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O aumento de capital irá injetar até R$ 2 bilhões na companhia, pelo preço de R$ 3 por ação. Veja o que esperar da empresa
Em meio a uma série de controvérsias, a Oncoclínicas (ONCO3) conseguiu a aprovação dos acionistas em assembleia realizada nesta quarta-feira (8) para um novo aumento de capital bilionário — a terceira injeção de dinheiro na rede de tratamentos oncológicos desde 2023.
Depois de uma trajetória de expansão arrojada — e com erros estratégicos no meio do percurso —, a companhia precisou recalcular a rota do negócio para lidar com dificuldades financeiras.
O aumento de capital irá injetar até R$ 2 bilhões na companhia, com a emissão de até 666.666.667 novas ações, pelo preço de R$ 3 por ação. A empresa estabeleceu um aumento de capital mínimo de R$ 1 bilhão para levar a operação adiante.
A transação aprovada em assembleia impõe uma forte diluição aos acionistas que não colocarem dinheiro novo na companhia, que pode chegar a até 66,8%.
Os papéis da Oncoclínicas (ONCO3) operam em forte queda nesta quinta-feira (9), depois de encerrarem o último pregão com baixa de quase 12%. Por volta das 10h50, ONCO3 tombavam 18,21% e lideravam as perdas na B3, cotados a R$ 2,65.
A proposta da Oncoclínicas prevê a atribuição de bônus de subscrição como vantagem adicional aos compradores, na proporção de um bônus de subscrição para cada uma nova ação adquirida.
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Segundo o Money Times, o tamanho mínimo de R$ 1 bilhão estipulado para o aumento de capital seria o suficiente para equilibrar o endividamento da Oncoclínicas ao tamanho dela. Já R$ 2 bilhões colocaria a empresa em uma posição confortável.
O mercado, no entanto, está com o pé atrás com a companhia, que já realizou uma capitalização com o Banco Master em 2024.
Recentemente, a Oncoclínicas foi alvo de uma tentativa de reestruturação pela Starboard, que chegou a criar especulações sobre a continuidade do fundador da companhia, Bruno Ferrari, no cargo de CEO.
No anúncio da proposta para o aumento de capital, em meados de setembro, especialistas consultados pelo Seu Dinheiro chamaram atenção para o preço proposto de R$ 3, com a preocupação de se seria o justo para não haver uma diluição injustificada dos minoritários. O valor é um dos patamares mais baixos dos papéis ONCO3 na bolsa em 2025 e desde a abertura de capital, em 2021.
Do lado da justificativa para uma diluição, o aumento de capital foi citado como uma necessidade apontada como “latente”, dado o valor de R$ 3,9 bilhões em dívida líquida, alavancagem na casa de 4 vezes o Ebitda dos últimos 12 meses, com um covenant com medição anual de 3,5 vezes.
O covenant é um instrumento utilizado pelo mercado financeiro que cria condições específicas para que um empréstimo continuem em vigor nos termos acordados. Quando estourado, o credor tem o direito de executar a dívida.
Nascida há 15 anos em Belo Horizonte (MG), a empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio. No entanto, após o IPO em 2021, a Oncoclínicas expandiu o foco de clínicas que realizavam o diagnóstico e tratamentos como radioterapia e quimioterapia para uma parte de alta complexidade do tratamento oncológico.
Para fomentar a continuidade de expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica.
Como resultado, a companhia, que chegou a adquirir três hospitais gerais e trabalhava na construção de três outros, vem lidando com piora nos resultados, alta alavancagem e elevado consumo de caixa.
Entre as medidas para pôr a casa em ordem, dois hospitais já foram vendidos e uma construção foi cancelada. Além disso, desistiu dos planos de uma joint venture para atuar na Arábia Saudita.
Segundo fontes próximas da empresa, nas próximas semanas a Oncoclínicas deve anunciar a venda do terceiro hospital — para o qual já existem conversas avançadas — e suspensão da construção dos outros dois.
