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Em seu primeiro Investor Day no cargo, o CFO e diretor de RI Fabio Itikawa reforça resultados do 4T24 como ponto de virada e divulga plano de troca de fornecedor para reduzir custos
A Espaçolaser, rede de lojas de depilação a laser, está na lista de empresas que fizeram IPO em 2021, ano de recorde de estreias na B3. Mas a ESPA3 está também numa outra lista, não tão glamourosa assim: a das empresas que despencaram na bolsa.
A MPM Corpóreos, dona da EspaçoLaser, emplacou sua oferta pública inicial de ações em fevereiro de 2021 a R$ 17,90 por papel, sendo avaliada em R$ 4,35 bilhões. Hoje, pouco mais de 4 anos depois, seu market cap ruiu 94%, chegando a R$ 260,22 milhões.
O que aconteceu nesse meio tempo? Além da mudança no cenário macroeconômico, com alta dos juros e queda no PIB, houve também um alto endividamento da companhia, o aumento da concorrência, com novos players e a guerra de preço impactando a rentabilidade da empresa, além de problemas de governança.
Desde novembro, a ESPA3 é uma penny stock (ação negociada abaixo de R$ 1), que atualmente opera na casa dos R$ 0,70. Em janeiro, a empresa informou ao mercado que está avaliando um grupamento de ações, a pedido da B3, e tem um prazo até 3 de julho para concluir o processo.
Como atrair investidores em meio a esse cenário adverso? Nesta terça-feira (15), em seu Investor Day, a Espaçolaser quis reforçar os resultados trimestrais divulgados no mês passado e bater na tecla de que a chave foi virada. E mostrar que a empresa agora tem uma estratégia de peso para reduzir custos fixos.
Quem contou sobre esta estratégia para Seu Dinheiro foi o CFO e diretor de RI Fabio Itikawa, que assumiu o cargo em julho de 2024 – a antiga CFO, Magali Rogéria de Moura Leite, foi conduzida ao cargo de CEO apenas quatro meses antes.
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Os R$ 2,6 bilhões captados com o IPO tiveram como principal destino a aquisição de lojas que eram franqueadas, movimento que foi forte em 2022 e 2023 e, por isso, foram anos de margens comprimidas, segundo o CFO da Espaçolaser.
“E 2024 foi um ano de virada de página desse processo de integração e melhora da operação da companhia, para entrarmos em 2025 no novo capítulo, no nosso plano estratégico”, conta ele.
Neste momento, segundo o executivo, a companhia tem uma nova estratégia para apresentar aos investidores. Ela envolve a troca de fornecedores e de tecnologias adotadas pelas suas 872 unidades no total – são 806 lojas no Brasil (562 lojas próprias e 244 franquias) e 66 unidades na América Latina (36 próprias e 30 franquias).
O principal foco é a troca da máquina de aplicação do laser, cuja fabricação e manutenção hoje depende de uma empresa norte-americana, com custos em dólar. A proposta da Espaçolaser é trocar por um fornecedor que tem operação e fábrica no Brasil, chamado Vydence.
Outra substituição seria dos cilindros de resfriação, usados no processo de depilação a laser. Hoje são dolarizados, e todo o processo de frete de distribuição e frete reverso também dependem da moeda norte-americana. A estratégia é substituí-los por uma máquina também fabricada pela Vydence.
“Este é um projeto relevante para a companhia. Vai demandar um Capex, mas é pequeno quando comparado com a eliminação do custo desse gás na nossa operação”, afirma o executivo.
Segundo ele, a previsão é alcançar 70% das lojas até o fim deste ano e 100% delas até o fim de 2026. A Espaçolaser não coloca em números de quanto será a redução de custos, mas diz que será “considerável”. O payback do investimento será menor que 10 meses, diz o executivo.
“Vamos ofertar essa oportunidade para os nossos franqueados também adquirirem esse resfriador. Hoje o payback de uma franquia gira em torno de 3 anos. Vamos conseguir oferecer um payback muito mais rápido, um retorno muito mais elevado.”
A Espaçolaser registrou lucro líquido de R$ 9,6 milhões no quarto trimestre do ano passado, revertendo prejuízo de R$ 7,4 milhões obtido no mesmo período de 2023.
No acumulado de 2024, o lucro foi de R$ 23,3 milhões, ante R$ 6,6 milhões do ano anterior.
Segundo a empresa, a reestruturação executada em 2024 permitiu o resultado positivo e uma maior conversão de caixa.
A receita líquida cresceu 1,7% na comparação trimestral, para R$ 272,7 milhões. No acumulado de 2024, o crescimento foi de 2,8%, para R$ 1 bilhão.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) entre outubro e dezembro somou R$ 48,1 milhões, uma alta de 9,6%.
O patamar de cancelamentos da companhia foi de 10,4% da receita bruta trimestral, 0,9 ponto percentual abaixo do registrado no quarto trimestre de 2023.
O grupo finalizou 2024 com 872 lojas, das quais 806 estão no Brasil. No último ano, a companhia abriu 47 novas unidades nas divisões de negócio nacional e internacional.
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