Hora de comprar: o que faz a ação da Brava Energia (BRAV3) liderar os ganhos do Ibovespa mesmo após prejuízo no 4T24
A empresa resultante da fusão entre a 3R Petroleum e a Enauta reverteu um lucro de R$ 498,3 milhões em perda de R$ 1,028 bilhão entre outubro e dezembro de 2024, mas bancos dizem que o melhor pode estar por vir este ano

A Brava Energia (BRAV3), empresa resultante da fusão entre a 3R Petroleum e a Enauta, reverteu lucro em prejuízo no quarto trimestre de 2024 e ainda assim a ação da companhia lidera a ponta positiva do Ibovespa, com ganhos superiores a 7%. Mais que isso: grandes bancos dizem que a hora de comprar o papel é agora.
Entre outubro e dezembro, a petroleira registrou prejuízo líquido pró-forma de R$ 1,028 bilhão — no mesmo período do ano anterior houve lucro pró-forma de R$ 498,3 milhões. A Brava atribui o resultado à desvalorização cambial, evento contábil e, portanto, sem efeito caixa.
- Vale lembrar que a comparação com 2023 considera os números da 3R Petroleum e Enauta somados, uma vez que a fusão foi efetivada em meados do ano passado.
Também pesaram no desempenho negativo do trimestre as paradas nas produções dos campos de Atlanta e Papa-Terra, que já foram retomadas.
Os bancos, no entanto, acreditam que o pior para a Brava ficou em 2024 e que o caminho agora é de retomada e expansão.
- E MAIS: Conheça carteira de ativos indicada para investir em meio a desajuste econômico no Brasil
Segundo Luiz Carvalho, Pedro Soares e Henrique Pérez, analistas do BTG Pactual, o quarto trimestre é um potencial ponto de virada na história da Brava.
“Com o novo FPSO de Atlanta agora operacional e a maioria dos investimentos de integridade em Papa Terra já concluídos, a Brava terá a oportunidade de reduzir significativamente o balanço ao longo de 2025, supondo que consiga aumentar com sucesso a produção offshore e pelo menos evitar o esgotamento do portfólio onshore”, diz o trio.
Leia Também
Na mesma linha, o Safra classifica o desempenho da Brava como fraco entre outubro e dezembro, mas reforça que os resultados já eram esperados, e reforça a expectativa de que este ano deverá ser melhor para a petroleira.
Segundo os analistas Conrado Vegner e Vinícius Andrade, os números “pouco inspiradores” já estavam precificados e, por isso, reiteram a expectativa de que o resultado não reflete todo o potencial do portfólio da Brava.
“Já está mostrando alguma melhora substancial nos números de produção nos primeiros dois meses de 2025. Isso, juntamente com o menor capex [investimento] esperado para este ano — à medida que a transição do FPSO Atlanta e os trabalhos de manutenção são concluídos —, deve impulsionar a geração de caixa”, afirmam.
Por que comprar a ação da Brava agora
Segundo o BTG Pactual, qualquer desinvestimento de ativos não essenciais pela Brava pode servir como um catalisador positivo adicional para a ação, acelerando a transferência de valor da dívida para o patrimônio líquido.
O banco manteve a recomendação de compra para BRAV3 depois do resultado do quarto trimestre, com preço-alvo de R$ 32 para 12 meses — o que representa um potencial de valorização de 69,3% em relação ao último fechamento.
Por volta de 12h20, a ação da Brava subia 7,26%, cotada a R$ 19,64, liderando os ganhos do Ibovespa. Os papéis acumulam ganho de 9,2% em março, mas amargam perda de 16,45% no ano.
O Safra também recomenda a compra da ação agora. O banco fixou preço-alvo de R$ 35 para BRAV3, o que equivale a um potencial de valorização de 91% em relação ao fechamento anterior.
O Citi é outro banco que tem indicação para colocar a ação da Brava na carteira, ainda que a preferência no setor de óleo e gás brasileiro seja pela Prio (PRIO3) atualmente.
“Vemos um bom risco de alta no nome, levando em consideração que Brava está mais perto de aumentar a produção, da campanha de conexão de 4 poços ao FPSO Atlanta, e Papa Terra pode aumentar após a implementação de uma solução energética para elevar o consumo de gás na unidade, permitindo a retomada da produção de outros poços”, dizem os analistas Gabriel Barra, Andrés Cardona e Pedro Gama.
O Citi tem preço-alvo de R$ 38 para a ação BRAV3, o que representa um potencial de valorização de 107,6% em relação ao último fechamento.
LULA e ECONOMIA: Mais MEDIDAS POPULISTAS daqui para frente? O que ESPERAR?
O resultado e a produção da Brava no 4T24
Além da reversão do lucro em prejuízo de R$ 1,028 bilhão, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortizações e depreciação) somou R$ 505 milhões entre outubro e dezembro de 2024 — uma queda de 41% em base anual. A margem Ebitda ficou em 25,9%, ante 37,6% há um ano e 33,2% no trimestre anterior.
A receita líquida da companhia caiu 14,3% no quarto trimestre de 2024 ante um ano atrás, para R$ 1,95 bilhão.
No balanço, a Enauta destacou a estrutura de capital "robusta", com posição de caixa aproximada de US$ 1 bilhão.
Em todo o ano de 2024, o Ebitda pró-forma da Brava somou R$ 3 bilhões, alta de 29,5% ante os R$ 2,31 bilhões de 2023, considerando a soma dos montantes de Enauta e 3R Petroleum no período.
