 de agosto de 2025
17:18 - atualizado às 10:56
Gráfico de queda vermelho diante de um farol de mar turbulento
Imagem: Montagem Seu Dinheiro

Se não há males que durem para sempre, o mesmo serve para a bonança — e essa realidade pode ser especialmente cruel na bolsa de valores. É o caso de algumas empresas que um dia chegaram a valer bilhões e hoje veem seus papéis negociados por alguns centavos. Essas ações, que valem menos de R$ 1, são as chamadas penny stock.

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Talvez um dos casos mais emblemáticos que se encaixam nessa descrição é a Oi (OIBR3), que no seu auge chegou a valer R$ 16,7 bilhões e, nesta segunda-feira (25), vê suas ações negociadas a R$ 0,59 — mesmo depois, vale ressaltar, de alguns grupamentos e ultimatos da B3 sobre o preço dos papéis. O valor de mercado atual é de cerca de R$ 200 milhões. 

Isso significa que o tamanho dela hoje é o equivalente a cerca de 1% do que outrora já foi. Quase 84 vezes menor.

A PDG Realty (PDGR3) também faz parte da lista das que um dia foram gigantes, mas hoje poucos centavos são o suficiente para comprar os papéis. No seu pico, a incorporadora chegou a ser avaliada em mais de R$ 11 bilhões, e hoje suas ações negociam a R$ 0,20 — com valor de mercado de R$ 328 milhões, segundo dados do TradeMap.

Para você ter uma noção, o valor da empresa encolheu 33,5 vezes. Ou seja, ela diminuiu para aproximadamente 3% do seu tamanho original.

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Em seus dias de glória, a Infracommerce (IFCM3), que faz operação de e-commerce para grandes empresas, já superou os R$ 5 bilhões, de acordo com dados do TradeMap, mas agora está avaliada em menos de R$ 40 milhões, com papéis a R$ 0,44.

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A Sequoia (SEQL3) é outra. A companhia de logística já chegou a valer quase R$ 4 bilhões, mas hoje não passa dos R$ 50 milhões, com papéis a R$ 0,97 nesta segunda-feira (25).

A Viveo (VVEO3) e a Multilaser (MLAS3) também fazem parte da lista. Negociadas abaixo de R$ 1 na B3 nesta segunda-feira (25), as duas já foram avaliadas em R$ 6,4 bilhões e R$ R$ 9 bilhões, respectivamente, segundo dados do TradeMap.

Mais recentemente, a Azul (AZUL4) também entrou nesse elenco. Em seu ponto de cruzeiro, a aérea chegou a valer mais de R$ 27 bilhões, mas hoje não chega a 2% disso, a cerca de R$ 530 milhões. É como se o avião fizesse um pouso de emergência.

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O que aconteceu para essas ações virarem penny stock? 

Começando pelos cumprimentos iniciais, Oi. Com dívidas de R$ 65 bilhões, a companhia entrou com o maior pedido de recuperação judicial do país em 2016. Esse problema começou a escalonar em 2013, com a fusão com a Portugal Telecom, que tinha a intenção de criar uma gigante internacional.

No entanto, virou um pesadelo. Logo depois da operação, a Oi descobriu que a Portugal Telecom havia feito um investimento bilionário em títulos de dívida de uma holding do Grupo Espírito Santo, que acabou falindo.

A Oi foi forçada a absorver esse prejuízo, um golpe do qual ela nunca se recuperou. A companhia chegou a sair da primeira RJ em dezembro de 2022, com uma dívida reduzida para cerca de R$ 22 bilhões. 

No entanto, a empresa enfrentou novos desafios financeiros e, poucos meses depois, em março de 2023, entrou com um segundo pedido de recuperação judicial. A dívida declarada foi de mais de R$ 43 bilhões.

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PDG Realty

Na década de 2000, a PDG Realty alcançou o posto de maior incorporadora do Brasil, superando concorrentes tradicionais. Seu crescimento foi rápido, marcado pela compra de várias construtoras e pelo lançamento de inúmeros projetos. No entanto, para sustentar essa estratégia de expansão, a empresa acabou recorrendo a um endividamento bilionário.

