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Embora tenha aprovado, os EUA alega que parte das reclamações brasileiras envolve temas de “segurança nacional”

O impasse comercial entre Brasil e Estados Unidos ganhou um novo árbitro. O governo norte-americano aceitou a consulta feita no início de agosto pela gestão Lula na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Com a aprovação, é iniciada uma disputa comercial, em que o órgão internacional busca mediar um diálogo entre as partes na tentativa de um acordo. Porém, caso as negociações não deem frutos em até 60 dias, o Brasil poderá pedir a abertura de um painel de julgamento.
O governo brasileiro acionou, no início deste mês, a OMC contra as tarifas de 50% impostas pelo presidente Donald Trump. Porém, o republicano já mandou avisar que a taxação está fora do debate.
Os Estados Unidos argumentaram que parte das alegações brasileiras envolve temas de “segurança nacional”, que não podem ser revistas dentro da entidade, como o tarifaço.
Porém, a consulta do Brasil também envolve uma investigação aberta pelo Escritório do Representante Comercial americano (USTR, na sigla em inglês), nos termos da Seção 301. O Seu Dinheiro contou essa história aqui.
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Segundo o documento divulgado pela OMC, a solicitação do Brasil inclui certas ações tarifárias dos Estados Unidos que estão “em conformidade” com a Lei de Emergências Nacionais e a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, relacionadas a questões de segurança nacional.
"O Presidente determinou que essas ações eram necessárias para lidar com a emergência nacional decorrente de condições refletidas em grandes e persistentes déficits anuais no comércio de bens dos EUA com parceiros comerciais, ameaçando a segurança nacional e a economia dos Estados Unidos”.
Vale lembrar, no entanto, que o Brasil não acumula superávit com os norte-americanos. Inicialmente, as tarifas anunciadas contra o país eram as taxas mínimas impostas por Trump. Porém, devido ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, o aliado norte-americano subiu o tom e impôs uma alíquota de 50%.
Já os diplomatas norte-americanos afirmam que as tarifas aplicadas contra o Brasil são “relacionadas a questões de segurança nacional”, de modo que “não são suscetíveis de revisão ou de resolução por meio de solução de controvérsias na OMC”.
Em relação à investigação nos termos da Seção 301, o governo norte-americano avalia que “indica apenas que as barreiras tarifárias e não tarifárias ‘merecem uma investigação completa’ e ‘ações potencialmente responsivas’”.
O governo Trump, portanto, considera que a solicitação do Brasil com relação à investigação da Seção 301 não se refere a medidas que afetem a operação de qualquer acordo internacional, já que foram tomadas dentro do território de um membro da OMC, o que significa que não atende aos requisitos para uma solicitação de consultas.
"Sem prejuízo dessas opiniões, os Estados Unidos aceitam o pedido do Brasil para iniciar consultas. Estamos prontos para conversar com autoridades de sua missão sobre uma data mutuamente conveniente para as consultas", completa o documento do governo norte-americano apresentado à OMC.
O texto ainda reconhece que cada membro da OMC mantém a autoridade para determinar por si próprio as medidas que considera necessárias à proteção de seus interesses essenciais de segurança.
Como a OMC tem enfrentado um processo de esvaziamento do mecanismo de solução de controvérsias, a disputa comercial acaba tendo mais efeitos políticos e simbólicos do que consequências práticas.
Ainda assim, o Brasil acusa os Estados Unidos de violarem regras do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT, organismo precursor da OMC) e do Entendimento sobre Solução de Controvérsias (DSU).
Entre os principais pontos levantados pelo governo brasileiro estão:
O Itamaraty informou que pretende incluir novos elementos e acusações ao longo do processo, caso a disputa avance para um painel.
*Com informações da Agência Brasil e Estadão Conteúdo.
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