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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

RESULTADO

Banco do Brasil (BBAS3) tem lucro de R$ 37,9 bilhões em 2024 e rentabilidade supera 21% no 4T24, mas peso do agronegócio continua

Enquanto a lucratividade e a rentabilidade chamam a atenção positivamente no 4T24, a inadimplência do agronegócio pressionou o resultado; veja os destaques

Camille Lima
Camille Lima
19 de fevereiro de 2025
18:37 - atualizado às 19:20
Logo do banco do Banco do Brasil (BBAS3)
Banco do Brasil (BBAS3). - Imagem: Shutterstock

O Banco do Brasil (BBAS3) anunciou nesta quarta-feira (19) um lucro líquido ajustado de R$ 9,6 bilhões no quarto trimestre de 2024. O montante corresponde a um avanço de 1,5% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 0,7% contra o trimestre passado.

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O resultado também veio acima das expectativas do mercado, que esperava um lucro médio de R$ 9,414 bilhões entre os últimos três meses de 2024, de acordo com estimativas compiladas pela Bloomberg.

No acumulado do ano, o lucro do BB somou R$ 37,9 bilhões, o que representa um avanço de 6,6% em relação a 2023.

Do lado da rentabilidade, o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE, na sigla em inglês) chegou a 21,4% no fim do quarto trimestre. 

A rentabilidade do Banco do Brasil esteve acima do esperado pelo mercado, de 20,1%, mas ainda abaixo dos níveis do Itaú Unibanco (ITUB4), que registrou um ROAE de 22,1% no trimestre.

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Todos os olhos na inadimplência

Ainda que as linhas de lucratividade e rentabilidade tenham chamado a atenção positivamente, um dos vilões do balanço do Banco do Brasil (BBAS3) no terceiro trimestre voltou a assombrar os números do bancão no fim do ano: a inadimplência.

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O índice de devedores acima de 90 dias teve alta de 0,4 ponto porcentual na comparação com o quarto trimestre de 2023, mas leve recuo de 0,01 p.p na base trimestral, a 3,32%.

Já as provisões para devedores duvidosos (PDD) encolheram 7,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior, para R$ 9,3 bilhões em perdas previstas no crédito ao fim do quarto trimestre de 2024.

A pressão sobre os indicadores do BB veio outra vez do aumento de calotes observado no setor de agronegócio, que continuam impactando os índices de inadimplência e a qualidade dos ativos do banco.

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Relembrando, o agronegócio — setor em que o BB é mais atuante — enfrentou problemas nos últimos meses. 

Com a redução no preço das commodities, as margens apertadas — com os produtores à espera do momento ideal para vender as safras — e os fenômenos climáticos extremos, empresas do setor entraram com sucessivos pedidos de recuperação judicial.  

Isso levou o Banco do Brasil a elevar as provisões em quase 30% na passagem do segundo para o terceiro trimestre

Passada a tempestade vista no ano passado, as perspectivas para os próximos meses, contudo, são positivas. 

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Segundo a CEO Tarciana Medeiros, a expectativa é que esse cenário negativo do agro se reverta em 2025 e que o setor ajude nos planos de expansão da carteira de crédito do banco, mesmo com os juros cada vez mais elevados no país.

Os destaques do balanço do Banco do Brasil (BBAS3) no 4T24

O Banco do Brasil (BBAS3) também viu a margem financeira, que considera a receita com crédito menos os custos de captação, desacelerar no quarto trimestre. O indicador subiu 4% em relação aos últimos 12 meses, para R$ 26,8 bilhões.

A margem financeira com o mercado — indicador que reflete a remuneração do banco com as operações de tesouraria — apresentou queda de 11,8% em relação ao quarto trimestre de 2023.

Já a margem com operações de crédito teve aumento de 5,6% no mesmo período.

