Injeção de dinheiro bilionária na Cosan (CSAN3) não será usada para resolver os problemas com a Raízen (RAIZ4); ações tombam na B3
As ações da Cosan e da Raízen lideram as quedas do Ibovespa pela manhã após o anúncio de um aporte de até R$ 10 bilhões na holding de Rubens Ometto. Entenda os detalhes da transação

Nem um centavo da injeção de dinheiro bilionária na Cosan (CSAN3) será usado para ajudar no processo de desalavancagem da Raízen (RAIZ4), afirmou a administração da holding de Rubens Ometto, em teleconferência realizada nesta segunda-feira (22).
A Cosan anunciou na noite do último domingo um aporte de até R$ 10 bilhões junto à holding do BTG Pactual e à empresa de investimentos Perfin. A injeção no conglomerado se dará por meio de duas grandes ofertas de ações.
"Os recursos são totalmente alocados para fortalecer a estrutura de capital da Cosan. Não há previsão de utilização desses recursos para qualquer capitalização da Raízen", afirmou Rodrigo Araujo, diretor financeiro (CFO) do conglomerado.
Segundo Araujo, a operação que "traz uma série de novas características à companhia", com novos sócios de peso, um acordo de acionistas de longo prazo e mudanças relevantes na governança da Cosan.
"A transação é considerável e bastante relevante no processo de desalavancagem da companhia. O futuro de crescimento da companhia acontecerá através do seu portfólio de negócios, pelo desenvolvimento dos negócios do grupo. E é claro que ter uma estrutura de capital mais saudável na holding habilita esse desenvolvimento dos negócios do portfólio de uma maneira muito mais efetiva e estratégica no futuro."
As ações da Cosan e da Raízen encerraram o pregão desta segunda-feira em forte queda, liderando a ponta negativa do Ibovespa. Depois de chegar a cair mais de 20% ao longo da sessão, CSAN3 encerrou o dia em queda de 18,13%, cotada a R$ 6,14, em um aparente movimento de convergência ao valor proposto na capitalização. Já RAIZ4 recuou 7,75%, a R$ 1,19.
Leia Também
A estrutura do aporte bilionário na Cosan (CSAN3)
Segundo o diretor financeiro da Cosan, a decisão de realizar uma capitalização junto ao BTG e à Perfin não foi um processo construído exclusivamente para trazer recursos para a companhia.
"Isso também é uma parte importante da equação, mas é um conjunto que envolve trazer recursos para a companhia, governança, sucessão e investidores com fit estratégico adequado de longo prazo", disse Araujo.
Nos termos da capitalização, a Aguassanta, veículo de investimentos de Rubens Ometto, seguirá como acionista controladora da Cosan (CSAN3), com participação equivalente a 50,01% das ações.
A capitalização se dará através de duas ofertas de ações (follow-ons). O primeiro terá uma oferta-base de R$ 7,25 bilhões, totalmente subscrita pelo Consórcio de Investidores e hot issue de até 25% do lote inicial, equivalente a R$ 1,81 bilhão, que será destinada apenas à atual base acionária.
Todo investidor que participar da transação receberá 50% das ações adquiridas na oferta com lock-up de dois anos. Ou seja, o acionista estará proibido de vender suas respectivas participações na empresa até 2027.
Já o consórcio de investidores concordou em adicionar dois anos à parte de suas ações sujeitas ao lock-up, que passará para quatro anos.
O consórcio propôs preço de R$ 5 por ação. Os critérios de alocação serão os acionistas nos 12 meses antes do anúncio, com o varejo com mínimo de 10% da oferta total.
Já o segundo follow-on também terá oferta base + hot issue: até R$ 2,75 bilhões, considerando o volume total captado na primeira oferta, com mesmo preço da primeira oferta e sem lock-up para os investidores.
Nesta etapa da capitalização, os investidores âncora não farão parte da segunda oferta
Como ficará a governança da holding de Rubens Ometto
A operação prevê um acordo de acionistas de 20 anos que possibilitará a estruturação de um processo de sucessão na Cosan (CSAN3).
"Resolver a questão da sucessão no tempo era urgente. Porque, na prática, o próprio Rubens, acionista controlador, sabe que com o tempo a gente precisa construir um modelo de perenidade, de sustentabilidade para a companhia e para os sócios. Nós colocamos condições [no acordo] que eram bastante importantes para que pudéssemos fazer uma sucessão organizada e estruturada no tempo", afirmou o presidente da Cosan, Marcelo Martins.
Na composição do conselho de administração da Cosan, Rubens Ometto ou outra pessoa apontada por ele permanecerá como presidente (chairman) por três mandatos, ou seja, até seis anos.
A Aguassanta terá direito de nomear cinco conselheiros para o colegiado, incluindo um independente, enquanto BTG Pactual e Perfin Infra poderão nomear quatro cadeiras, incluindo um independente.
O consórcio de investidores ainda terá o direito de indicar membros para os conselhos das subsidiárias da Cosan, com exceção da Edge, empresa de soluções de gás.
