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NOVO ÁRBITRO

EUA e Brasil vão chegar a um acordo? Governo Trump aceita discutir na OMC medidas econômicas contestadas pelo Itamaraty

Embora tenha aprovado, os EUA alega que parte das reclamações brasileiras envolve temas de “segurança nacional”

Montagem com Trump usando terno azul escuro, camisa branca e gravata vermelha na metade esquerda da foto e Lula usando terno azul marinho, camisa branca e gravata listrada do lado direito
Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva - Imagem: Casa Branca e Agência Brasil

O impasse comercial entre Brasil e Estados Unidos ganhou um novo árbitro. O governo norte-americano aceitou a consulta feita no início de agosto pela gestão Lula na Organização Mundial do Comércio (OMC).

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Com a aprovação, é iniciada uma disputa comercial, em que o órgão internacional busca mediar um diálogo entre as partes na tentativa de um acordo. Porém, caso as negociações não deem frutos em até 60 dias, o Brasil poderá pedir a abertura de um painel de julgamento.

O governo brasileiro acionou, no início deste mês, a OMC contra as tarifas de 50% impostas pelo presidente Donald Trump. Porém, o republicano já mandou avisar que a taxação está fora do debate.

Os Estados Unidos argumentaram que parte das alegações brasileiras envolve temas de “segurança nacional”, que não podem ser revistas dentro da entidade, como o tarifaço.

Porém, a consulta do Brasil também envolve uma investigação aberta pelo Escritório do Representante Comercial americano (USTR, na sigla em inglês), nos termos da Seção 301. O Seu Dinheiro contou essa história aqui.

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Uma questão de segurança nacional?

Segundo o documento divulgado pela OMC, a solicitação do Brasil inclui certas ações tarifárias dos Estados Unidos que estão “em conformidade” com a Lei de Emergências Nacionais e a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, relacionadas a questões de segurança nacional.

"O Presidente determinou que essas ações eram necessárias para lidar com a emergência nacional decorrente de condições refletidas em grandes e persistentes déficits anuais no comércio de bens dos EUA com parceiros comerciais, ameaçando a segurança nacional e a economia dos Estados Unidos”. 

Vale lembrar, no entanto, que o Brasil não acumula superávit com os norte-americanos. Inicialmente, as tarifas anunciadas contra o país eram as taxas mínimas impostas por Trump. Porém, devido ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, o aliado norte-americano subiu o tom e impôs uma alíquota de 50%.

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Já os diplomatas norte-americanos afirmam que as tarifas aplicadas contra o Brasil são “relacionadas a questões de segurança nacional”, de modo que “não são suscetíveis de revisão ou de resolução por meio de solução de controvérsias na OMC”.

Em relação à investigação nos termos da Seção 301, o governo norte-americano avalia que “indica apenas que as barreiras tarifárias e não tarifárias ‘merecem uma investigação completa’ e ‘ações potencialmente responsivas’”.

O governo Trump, portanto, considera que a solicitação do Brasil com relação à investigação da Seção 301 não se refere a medidas que afetem a operação de qualquer acordo internacional, já que foram tomadas dentro do território de um membro da OMC, o que significa que não atende aos requisitos para uma solicitação de consultas.

"Sem prejuízo dessas opiniões, os Estados Unidos aceitam o pedido do Brasil para iniciar consultas. Estamos prontos para conversar com autoridades de sua missão sobre uma data mutuamente conveniente para as consultas", completa o documento do governo norte-americano apresentado à OMC.

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O texto ainda reconhece que cada membro da OMC mantém a autoridade para determinar por si próprio as medidas que considera necessárias à proteção de seus interesses essenciais de segurança.

O que esperar das negociações entre Brasil e EUA na OMC?

Como a OMC tem enfrentado um processo de esvaziamento do mecanismo de solução de controvérsias, a disputa comercial acaba tendo mais efeitos políticos e simbólicos do que consequências práticas.

Ainda assim, o Brasil acusa os Estados Unidos de violarem regras do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT, organismo precursor da OMC) e do Entendimento sobre Solução de Controvérsias (DSU).

Entre os principais pontos levantados pelo governo brasileiro estão:

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  • Violação do princípio de tratar todos os membros da OMC de forma igualitária, ao isentar alguns parceiros comerciais e punir o Brasil;
  • Tarifas acima do limite: alíquota de 50% supera os níveis acordados pelos próprios Estados Unidos na OMC;
  • Tratamento discriminatório: sobretaxa traz condições menos favoráveis ao Brasil em relação às previstas na lista oficial de concessões comerciais dos Estados Unidos;
  • Descumprimento das regras de solução de controvérsias: segundo o Brasil, punições unilaterais dos Estados Unidos violam procedimentos previstos nos acordos multilaterais.

O Itamaraty informou que pretende incluir novos elementos e acusações ao longo do processo, caso a disputa avance para um painel.

*Com informações da Agência Brasil e Estadão Conteúdo.

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