Azul (AZUL4) tenta arrumar a casa com aumento de capital de até R$ 3,37 bilhões; papéis caem mais de 2% na B3
Segundo a companhia aérea, o aumento de capital está inserido no contexto da reestruturação e visa não só obter novos recursos financeiros; saiba quais são as outras finalidades da operação

A psicologia diz que o ato de arrumar a casa pode ajudar uma pessoa a se sentir melhor. No caso da Azul (AZUL4) não foi bem isso que aconteceu — não para os acionistas. A companhia aérea anunciou na noite de quinta-feira (20) um aumento de capital de até R$ 3,37 bilhões, provocando a queda das ações na B3 nesta sexta-feira (21).
AZUL4 recuou 2,16%, cotada a R$ 3,63. No mês, as perdas são ainda maiores, de 15,6%. No ano, no entanto, os ativos ainda estão positivos, acumulando ganho de 2,5%.
A notícia do aumento de capital da Azul vem em um momento no qual a companhia aérea tenta colocar ordem na casa e se aproxima de uma fusão com a Gol (GOLL4), que apresentou um plano de recuperação judicial nos EUA no fim do ano passado.
Para a empresa, a operação representa uma fonte de financiamento com a entrada de novos sócios. Para quem já tem ações da companhia aérea, no entanto, significa diluição do valor do ativo.
Os detalhes do aumento de capital da Azul — e a condição para a operação acontecer
O conselho de administração da Azul aprovou o aumento de capital mediante a subscrição privada de novas ações ordinárias (ON) e preferenciais (PN) no valor de, no mínimo, R$ 72 milhões e, no máximo, R$ 3,37 bilhões.
A operação prevê a emissão de 1,2 bilhão de novas ações ordinárias no piso e de 2 bilhões do topo. Além disso, inclui 722.279.696 de novos papéis preferenciais — todas nominativas e sem valor nominal, ao preço de emissão de R$ 0,06 para as ONs e R$ 4,50 para as PNs.
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No caso das preferenciais, o valor é 21,3% maior que o fechamento do papel no pregão de quinta-feira (20).
Segundo a Azul, a diferença entre o preço de emissão das novas ações ordinárias e preferenciais decorre exclusivamente da razão de 1:75 correspondente ao benefício econômico atribuído pelo Estatuto Social às ações preferenciais.
Portanto, todos os acionistas da companhia aérea estarão subscrevendo ações pelo preço economicamente equivalente.
A operação, no entanto, está condicionada à aprovação da alteração do limite do capital autorizado na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) marcada para 25 de fevereiro de 2025.
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Mais um passo na reestruturação
A Azul explica que o aumento de capital está inserido no contexto da reestruturação da companhia e visa não só obter novos recursos financeiros.
Segundo a empresa, a operação deve contribuir para melhorar a futura estrutura de capital e para aumentar a liquidez, além de ajudar na manutenção do enquadramento ao limite de 50% de ações preferenciais com voto restrito emitidas, tendo em vista que parcela dos créditos detidos pelos credores será convertida em ações preferenciais em razão das operações envolvidas na reestruturação.
Segundo a Azul, o aumento de capital contará com o apoio dos acionistas controladores da companhia, que subscreverão novas ações no contexto do aumento de capital.
A companhia aérea detalha ainda que preço de emissão das novas ações preferenciais foi fixado com base na perspectiva de rentabilidade futura, considerados os efeitos da reestruturação e o potencial desempenho financeiro futuro.
Também foi considerada a média ponderada por volume (VWAP) de cotação das ações preferenciais nos 30 pregões na B3, realizados no período de 9 de janeiro de 2025 a 19 de fevereiro de 2025, aplicado um ágio de, aproximadamente 7%.
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Esse não é o primeiro aumento de capital da Azul
No início do mês, a Azul anunciou que seu conselho de administração aprovou o aumento de capital da companhia em até R$ 6,1 bilhões.
Essa operação está ligada aos acordos firmados entre a Azul e determinados arrendadores e fornecedores de equipamentos que detêm parcela das obrigações de arrendamentos pendentes.
Neste caso, o aumento de capital da Azul ocorrerá por meio da aquisição privada de novas ações preferenciais, no valor de, no mínimo, R$ 1,5 bilhão e, no máximo, R$ 6,1 bilhões.
A companhia aérea emitirá, ao menos, 47 milhões de ações e, no máximo, 191 milhões de ações, ao preço de R$ 32,08 cada.
Você pode conferir os detalhes dessa operação aqui.
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A reestruturação de dívida da Azul e a fusão com a Gol
Em janeiro, a Azul concluiu o processo de reestruturação de dívidas que abrangeu a eliminação de cerca de US$ 1,6 bilhão em débitos do balanço patrimonial.
O valor inclui a conversão de aproximadamente US$ 557 milhões em obrigações relacionadas a ações de arrendadores e fabricantes em novas ações preferenciais da Azul, com emissão prevista para o primeiro trimestre de 2025.
A companhia também trocou US$ 243,6 milhões em notas existentes por novos acordos comerciais e fez ajustes nos prazos de vencimento de outras dívidas, com a inclusão de juros incorporados ao principal.
Com a finalização do processo, a Azul também levantou US$ 525 milhões por meio da emissão das notas superprioritárias, que incluem uma opção de pagamento de juros em dinheiro ou com a inclusão dos mesmos no valor principal.
O financiamento foi crucial para a reestruturação da dívida da empresa e para garantir uma maior flexibilidade financeira no futuro, de acordo com a própria Azul na ocasião.
Com a reestruturação, a Azul conseguiu melhorar a estrutura de capital e reduzir a alavancagem dos últimos 12 meses, passando de 4,8x para 3,4x, com base nos números do terceiro trimestre de 2024.
Além disso, no começo do ano, a Azul e a Gol firmaram acordo com a Advocacia-Geral da União (AGU) para regularizar dívidas previdenciárias e fiscais no valor de cerca de R$ 7,5 bilhões, somando as duas empresas — sendo R$ 5 bilhões relativos à Gol.
Outro assunto que sobrevoa a Azul é uma possível fusão com a Gol, controlada pela Abra.
Em meados de janeiro, as duas companhias assinaram um memorando de entendimentos não vinculante (MoU) para avaliar uma combinação entre os negócios.
Caso a fusão seja concretizada, Azul e Gol manterão certificações operacionais separadas, mas estarão sob uma única entidade listada. O objetivo é combinar outras áreas para ampliar as ofertas e produtos aos clientes, além de gerar sinergias e melhorar a eficiência.
Juntas, as duas companhias teriam uma participação aproximada de 60% no mercado nacional, superando os 40% da rival Latam, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Além disso, Azul e Gol juntas valem mais de R$ 2 bilhões na bolsa brasileira.
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