A crise econômica que atingiu o Brasil no governo Dilma foi muito dura para a PDG. Com a alta do desemprego e a redução do crédito, o mercado imobiliário esfriou. Isso gerou grande volume de distratos, rescisões de contratos de compra de imóveis na planta.

Com as obras paradas, a companhia perdeu a sua principal fonte de receita (o dinheiro pago pelos clientes ao longo da construção), agravando ainda mais o seu endividamento. Em 2017, a empresa entrou com o seu primeiro pedido de recuperação judicial, com uma dívida de cerca de R$ 7,7 bilhões.

Azul

A crise da Azul pode ser explicada pela dura realidade do setor aéreo: despesas em dólar e receitas em real. Enquanto a companhia recebe o dinheiro das passagens na nossa moeda, querosene de aviação, leasing e outros contratos são feitos na divisa norte-americana. 

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Ou seja, qualquer susto no mercado que faça a moeda americana disparar, a conta não fecha. Com a moeda americana em patamar elevado, as despesas dispararam e pressionaram o caixa. Assim, a companhia acumulou passivos bilionários que a levaram a buscar o Chapter 11 (lei de recuperação judicial nos EUA), em maio deste ano.

Você pode entender melhor nesta matéria do Seu Dinheiro

Infracommerce, Sequoia, Viveo e Multilaser

O grupo fez parte das empresas no pacotão de tecnologia que conseguiram embarcar na janela de IPOs aberta em meados de 2021, quando a taxa de juros estava em um patamar historicamente irrisório para o Brasil, a 2% ao ano.

Nessa toada, um grupo bem heterogêneo de companhias acabou embarcando no oba-oba do “dinheiro grátis”: empresas de e-commerce, tecnologia da informação, telecomunicações, sistemas de processamento de dados e muitas outras. Em linhas gerais, todas compartilhavam a mesma tese de investimento: a perspectiva de forte crescimento nos próximos anos.

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Pegando carona no apelo das 'big techs' americanas (como Amazon, Facebook, Google e Microsoft), essas estreantes foram bem recebidas pelos investidores, subiram no pós-IPO e passaram a investir pesado no crescimento, acumulando dívidas. 

Mas logo o cenário macro virou, com a Selic saltando para 9% ao fim daquele ano, afundando o valor de mercado dessas companhias. Trazidos a valor presente por esta taxa de juros maior, seus retornos projetados para futuro minguaram.

Assim, as empresas perderam a boa vontade dos investidores e acumularam dívidas graças à taxa básica galopante. Elas tiveram que mudar a estratégia, deixando o crescimento de lado para focar em rentabilidade e sustentabilidade do negócio.

Saiba mais detalhes nesta matéria do Seu Dinheiro.

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Um pouquinho acima de R$ 1

Além das empresas citadas, existe um outro grupo de companhias que estão a alguns centavos de atender aos critérios desta lista. Outrora bilionárias, hoje elas sofrem na bolsa.

A Espaçolaser (ESPA3), por exemplo, parece ter sido exterminada a… laser, sempre no limiar para ser considerada uma penny. O caso da companhia se enquadra na mesma categoria de Infracommerce, Sequoia, Viveo e Multilaser — fora que a competição para os serviços oferecidos de depilação a laser que a empresa oferece aumentou muito.

Nesta segunda-feira (25), por exemplo, os papéis são negociados a exatamente R$ 1,13. A empresa está valendo R$ 990 milhões na bolsa, uma sombra dos mais de R$ 5 bilhões que a rede já conseguiu atingir, de acordo com informações do TradeMap.

Outra ação da qual o mercado enjoou foi a Enjoei (ENJU3), que também fica a um dedinho de se tornar penny. Ela, que já bateu os R$ 2,49 bilhões hoje vale cerca de R$ 205 milhões, com ações a precisamente R$ 1, nesta segunda-feira (25). 

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Além delas, se encaixam na descrição de ex-bilionárias: Marisa (AMAR3) e Toky (TOKY3), antiga Mobly.

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