A receita em 2024 foi de R$ 10,09 bilhões, alta de 44,1% na comparação com os R$ 7 bilhões reportados em 2023.
- VEJA MAIS: Saiba como entrar para o clube de investidores do Seu Dinheiro de forma gratuita e fique por dentro de tudo que acontece no mercado financeiro
No trimestre de referência, a produção média diária de óleo da Enauta ficou em 29,2 mil barris (bbl/d), queda de 38,3% ante um ano e uma queda de 29,1% na comparação com o terceiro trimestre de 2024.
Já a produção média diária de gás atingiu 10.154 boe no quarto trimestre de 2024, volume 37,8% menor que há um ano e 3,5% inferior ao do terceiro trimestre.
A Brava atribuiu as quedas na produção às paradas de produção em Atlanta e Papa Terra, que já foram retomadas, inclusive com Atlanta no nível recorde graças ao novo sistema de produção inaugurado na virada do ano.
Papa-Terra, por sua vez, retomou a produção em dezembro de 2024 após parada programada e já registrou produção de 15 mil bbl/d em fevereiro de 2025.
Por isso, no total, a produção da Brava alcançou 73,9 mil boe/d em fevereiro, também ajudada por recorde no onshore. Trata-se de uma alta de 88% na produção diária ante o quarto trimestre e com "ramp-up em andamento", o que significa volumes ainda maiores à frente.
DE A PARA B
Entre JBS e J&F: o xadrez financeiro dos irmãos Batista na B3
21 de setembro de 2026 - 19:37PREPAREM O BOLSO
Dividendos e JCP: empresas anunciam mais de R$ 600 milhões aos acionistas; saiba quem paga e quando receber
21 de setembro de 2026 - 19:13SINERGIAS
Fusão com a Afya pode turbinar lucro da Yduqs (YDUQ3) e deixar ação mais barata, segundo Itaú BBA; veja o possível prêmio
21 de setembro de 2026 - 17:41A PENEIRA DOS BANCÕES
Itaú, Bradesco ou Banco do Brasil: BofA escolhe seu favorito na B3 — e deixa uma ação de escanteio
21 de setembro de 2026 - 15:57ALÉM DAS FRONTEIRAS
Petrobras acena com descobertas de gás na Colômbia. Aonde a estatal quer chegar?
21 de setembro de 2026 - 14:04ACESSO AO MERCADO DE CAPITAIS
J&F, dos irmãos Batista, pede registro de companhia aberta na CVM: entenda o plano da gigante para ser mais que uma holding
21 de setembro de 2026 - 11:04MAIS UM PASSO
Braskem (BRKM5) vai deixar a B3? CVM dá sinal verde para OPA. Saiba o que isso significa para os acionistas minoritários da petroquímica
21 de setembro de 2026 - 10:42MARGEM EQUATORIAL
Petrobras (PETR4) e MPF entram em briga pela exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Qual é o impasse?
21 de setembro de 2026 - 10:29ENTREVISTA EXCLUSIVA
Bradesco (BBDC4) está prestes a receber R$ 10 bilhões para crescer, mas não vai acelerar: “Não queremos voo de galinha”, diz CFO
21 de setembro de 2026 - 6:15COMPRA OU VENDER
Vale (VALE3) no olho do furacão? CEO da mineradora abre o jogo; Citi e Itaú BBA dizem o que você deve fazer com a ação
20 de setembro de 2026 - 13:33MERCADO USA A RÉGUA ERRADA?
Citi sobe o preço-alvo de BTG Pactual (BPAC11) e vê espaço para ação se descolar dos bancões
19 de setembro de 2026 - 16:55VAI PINGAR POR AÍ?
Porto (PSSA3), Totvs (TOTS3) e Fleury (FLRY3) colocam R$ 636 milhões em JCP no radar; veja quem tem direito
19 de setembro de 2026 - 15:47QUEM ESCOLHE QUEM FISCALIZA?
Perto do dono, longe da autonomia? O dilema da independência nos conselhos das empresas da bolsa
19 de setembro de 2026 - 12:38POR DENTRO DO NEGÓCIO
Cheque bilionário do Itaú (ITUB4) para a Eztec (EZTC3) deve impactar mercado de escritórios em São Paulo
18 de setembro de 2026 - 18:34PISOU NO FREIO
A maré virou para os bancões? Safra corta preço-alvo de Itaú, Bradesco e Banco do Brasil. Ainda vale apostar em alguma dessas ações?
18 de setembro de 2026 - 16:46LOJA COMPLETA
Assaí (ASAI3) enche o tanque com a compra de postos por R$ 80 milhões; entenda o que isso significa para o investidor
18 de setembro de 2026 - 14:03VOLTA AO PRESENCIAL?
Itaú (ITUB4) quer ocupar mais espaço em SP: banco aluga 100% de empreendimento da Eztec (EZTC3); entenda a estratégia
18 de setembro de 2026 - 10:18POTE DE OURO
O ‘trade’ de Vivara (VIVA3) que poucos perceberam: ouro comprado na baixa agora ajuda a turbinar o caixa
18 de setembro de 2026 - 6:07DISTRIBUIÇÃO DE PROVENTOS
Dividendos e JCP: Lojas Renner (LREN3), TIM (TIMS3), Cemig (CMIG4) e B3 (B3SA3) pagam juntas mais de R$ 2 bilhões aos acionistas
17 de setembro de 2026 - 18:34COMPROMISSO AMBIENTAL