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Com a subscrição de R$ 1 bilhão alcançada no aumento de capital, a Oncoclínicas tenta reverter sua situação financeira; entenda o que vem pela frente
Sob forte pressão financeira, a Oncoclínicas (ONCO3) conseguiu uma vitória importante. A empresa, dedicada ao tratamento oncológico com mais de 140 unidades no Brasil, anunciou nesta quarta-feira (12) que alcançou a demanda mínima de R$ 1 bilhão necessária para seguir adiante com o aumento de capital bilionário — um passo essencial para reequilibrar as contas.
A notícia trouxe um alívio imediato às ações. Os papéis ONCO3 operam em forte alta, impulsionados pelo otimismo de que a injeção de recursos possa dar fôlego novo à reestruturação da rede de tratamentos oncológicos.
Por volta das 14h30, as ações subiam 7,37%, cotadas a R$ 2,04 na bolsa brasileira. Apesar da performance robusta hoje, os ativos da companhia ainda amargam uma desvalorização de 52% em 12 meses e de quase 90% desde a estreia na bolsa, em 2021.
O aumento de capital, proposto em setembro, prevê a emissão de até 666,6 milhões de novas ações a R$ 3 por papel, com potencial de levantar até R$ 2 bilhões para a Oncoclínicas.
Mas a empresa havia definido um piso para levar a operação adiante: R$ 1 bilhão.
O valor foi alcançado antes mesmo do fim do período de sobras — etapa em que investidores podem adquirir as ações não compradas na primeira rodada da oferta —, que termina nesta sexta-feira (14).
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Segundo a Oncoclínicas, o montante final ainda pode aumentar até o teto de R$ 2 bilhões até o fim do prazo.
Uma fonte revelou ao Seu Dinheiro que o valor final de captação deve ficar próximo de R$ 1,3 bilhão a R$ 1,5 bilhão, impulsionada pelas conversões de dívidas de credores e debenturistas em ações na operação.
Vale lembrar que esta é a terceira injeção de liquidez na rede de tratamentos oncológicos desde 2023.
O novo aporte acontece em meio à tentativa da Oncoclínicas de se reencontrar com sua essência. Após uma trajetória de crescimento arrojado — e marcada por alguns erros estratégicos como a entrada no segmento de hospitais e a joint venture na Arábia Saudita —, a companhia precisou revisar a rota para enfrentar o endividamento elevado e o consumo intenso de caixa.
“A Oncoclínicas consumiu muito caixa. É uma companhia muito alavancada. Mas, quando tira os ativos hospitalares e a Unimed FERJ da conta, é um negócio que para de pé, que funciona e que gera caixa”, disse uma fonte próxima à companhia.
No entanto, a geração de caixa não é o suficiente para pagar os juros do endividamento que ela tem hoje. Então, para retomar a rota da companhia, é necessário injetar capital, afirmou a fonte.
A transação, no entanto, não vem sem custo: os acionistas que não participarem da oferta podem ver sua fatia reduzida em até 66,8%, segundo cálculos de mercado. Os números finais da diluição, porém, só serão divulgados após o encerramento da operação.
Para atrair investidores, a empresa também incluiu um incentivo adicional: bônus de subscrição — um direito que permite a compra de novas ações no futuro — na proporção de um bônus para cada ação adquirida.
Fontes ouvidas pelo Seu Dinheiro afirmam que o R$ 1 bilhão que já foi arrecadado resolve “parcialmente” o problema da empresa, equilibrando o nível de endividamento ao porte atual da empresa.
No melhor cenário, com a captação chegando a R$ 2 bilhões, o cenário de endividamento da Oncoclínicas seria “significativamente resolvido”.
Isso porque, no último balanço da companhia, o endividamento da Oncoclínicas era de R$ 3,9 bilhões. Com a transação bem-sucedida e no melhor cenário, a dívida líquida cairia para R$ 1,9 bilhão, um alívio considerável.
E, se os bônus de subscrição forem totalmente exercidos, a companhia poderia até zerar sua dívida, segundo pessoas com conhecimento da operação.
Afinal, caso o componente de bônus seja integralmente exercido ao longo de dois anos, a Oncoclínicas poderia alcançar uma injeção de até R$ 4 bilhões no caixa — um movimento que resolveria, de fato, os problemas financeiros da companhia.
Porém, fontes afirmam que a captação final deve ficar próxima de R$ 1,3 bilhão — o que, considerando os bônus de subscrição, ainda deixaria um endividamento líquido da ordem de R$ 1,3 bilhão na Oncoclínicas.
Esse valor seria suficiente para a companhia encerrar 2025 com uma alavancagem próxima a 2,9%, inferior aos covenants das dívidas do final do ano, de 3,5 vezes. Contudo, há a ressalva de que a medição acontece somente em 31 de dezembro, e a performance do segundo semestre ainda precisa estar aderente às expectativas do mercado.
"Com o aumento de capital, a Oncoclínicas terá uma redução inorgânica da dívida acontecendo nos próximos dois anos, mas também terá uma diminuição orgânica de endividamento", afirmou uma pessoa próxima à operação.
Segundo ela, à medida que a empresa reduzir a dívida depois do aumento de capital, ela também passará a pagar menos juros.
"O simples fato de rodar com o core business, que gera caixa, pagando menos juros, e com menos capex [investimentos], a empresa vai gerar o caixa suficiente para reduzir organicamente a dívida. O plano é reduzir a dívida para zero, especialmente em momentos de alta de juros."
O aumento de capital não só ajuda a situação financeira da empresa, mas também reduz o risco no quadro societário da Oncoclínicas.
O Banco Master, um dos principais (e mais controversos) sócios da Oncoclínicas, deverá ver sua participação diluída com a operação.
O banco enfrenta sérias dificuldades financeiras e, como resultado, não participará da capitalização.
No aumento de capital de 2023, o Banco Master atuou como investidor âncora, adquirindo ações a R$ 13 — quase o dobro do preço de mercado na época.
Atualmente, o banco detém cerca de 15,2% das ações da Oncoclínicas, mas essa participação deverá cair para algo em torno de 5%, uma vez que a diluição dos atuais acionistas será significativa.
“O Banco Master já sinalizou que não fará parte do aumento de capital. Então, essa é uma boa notícia para muitos investidores e para o mercado como um todo. Porque um investidor que tem hoje 16% da companhia e que não é bem visto pela maioria dos investidores vai ser relevantemente diluído”, afirmou uma pessoa próxima às negociações.
Nos últimos meses, o vínculo entre o Banco Master e a Oncoclínicas gerou controvérsias no mercado.
Em outubro, a empresa confirmou oficialmente o que muitos já temiam: parte relevante do caixa da Oncoclínicas estava aplicada em CDBs do Banco Master, no valor de R$ 478 milhões — risco esse que já havia sido alertado pelo Seu Dinheiro nesta reportagem especial.
O temor era de que a companhia não conseguisse mais acesso ao dinheiro, dado o momento difícil no Master.
No entanto, a Oncoclínicas anunciou que conseguiu estabelecer um cronograma de resgate desses valores. Esse acordo visa a dar previsibilidade a um relacionamento que gerou desconfiança no mercado.
Apesar de o cronograma estar sendo cumprido até o momento, o prazo do acordo é extenso. Mas, mesmo que o montante eventualmente não seja recuperado, a companhia não teria problemas de liquidez, disse um executivo ao Seu Dinheiro.
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O balanço da companhia foi aprovado sem ressalvas pela auditoria da KPMG; no entanto, houve o registro de uma “incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional da companhia”.
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