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Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

RESULTADO DO BANCÃO

Mesmo com apetite ao risco menor, Bradesco (BBDC4) supera expectativas e vê lucro crescer quase 40% no 1T25, a R$ 5,9 bilhões

Além do aumento na lucratividade, o banco também apresentou avanços na rentabilidade, com inadimplência e provisões contidas; veja os destaques

Camille Lima
Camille Lima
7 de maio de 2025
18:49 - atualizado às 19:23
Caixas eletrônicos do Bradesco (BBDC4)
Caixas eletrônicos do Bradesco - Imagem: Divulgação/Bradesco

Em mais um passo na trajetória de recuperação, o Bradesco (BBDC4) registrou um lucro líquido recorrente de R$ 5,9 bilhões no primeiro trimestre de 2025. 

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A cifra corresponde a um avanço de 39,3% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 8,6% frente ao trimestre passado.

Para efeito de comparação, no primeiro trimestre de 2024 o banco teve lucro líquido de R$ 4,211 bilhões, e no quarto trimestre de 2024, de R$ 5,402 bilhões.

O resultado veio acima do esperado pelo mercado, que previa um lucro médio de R$ 5,308 bilhões entre janeiro e março deste ano, de acordo com estimativas compiladas pela Bloomberg.

Por sua vez, o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE, na sigla em inglês) do Bradesco encerrou o trimestre a 14,4%.

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Ou seja, alta de 4,2 ponto percentual (p.p) no trimestre e de 1,7 p.p na comparação anual, mas ainda aquém dos patamares de rentabilidade de pares privados como o Santander (SANB11).

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“No primeiro trimestre do ano, o crescimento das receitas foi a principal razão de melhora da nossa rentabilidade e esse deve ser o padrão este ano. Avançaremos, mantendo a boa qualidade das novas safras de crédito, fazendo créditos principalmente com garantias”, disse Marcelo Noronha, CEO do Bradesco, em nota.

Bradesco (BBDC4): inadimplência e provisões sob controle

A margem financeira, que considera a receita com crédito menos os custos de captação, somou R$ 17,2 bilhões no primeiro trimestre, um crescimento de 13,7% em relação ao mesmo período de 2024.

A margem financeira com o mercado — indicador que reflete a remuneração do banco com as operações de tesouraria — apresentou queda de 26,7% em relação ao primeiro trimestre do ano passado e de 45,1% na base trimestral, a R$ 462 milhões. Segundo o banco, o indicador foi impactado pelo menor
resultado com gestão de ativos e passivos (ALM).

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Já a margem com clientes teve aumento de 15,5% no mesmo período em relação ao 1T24, a R$ 16,7 bilhões, impulsionada pelo melhor mix e crescimento do volume de crédito e pela maior margem com passivos em razão da melhor estratégia de captação.

A carteira de crédito expandida do Bradesco cresceu 12,9% frente ao mesmo intervalo de 2024 e 2,4% no comparativo com o trimestre imediatamente anterior, para R$ 1 trilhão. 

“Já havíamos ajustado o nosso apetite ao risco no último quadrimestre do ano passado e por isso fomos mais seletivos na concessão de crédito, e ainda assim fizemos bons negócios. Mostramos a tração que temos em todos os segmentos de clientes e canais digitais. Nossa margem líquida cresceu. Continuamos focados no RAR [retorno ajustado ao risco] das operações”, disse o CEO.

Diante da estratégia de crescer mais em linhas com garantia, que possuem spreads menores, os níveis de inadimplência (NPLs) do banco também seguiram contidos. 

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O índice de devedores acima de 90 dias teve alta 0,1 ponto porcentual contra o quarto trimestre de 2024, mas recuo de 0,9 p.p na base anual, a 4,1%.

Enquanto isso, as provisões para devedores duvidosos (PDD) encolheram 2,2% no comparativo anual, mas avançaram 2,4% na comparação trimestral, para R$ 7,6 bilhões em perdas previstas no crédito no primeiro trimestre.

Por sua vez, o custo de crédito ficou estável em 3,0% no fim do mês de março.

O brilho dos seguros

Na avaliação do Bradesco (BBDC4), o desempenho da divisão de seguros foi um dos grandes destaques do trimestre.

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As operações de seguros tiveram um resultado de R$ 5,3 bilhões entre janeiro e março, aumento de 32,7% na base anual, com lucro líquido de R$ 2,4 bilhões, alta de 25,3% frente ao mesmo período de 2024.

Por sua vez, a rentabilidade da seguradora foi de 22,4% no 1T25, contra 19,8% um ano antes.

O desempenho do grupo segurador foi ajudado pela queda na sinistralidade, que encerrou o trimestre na casa dos 70,9%.

Guidance do Bradesco inalterado

Ainda com uma gestão mais conservadora, o Bradesco (BBDC4) manteve o guidance (projeção) para 2025 inalterado, com desaceleração no ritmo do banco, em meio ao atual cenário de juros elevados do país.

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Confira as principais estimativas:

  • Carteira de Crédito Expandida: alta de 4% a 8%
  • Margem Financeira Líquida (Margem Financeira Total – PDD Expandida): R$ 37 bi a R$ 41 bi
  • Receitas de Prestação de Serviços: alta de 4% a 8%
  • Despesas Operacionais (Pessoal + Administrativas + Outras): alta de 5% a 9%
  • Resultado das Operações de Seguros, Previdência e Capitalização: alta de 6% a 10%

Essas projeções já consideram os efeitos do aumento de participação na Cielo e os impactos das mudanças contábeis impostas pela resolução 4.966 do Banco Central, em vigor desde 1º de janeiro.

O objetivo da mudança de norma pelo BC é alinhar as práticas contábeis e de gestão de riscos das instituições financeiras brasileiras a padrões internacionais, com um novo modelo de cálculo para perda esperada da carteira de crédito, além de alterar a classificação e mensuração de ativos.

"Como sugere o guidance, o crescimento das receitas será a principal razão de melhora da nossa rentabilidade no ano. Será um processo gradual e seguro, com controle do risco de crédito", disse a administração do Bradesco, no balanço.

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Veja a performance do banco em relação ao guidance:

Tarifas e despesas

As receitas com prestação de serviços subiram 10,2% no período em relação ao ano passado, chegando a R$ 9,76 bilhões no primeiro trimestre de 2025.

Enquanto isso, as despesas operacionais subiram 12,3% no comparativo anual, encerrando o mês de março na casa de R$ 15 bilhões. Vale lembrar que os gastos foram impactados pelo aumento da participação do Bradesco na Cielo e pela aquisição do Banco John Deere.

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