Mesmo com apetite ao risco menor, Bradesco (BBDC4) supera expectativas e vê lucro crescer quase 40% no 1T25, a R$ 5,9 bilhões
Além do aumento na lucratividade, o banco também apresentou avanços na rentabilidade, com inadimplência e provisões contidas; veja os destaques

Em mais um passo na trajetória de recuperação, o Bradesco (BBDC4) registrou um lucro líquido recorrente de R$ 5,9 bilhões no primeiro trimestre de 2025.
A cifra corresponde a um avanço de 39,3% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 8,6% frente ao trimestre passado.
Para efeito de comparação, no primeiro trimestre de 2024 o banco teve lucro líquido de R$ 4,211 bilhões, e no quarto trimestre de 2024, de R$ 5,402 bilhões.
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O resultado veio acima do esperado pelo mercado, que previa um lucro médio de R$ 5,308 bilhões entre janeiro e março deste ano, de acordo com estimativas compiladas pela Bloomberg.
Por sua vez, o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE, na sigla em inglês) do Bradesco encerrou o trimestre a 14,4%.
Ou seja, alta de 4,2 ponto percentual (p.p) no trimestre e de 1,7 p.p na comparação anual, mas ainda aquém dos patamares de rentabilidade de pares privados como o Santander (SANB11).
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“No primeiro trimestre do ano, o crescimento das receitas foi a principal razão de melhora da nossa rentabilidade e esse deve ser o padrão este ano. Avançaremos, mantendo a boa qualidade das novas safras de crédito, fazendo créditos principalmente com garantias”, disse Marcelo Noronha, CEO do Bradesco, em nota.
Bradesco (BBDC4): inadimplência e provisões sob controle
A margem financeira, que considera a receita com crédito menos os custos de captação, somou R$ 17,2 bilhões no primeiro trimestre, um crescimento de 13,7% em relação ao mesmo período de 2024.
A margem financeira com o mercado — indicador que reflete a remuneração do banco com as operações de tesouraria — apresentou queda de 26,7% em relação ao primeiro trimestre do ano passado e de 45,1% na base trimestral, a R$ 462 milhões. Segundo o banco, o indicador foi impactado pelo menor
resultado com gestão de ativos e passivos (ALM).
Já a margem com clientes teve aumento de 15,5% no mesmo período em relação ao 1T24, a R$ 16,7 bilhões, impulsionada pelo melhor mix e crescimento do volume de crédito e pela maior margem com passivos em razão da melhor estratégia de captação.
A carteira de crédito expandida do Bradesco cresceu 12,9% frente ao mesmo intervalo de 2024 e 2,4% no comparativo com o trimestre imediatamente anterior, para R$ 1 trilhão.
“Já havíamos ajustado o nosso apetite ao risco no último quadrimestre do ano passado e por isso fomos mais seletivos na concessão de crédito, e ainda assim fizemos bons negócios. Mostramos a tração que temos em todos os segmentos de clientes e canais digitais. Nossa margem líquida cresceu. Continuamos focados no RAR [retorno ajustado ao risco] das operações”, disse o CEO.
Diante da estratégia de crescer mais em linhas com garantia, que possuem spreads menores, os níveis de inadimplência (NPLs) do banco também seguiram contidos.
O índice de devedores acima de 90 dias teve alta 0,1 ponto porcentual contra o quarto trimestre de 2024, mas recuo de 0,9 p.p na base anual, a 4,1%.
Enquanto isso, as provisões para devedores duvidosos (PDD) encolheram 2,2% no comparativo anual, mas avançaram 2,4% na comparação trimestral, para R$ 7,6 bilhões em perdas previstas no crédito no primeiro trimestre.
Por sua vez, o custo de crédito ficou estável em 3,0% no fim do mês de março.
O brilho dos seguros
Na avaliação do Bradesco (BBDC4), o desempenho da divisão de seguros foi um dos grandes destaques do trimestre.
As operações de seguros tiveram um resultado de R$ 5,3 bilhões entre janeiro e março, aumento de 32,7% na base anual, com lucro líquido de R$ 2,4 bilhões, alta de 25,3% frente ao mesmo período de 2024.
Por sua vez, a rentabilidade da seguradora foi de 22,4% no 1T25, contra 19,8% um ano antes.
O desempenho do grupo segurador foi ajudado pela queda na sinistralidade, que encerrou o trimestre na casa dos 70,9%.
Guidance do Bradesco inalterado
Ainda com uma gestão mais conservadora, o Bradesco (BBDC4) manteve o guidance (projeção) para 2025 inalterado, com desaceleração no ritmo do banco, em meio ao atual cenário de juros elevados do país.
Confira as principais estimativas:
- Carteira de Crédito Expandida: alta de 4% a 8%
- Margem Financeira Líquida (Margem Financeira Total – PDD Expandida): R$ 37 bi a R$ 41 bi
- Receitas de Prestação de Serviços: alta de 4% a 8%
- Despesas Operacionais (Pessoal + Administrativas + Outras): alta de 5% a 9%
- Resultado das Operações de Seguros, Previdência e Capitalização: alta de 6% a 10%
Essas projeções já consideram os efeitos do aumento de participação na Cielo e os impactos das mudanças contábeis impostas pela resolução 4.966 do Banco Central, em vigor desde 1º de janeiro.
O objetivo da mudança de norma pelo BC é alinhar as práticas contábeis e de gestão de riscos das instituições financeiras brasileiras a padrões internacionais, com um novo modelo de cálculo para perda esperada da carteira de crédito, além de alterar a classificação e mensuração de ativos.
"Como sugere o guidance, o crescimento das receitas será a principal razão de melhora da nossa rentabilidade no ano. Será um processo gradual e seguro, com controle do risco de crédito", disse a administração do Bradesco, no balanço.
Veja a performance do banco em relação ao guidance:

Tarifas e despesas
As receitas com prestação de serviços subiram 10,2% no período em relação ao ano passado, chegando a R$ 9,76 bilhões no primeiro trimestre de 2025.
Enquanto isso, as despesas operacionais subiram 12,3% no comparativo anual, encerrando o mês de março na casa de R$ 15 bilhões. Vale lembrar que os gastos foram impactados pelo aumento da participação do Bradesco na Cielo e pela aquisição do Banco John Deere.
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