Colchão macio para os bancos: a decisão do BC que manteve o ACCP zerado — e por que isso importa para você
O ACCP é uma reserva de capital que o Banco Central exige de bancos e outras instituições financeiras — as de menor porte não estão sujeitas a essa demanda

As ações do bancos brasileiros andaram sob pressão nesta semana, com perdas que ultrapassaram 5%, mas podem receber um alívio no pregão desta quinta-feira (21). O motivo: o comitê de estabilidade financeira do Banco Central (Comef) manteve nesta quarta-feira (20) o adicional contracíclico de capital principal do Brasil (ACCPBrasil) zerado.
A decisão tem como base as condições financeiras, os preços dos ativos e as expectativas quanto ao comportamento do mercado de crédito. O ACCP é uma reserva de capital que o BC exige de bancos e outras instituições financeiras — as de menor porte não estão sujeitas a essa demanda.
Segundo o Comef, o Sistema Financeiro Nacional (SFN) está preparado para enfrentar a materialização de risco de crédito, e as provisões para perdas de crédito e os níveis de liquidez e de capital dos bancos se mantêm adequados.
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"Diante da reduzida exposição cambial e da pequena dependência de funding externo, a exposição do SFN a flutuações financeiras originadas no exterior é baixa", diz o comunicado do BC.
Na prática, a decisão de manter o ACCP zerado não vai exigir mais capital dos bancos, o que poderia afetar a rentabilidade das instituições — qualquer mudança poderia atingir diretamente quem tem ações de bancos na B3.
Não por acaso, a mudança de planos do BC recebeu críticas de gigantes do setor bancário, como o CEO do Bradesco (BBDC4), Marcelo Noronha, e da própria Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Você pode conferir aqui os detalhes.
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Cautela e diligência na concessão de crédito pelos bancos
Na avaliação do Comef, o momento atual demanda cautela e diligência adicionais na concessão de crédito diante de uma taxa básica de juros contracionista e dos níveis atuais de inadimplência, comprometimento de renda e endividamento das famílias, assim como endividamento das empresas.
O comitê avaliou ainda que o crescimento do crédito desacelerou tanto no sistema financeiro quanto no mercado de capitais, em linha com a moderação de crescimento observada na atividade econômica, mas destaca, contudo, que o ritmo de crescimento do crédito segue historicamente elevado, mesmo com as condições financeiras mais restritivas.
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Sem estresse nos bancos brasileiros
Os bancos mantêm voluntariamente capital e liquidez em níveis superiores ao exigido — uma suficiência atestada por testes de estresse, mas, ainda assim, o comitê manda um recado para essas instituições.
"O Comef recomenda que as entidades supervisionadas persistam com a política de gestão prudente de capital e de liquidez em virtude das incertezas econômicas e da conjuntura."
E se não há estresse entre os bancos brasileiros, o cenário internacional demanda atenção. Junto com a decisão de hoje, o comitê diz que está acompanhando as condições financeiras externas com atenção especial.
"Consequências da trajetória das políticas monetária e fiscal das economias avançadas, do reposicionamento das políticas comerciais, dos movimentos de reprecificação de ativos financeiros globais e dos eventos geopolíticos" estão sendo acompanhadas de pertos, segundo o Comef.
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