"Do ponto de vista do BTG, todo e qualquer investimento futuro nos ativos de rodovia, de ferrovia, nos ativos de lubrificantes ou, no caso da Compass, que tem a questão de distribuição de gás, todos esses investimentos sempre serão feitos nesses únicos veículos. Ou seja, não terão veículos competidores do nosso lado. A única potencial percepção de que poderia haver um conflito com a Eneva seria na Edge. Optamos por ficar fora do conselho, de modo que não criemos nenhum problema", disse Renato Mazzola, sócio do BTG Pactual.
O cronograma da transação
O acordo segue os seguintes passos a partir de agora:
- 21 de setembro: anúncio do negócio
- 23 de setembro: Convocação AGE (Dispensa da cláusula de poison pill para o Consórcio de Investidores e aprovação do aumento do capital autorizado)
- 23 de outubro: Instalação AGE + Lançamento da 1.ª Oferta (Início do processo de bookbuilding com alocação focada na base acionária, roadshow de 7 dias úteis e período de subscrição para investidores de varejo
- 3 de novembro: Precificação da primeira oferta (Processo de precificação e alocação)+ Lançamento da 2.ª Oferta: (Início do processo de bookbuilding com alocação discricionária e oferta prioritária Roadshow de 6 dias úteis.
- 11 de novembro: Precificação da segunda oferta (Processo de precificação e alocação)
*Com informações do Money Times.
Conteúdo Empiricus
Apesar da adoção crescente da inteligência artificial, 41% das empresas ainda apresentam dificuldades na integração com agentes de IA
24 de setembro de 2026 - 14:00NO BOLSO
Yduqs (YDUQ3) anuncia dividendos de R$ 750 milhões após fusão com a Afya, mas presente da dona da Estácio ao acionista pode ser ainda maior, diz JP Morgan
24 de setembro de 2026 - 13:45VENDE BRKM5, RECEBE DÍVIDA
OPA da Braskem (BRKM5) com data marcada: vale a pena trocar as ações pelo que o novo controlador oferece?
24 de setembro de 2026 - 12:32MAIS DE R$ 9 BILHÕES EM RECEITA
Yduqs (YDUQ3), dona da Estácio, anuncia fusão com a Afya e cria gigante em educação médica no Brasil; veja quanto cai no seu bolso
24 de setembro de 2026 - 9:02ALÉM DA PRIVATIZAÇÃO
Privatização da Copasa (CSMG3) chama atenção do mercado, mas Bradesco BBI tem ainda mais motivos para apostar em alta de mais de 38% para a ação
23 de setembro de 2026 - 16:21O PREÇO DA “GENEROSIDADE”
Petrobras (PETR4) caminha para um dos maiores dividendos do mundo. A ação ficou cara demais para comprar agora?
23 de setembro de 2026 - 14:25NOVO FILÃO DE CRESCIMENTO
Maior alta do Ibovespa hoje: Magazine Luiza (MGLU3) sobe na bolsa após decisão de agência do governo; entenda o que mexe com a varejista
23 de setembro de 2026 - 13:58GOVERNANÇA CORPORATIVA
O conselheiro é independente mesmo? Indicação pelo controlador é comum; saiba quando ela vira um problema para a empresa
23 de setembro de 2026 - 12:33SOB PRESSÃO
Braskem (BRKM5) vira campo de batalha: MP questiona processo e credores exigem que Petrobras (PETR4) e IG4 paguem parte da conta
23 de setembro de 2026 - 11:35PROVENTOS
Mais de R$ 600 milhões aos acionistas: confira quem tem direito a receber o JCP da Localiza (RENT4)
22 de setembro de 2026 - 19:27TERMÔMETRO DAS ELEIÇÕES
O mercado já escolheu seu cavalo eleitoral? Banco do Brasil (BBAS3) dispara 26% na bolsa, mas a conta não fecha só com as urnas
22 de setembro de 2026 - 17:03UM BOM NEGÓCIO?
Santander quer comprar seu papel SANB11 — mas o que o minoritário ganha ao trocar as ações por BDRs?
22 de setembro de 2026 - 14:16EXPANSÃO
Vale (VALE3) compra 30% da Ligga por R$ 972,36 milhões e prevê expandir capacidade em quatro vezes; qual o plano da mineradora?
22 de setembro de 2026 - 14:01ABRE E FECHA
JBS (JBSS32) fecha capital e J&F quer ser aberta no Brasil: o que muda para o investidor em ações e debêntures na B3
22 de setembro de 2026 - 11:43DE A PARA B
Entre JBS e J&F: o xadrez financeiro dos irmãos Batista na B3
21 de setembro de 2026 - 19:37PREPAREM O BOLSO
Dividendos e JCP: empresas anunciam mais de R$ 600 milhões aos acionistas; saiba quem paga e quando receber
21 de setembro de 2026 - 19:13SINERGIAS
Fusão com a Afya pode turbinar lucro da Yduqs (YDUQ3) e deixar ação mais barata, segundo Itaú BBA; veja o possível prêmio
21 de setembro de 2026 - 17:41A PENEIRA DOS BANCÕES
Itaú, Bradesco ou Banco do Brasil: BofA escolhe seu favorito na B3 — e deixa uma ação de escanteio
21 de setembro de 2026 - 15:57ALÉM DAS FRONTEIRAS
Petrobras acena com descobertas de gás na Colômbia. Aonde a estatal quer chegar?
21 de setembro de 2026 - 14:04ACESSO AO MERCADO DE CAPITAIS