Americanas (AMER3) cobra indenização de ex-CEO e diretores acusados de fraude em novo processo arbitral; ações sobem na B3
O objetivo da ação é “ser integralmente ressarcida de todos os danos materiais e imateriais sofridos em decorrência dos atos ilícitos praticados”, segundo a varejista

Após mais de dois anos desde a revelação da fraude, a Americanas (AMER3) entrou com um novo processo para cobrar indenização dos executivos envolvidos no rombo contábil multibilionário na varejista.
A companhia está processando o ex-CEO, Miguel Gutierrez e os ex-diretores estatutários Anna Christina Ramos Saicali, José Timótheo de Barros e Márcio Cruz Meirelles.
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A ação já havia sido aprovada pelos acionistas em assembleia geral extraordinária (AGE) realizada em dezembro do ano passado.
Segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o objetivo da ação é “ser integralmente ressarcida de todos os danos materiais e imateriais sofridos em decorrência dos atos ilícitos praticados, e que serão ainda detalhadamente apresentados durante a tramitação do procedimento”.
É importante destacar que esse tipo de processo conta com elevados custos e complexidade. Não à toa, a Americanas também requer no processo o reembolso de custas e despesas da empresa na arbitragem.
As ações da Americanas operam em alta hoje. Por volta das 11h25, os papéis AMER3 subiam 3,69%, cotados a R$ 6,74. No acumulado de 12 meses, porém, a varejista ainda marca desvalorização de 87% na bolsa.
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Relembre a crise na Americanas (AMER3)
Foi em 11 de janeiro de 2023 que o mercado se deparou pela primeira vez com notícias de inconsistências contábeis na varejista. Após adiar várias vezes seu balanço, foi confirmado um rombo multibilionário estimado em R$ 25,2 bilhões.
Além disso, o “maior lucro da história” da Americanas em 2021 se converteu em um prejuízo líquido de mais de R$ 6 bilhões — em perdas que começaram a se amontoar nos meses que se seguiram.
A revelação do buraco nos balanços da gigante do varejo levou a empresa à recuperação judicial e à fuga de investidores com temores sobre a saúde financeira da companhia.
Aliás, a crise na varejista foi tamanha que a empresa acabou por perder (ao menos temporariamente) o selo do Novo Mercado, o patamar mais elevado de governança corporativa da B3.
Após a identificação das inconsistências, a Americanas encontrou evidências que indicavam que a diretoria anterior vinha fraudando as demonstrações financeiras e realizando esforços para ocultar do conselho de administração e do mercado a real situação de resultado.
- Reportagem especial: Dois anos da fraude na Americanas (AMER3): derrocada das ações, retomada do lucro e punições a executivos. O que aconteceu com a varejista e como ficam os acionistas agora?
A varejista revelou ainda indícios de participação na fraude do ex-CEO Miguel Gutierrez, dos ex-diretores estatutários, Anna Christina Ramos Saicali, José Timótheo de Barros e Márcio Cruz Meirelles, e dos ex-executivos Fábio da Silva Abrate, Flávia Carneiro e Marcelo da Silva Nunes.
Gutierrez saiu da Americanas em dezembro de 2022. Já Timótheo de Barros foi afastado em fevereiro de 2023 e comunicou sua renúncia em 1º de maio de 2023.
Quanto aos demais executivos, o conselho aprovou os desligamentos e afastamentos de suas funções executivas desde o dia 03 de fevereiro de 2023.
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