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Por sua vez, a carteira de crédito ampliada do Banco do Brasil cresceu 15,3% em relação a igual intervalo de 2023 e 6,1% no comparativo com o trimestre imediatamente anterior, para R$ 1,3 trilhão. 

As receitas operacionais do Banco do Brasil (BBAS3) ficaram praticamente estáveis no período em relação ao mesmo período de 2023, chegando a R$ 36,8 bilhões no fim do quarto trimestre.

Enquanto isso, as despesas operacionais subiram 2,7% no comparativo anual, encerrando o mês de dezembro na casa de R$ 9,5 bilhões.

O que esperar do Banco do Brasil (BBAS3) em 2025

Para além dos números de 2024, o Banco do Brasil (BBAS3) também revelou as expectativas para este ano.

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A projeção do BB é atingir um lucro líquido entre R$ 37 bilhões e R$ 41 bilhões no acumulado de 2025, com um crescimento entre 5,5% e 9,5% da carteira de crédito.

Confira as estimativas (guidance) para 2025:

  • Carteira de crédito: 5,5% a 9,5%
    • Pessoas físicas: 7% a 11%
    • Empresas: 4% a 8%
    • Agronegócios: 5% a 9%
  • Margem financeira bruta: R$ 111,0 bilhões a R$ 115,0 bilhões
  • Perda esperada: R$ 38,0 bilhões a R$ 42,0 bilhões
  • Receitas de prestação de serviços: R$ 34,5 bilhões a R$ 36,5 bilhões
  • Despesas administrativas: R$ 38,5 bilhões a R$ 40,0 bilhões
  • Lucro líquido ajustado: R$ 37,0 bilhões a R$ 41,0 bilhões

    "O crescimento de crédito do Banco do Brasil continuará sustentável e equilibrado, com soluções e serviços aderentes ao nosso papel na sociedade brasileira e beneficiado pelas oportunidades da nossa atuação em cada canto do Brasil", afirmou Tarciana Medeiros, presidenta do Banco do Brasil, em nota.

    Segundo a CEO do BB, o objetivo é "continuar a ser protagonista no crédito consignado", em todas as verticais.

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    A executiva também afirmou que o banco continuará com um controle rigoroso de despesas, enquanto mantém os esforços em investimentos em tecnologia e pessoas.

    De olho nos dividendos

    O Banco do Brasil (BBAS3) também aprovou a distribuição de aproximadamente R$ 776,3 milhões em dividendos e de cerca de R$ 1,95 bilhão e juros sobre capital próprio (JCP) para os acionistas.

    Do lado dos dividendos, o valor por ação será de cerca de R$ 0,136, enquanto os acionistas receberão em torno de R$ 0,34259 por papel na forma de JCP.

    Vale lembrar que os JCP estão sujeitos à mordida do Leão, com retenção de 15% de imposto de renda na fonte.

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    Para ter direito à remuneração, é necessário possuir ações do BB até o fim do pregão de 11 de março. A partir do dia seguinte, os papéis passam a ser negociados “ex-direitos” e tendem a sofrer ajustes na cotação.

    Ou seja, o investidor pode optar por adquirir ações do Banco do Brasil no dia 11 de março e ter direito aos dividendos, ou esperar pelo dia 12 e comprar os papéis por um preço inferior, mas sem poder receber os proventos.

    Já o pagamento deve cair na conta dos acionistas em 20 de março de 2025.

    O conselho de administração do Banco do Brasil também aprovou o intervalo de payout de proventos aos acionistas para 2025, entre 40% e 45%. Os percentuais poderão ser depositados por meio de JCP ou por dividendos.

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    Segundo o fato relevante enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o BB irá depositar os proventos aos acionistas em oito fluxos, dos quais quatro pagamentos serão realizados ao longo dos
    trimestres de referência, de forma antecipada, e os depósitos restantes serão complementares, ao fim de cada trimestre.

    Veja as datas de pagamento dos dividendos estipuladas pelo banco:

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