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Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

EM BUSCA DE PROTEÇÃO

Casas Bahia (BHIA3) quer pílula de veneno para bloquear ofertas hostis de tomada de controle; ação quadruplica de valor em março 

A varejista propôs uma alteração do estatuto para incluir disposições sobre uma poison pill dias após Rafael Ferri atingir uma participação de cerca de 5%

Camille Lima
Camille Lima
31 de março de 2025
11:37 - atualizado às 17:29
Loja das Casas Bahia, empresa da Via (VIIA3)
Loja das Casas Bahia - Imagem: Divulgação

Após as ações praticamente quadruplicarem de preço na bolsa em março — em um movimento majoritariamente atribuído ao desenrolar de um short squeeze —, a Casas Bahia (BHIA3) deixou claro que pretende tomar novas proteções para se defender de eventuais ofertas “hostis e oportunistas” para tomada de controle.

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A varejista propôs, na noite passada (30), uma alteração do estatuto para incluir disposições sobre uma poison pill — uma pílula de veneno, em tradução literal. 

Esse mecanismo determina a obrigação de lançamento de oferta pública de aquisição (OPA) pelas ações dos minoritários sempre que um investidor adquirir uma participação igual ou superior a 20% dos papéis BHIA3 emitidos. 

A proposta deve ser discutida na assembleia geral extraordinária (AGE) marcada para 30 de abril.

A proposta acontece apenas alguns dias depois de o investidor Rafael Ferri atingir uma participação de cerca de 5% na varejista.

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Muito conhecido dos pequenos investidores da bolsa nas redes sociais, Ferri já popularizou entre os 'sardinhas' teses de investimento como a da empresa de educação Cogna, além da própria Casas Bahia quando ainda se chamava Via Varejo. 

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No passado, Ferri chegou a ser condenado pela CVM por manipulação de mercado no caso da chamada "bolha do alicate", como ficou conhecida a valorização e posterior queda da empresa de utensílios domésticos Mundial.

A pílula de veneno da Casas Bahia (BHIA3)

Segundo a Casas Bahia (BHIA3), as mudanças propostas para o estatuto visam à “proteção da dispersão acionária e ao aprimoramento da governança corporativa da companhia, bem como à geração de valor a seus acionistas”. 

Vale lembrar que a varejista é hoje uma “true corporation”, com capital pulverizado na bolsa e sem um acionista controlador. Atualmente, cerca de 75% dos papéis BHIA3 são negociados livremente na bolsa (free float).

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A empresa afirma que essa qualidade confere “diversos benefícios”, como os de governança corporativa, como:

  • A viabilidade de composição do conselho de administração com membros independentes, não vinculados a acionistas e que ajudem na boa gestão dos negócios da Casas Bahia; 
  • A mitigação do risco de decisões tomadas em situação de conflito de interesses; e 
  • A garantia da busca pela adoção das melhores práticas de governança corporativa. 

Dessa forma, com a pílula de veneno, qualquer acionista que venha a adquirir participação relevante na varejista estaria obrigado a tratar todos os investidores de forma isonômica, por meio do lançamento de uma OPA pelas ações BHIA3.

A administração afirma que o novo mecanismo protegeria a governança “ao dificultar movimentos hostis e oportunistas de tomada de controle da companhia”, estimulando que qualquer tentativa de compra de controle seja oferecida a todos os acionistas “de forma equânime e com o pagamento do preço justo”.

Nos termos da proposta, o preço mínimo da OPA não deve ser inferior ao maior valor determinado entre: 

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  1. 125% do valor justo da Casas Bahia;
  2. 125% do preço de emissão das ações no último aumento de capital; 
  3. 150% do maior preço por ação pago pelo novo acionista relevante até a realização da OPA.
  4. 150% da maior cotação de fechamento das ações da companhia durante os 12 meses anteriores à data de atingimento da participação relevante.

As ações da Casas Bahia (BHIA3) fecharam o pregão desta segunda (31) com queda de 12,89%, a R$ 8,99. Desde o início do mês, a valorização chega a 289% na B3.

Apesar da escalada, a maioria dos analistas ainda recomenda cautela com a varejista. De oito recomendações compiladas pelo TradeMap, seis são neutras e duas, de venda. 

Leia também: O e-commerce das brasileiras começou a fraquejar? Mercado Livre ofusca rivais no 4T24, enquanto Americanas, Magazine Luiza e Casas Bahia apanham no digital

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