Azul (AZUL54) chega a cair mais de 40% e Embraer (EMBJ3) entra na rota de impacto; entenda a crise nos ares
Azul reduz encomenda de aeronaves com a Embraer, enquanto ações despencam com a diluição acionária prevista no plano de recuperação

As ações da Azul (AZUL54) perderam altitude no pregão desta sexta-feira (26) — e não foi por turbulência nos céus, mas sim pelo forte processo de reestruturação que a companhia enfrenta.
Na última terça-feira (23), a companhia aérea anunciou um acordo com a Embraer para repactuar a encomenda firme de aeronaves E195-E2, originalmente contratada entre 2014 e 2018. Pelo novo instrumento, o pedido foi reduzido de 51 para 25 unidades — um corte significativo que espelha os ajustes necessários diante da crise.
Essa renegociação acontece dentro do plano de recuperação judicial da Azul nos Estados Unidos (Chapter 11), que busca reorganizar dívidas e dar fôlego à empresa.
Por volta de 16h (horário de Brasília), as ações agora negociadas como AZUL54 caíam 23,53%, a R$ 2.600,00. Mais cedo, as ações chegaram a recuar mais de 40%. Os papéis da Embraer, por sua vez, recuavam 0,61%, cotados a R$ 89,50.
Conversão de dívidas em ações
Como parte da reestruturação, a Azul converterá senior notes emitidas no exterior em participação acionária. Para viabilizar a troca da dívida, a companhia lançará um volume monumental de papéis:
- Ações ordinárias: 723.861.340.715 ao preço de R$ 0,00013527 cada
- Ações preferenciais: 723.861.340.715 ao preço de R$ 0,01014509 cada
A mudança também alterou o código de negociação: o tradicional ticker AZUL4 deu lugar ao AZUL54, que corresponde a um lote padrão de 10 mil ações. Assim, ao dividir o preço de tela — acima de R$ 2.000 — pelo lote, o valor unitário da ação cai para a casa dos centavos, cerca de R$ 0,20.
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O Bradesco BBI alerta: o preço definido para conversão deve gerar uma diluição expressiva do patrimônio dos acionistas atuais.
O plano de recuperação da Azul
Em dezembro, a Justiça dos EUA aprovou o plano de recuperação judicial da Azul, que prevê a conversão de grande parte da dívida em ações e abre espaço para captação de recursos com novos papéis.
Poucos dias depois, o conselho de administração convocou uma assembleia geral extraordinária e uma assembleia especial para 12 de janeiro de 2026. O objetivo: deliberar sobre o fim das ações preferenciais e transformar todo o capital da companhia em ações ordinárias.
A proposta estabelece que cada ação preferencial (AZUL4) seja convertida em 75 ações ordinárias (AZUL3). Segundo a administração, essa proporção reflete a relação econômica entre os dois tipos de papéis.
Vale lembrar: ações preferenciais garantem prioridade no recebimento de dividendos, enquanto as ordinárias asseguram direito a voto em assembleias. A Azul busca, com essa mudança, simplificar sua estrutura e ter o capital totalmente composto por ações ordinárias.
Para que a proposta avance, será necessária a aprovação de dois grupos: os detentores de ações preferenciais e os acionistas ordinários, ambos reunidos nas assembleias do mesmo dia.
Embraer também sente os efeitos
As ações da Embraer (EMBJ3) também recuam nesta sexta-feira (26), após a renegociação da encomenda com a Azul.
Na visão do Bradesco BBI, o impacto imediato é neutro para a fabricante. Os analistas André Ferreira e Ricardo França destacam que a Embraer provavelmente já recebeu os pagamentos iniciais (PDPs) e provisionou recursos. A redução de 26 aeronaves representa apenas 5% da carteira firme de encomendas comerciais da empresa.
Quanto ao cronograma de entregas, o efeito deve ser mínimo. A Azul entrou em recuperação judicial em maio, e a Embraer já vinha reorganizando sua produção. Além disso, novos pedidos foram recebidos, como o da Latam Airlines, que começará a receber 12 unidades em 2026 — ajudando a compensar a perda da Azul.
Os analistas ainda ressaltam que a renegociação pode ter atualizado termos contratuais, potencialmente favorecendo as margens de lucro da Embraer.
Segundo comunicado da Embraer, o acordo foi firmado em 26 de novembro de 2025, reduzindo a encomenda de 51 para 25 aeronaves E195-E2.
O ajuste foi homologado pelo United States Bankruptcy Court of the Southern District of New York em audiência realizada em 18 de dezembro de 2025, com publicação da ordem judicial em 22 de dezembro.
*Com informações do Money Times
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