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Em meio ao comunicado de fusão entre Marfrig e BRF, os frigoríficos também devem repercutir o caso de gripe aviária nas negociações do dia na bolsa
A semana vai terminar agitada para os frigoríficos brasileiros: primeiro veio a notícia da união de negócios entre Marfrig (MRFG3) e BRF (BRFS3), na noite de quinta-feira (15); hoje (16), o governo brasileiro confirmou o primeiro foco de gripe aviária em granja comercial, o que levou à suspensão das exportações de frango para a China.
Considerando a interrupção das negociações com o Gigante Asiático, maior comprador do frango brasileiro, analistas acreditam que a gripe aviária pode ofuscar o “efeito MBRF”.
O Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo. As vendas para o exterior de carne de frango somaram US$ 10 bilhões em 2024, respondendo por cerca de 35% do comércio global.
E grande parte dessas vendas foram realizadas pela BRF e a JBS (JBSS3), que exportam para cerca de 150 países.
Segundo o Ministério da Agricultura, a primeira detecção do vírus da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) aconteceu em uma granja comercial no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul.
Segundo o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, a China já suspendeu as compras de carne brasileira por causa da gripe.
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Segundo Fávaro, trata-se do primeiro caso silvestre no Brasil em dois anos. “Isso aconteceria algum dia em um sistema comercial, mas essa demora mostra como nossas medidas de sanidade funcionam. Agora, todos os protocolos estão sendo cumpridos”, disse.
Para a consultoria Safras & Mercado, mesmo que a situação se resolva rapidamente, a China conta com um protocolo bastante restritivo, e a suspensão deve durar pelo menos 60 dias.
“Com uma fatia de 10% das vendas brasileiras, isso pode ser bastante problemático para o setor”, explicam.
A BRF, dona da Sadia e Perdigão, é uma das empresas brasileiras mais expostas a esses eventos, devido ao volume de exportações de aves.
Com isso, o impacto para as ações BRFS3 nas negociações desta sexta-feira deve ser relevante, já que analistas já previam uma queda nos ativos por conta da operação de troca de ações entre Marfrig e BRF.
Logo na abertura do pregão, as ações da BRF já estavam entre as maiores queda do Ibovespa. Por volta das 10h30 (horário de Brasília), os papéis caiam 3,25%, a R$ 19,95. A Marfrig, por outro lado, era a maior alta do Ibovespa, disparando 17%, a R$ 24,17.
Segundo as informações sobre a fusão entre as empresas, a Marfrig deve incorporar a totalidade das ações de emissão da BRF não detidas pela companhia.
A fusão irá formar a MBRF, uma empresa global do setor de carnes e alimentos processados, com receita de R$ 152 bilhões após a consolidação, prevista para 12 meses.
A transação irá acontecer por meio de uma relação de troca de 0,8521 ação da Marfrig por cada ação da BRF e ainda conta com R$ 6 bilhões em dividendos.
*Com informações de Money Times e Reuters.
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