A bússola da Oncoclínicas norteia agora o retorno para o core, mas o mercado ainda desconfia da efetividade das medidas para solucionar o problema.
Em relatório de 2 outubro, o JP Morgan avaliou o plano de venda de ativos como uma medida de curto prazo e não aborda questões estruturais relacionadas com a governança nem altera o posicionamento competitivo da empresa no mercado.
Os analistas do banco norte-americano têm recomendação “underweight” (equivalente a venda) para as ações da Oncoclínicas.
O resultado da empresa também vinha sofrendo com a Unimed-Rio, que na época do IPO era fonte de 20% da receita e passou a atrasar pagamentos em decorrência de sua própria situação financeira. Com isso, fechar a conta se tornou um desafio para a Oncoclínicas.
As dívidas da Unimed com a Oncoclínicas, de acordo com fontes, chegaram a R$ 800 milhões. Desde agosto deste ano a empresa já não a atende.
Esta será a terceira capitalização da Oncoclínicas desde junho de 2023, após polêmicas que acenderam o radar do mercado.
No ano passado, o aumento de capital da companhia teve o polêmico Banco Master como âncora e foi realizado a R$ 13 por ação, para uma ação que valia cerca de R$ 7 na época. Atualmente o Master detém 15,18% as ações ordinárias da Oncoclínicas.
Vale pontuar que, com o novo aumento de capital, a participação do Banco Master deve ser diluída, já que a instituição enfrenta problemas financeiros e não tem como colocar dinheiro novo no negócio.
Par além do quadro societário, a relação da Oncoclínicas com o Banco Master é um ponto de controvérsia no mercado. Ao Seu Dinheiro, um gestor afirmou que, se uma parte relevante do caixa da empresa estiver aplicada em ativos de maior risco, como os CDBs do banco, como receiam alguns especialistas, o acesso ao dinheiro no momento não parece factível.
Segundo outro especialista em ações, se esse for o caso, “será uma política de tesouraria e de governança deplorável”.
Para Enrico Gazola, economista pelo Insper e sócio-fundador da Nero Consultoria, se uma companhia listada na B3 tiver a maior parte do caixa aplicada em CDBs do Banco Master, o impacto real sobre as finanças dependerá do desfecho da situação do banco. No cenário mais extremo, o efeito seria “destrutivo” para essa empresa, segundo o especialista.
No segundo aumento de capital, R$ 1 bilhão veio pelo Banco Master diretamente, e outros R$ 500 milhões pelo CEO Bruno Ferrari. Por conta disso, a empresa abriu uma conta bancária no Master para acessar o dinheiro, tendo acordado um cronograma de saques desse montante, de acordo com o Money Times.
O cronograma termina no final desse ano e, até o momento, segundo o site, vem sendo honrado. A Oncoclínicas mantém proximidade e acompanha de perto o cronograma no banco e a maior parte do valor já foi sacado, mesmo que com eventuais pequenos atrasos.
Em meados de setembro, a Oncoclínicas rejeitou uma proposta de reestruturação financeira feita pela Starboard Asset, sob avaliação de que os termos propostos não atendem aos melhores interesses dos acionistas.
Na proposta, até o fundador e atual CEO da companhia entrou na berlinda. Entre as condicionantes da proposta estava a saída de Bruno Ferrari.
Com a negativa, Ferrari segue na condução da empresa, mas uma mudança não está descartada.
O executivo ocupou a cadeira de presidente do conselho até 2021 e assumiu o comando da empresa no contexto do pós-aumento de capital, quando o objetivo era acelerar aquisições e integrações. Contudo, agora é um momento diferente.
Segundo o Money Times, tendo em vista o momento de segurar o passo e crescer menos, com foco nos processos, o retorno de Ferrari ao conselho deve ocorrer, com a entrada de um sucessor para tocar a nova rota da companhia. No entanto, o movimento não deve vir no curtíssimo prazo, podendo levar mais de um ano para a sucessão.
*Com informações do Money Times
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