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A consulta pública propõe elevar o teto de captação e, também, suprimir o teto de faturamento.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) iniciou nesta quarta-feira (24) uma consulta pública sobre a proposta de novas regras para as ofertas de crowdfunding, atualmente reguladas pela Resolução 88.
As chamadas "ofertas de crowdfunding" atualmente se referem a ofertas públicas de distribuição de valores mobiliários, realizadas por empresas de pequeno porte, com até R$ 40 milhões de receita bruta anual. O processo é realizado por meio de plataformas eletrônicas de investimento participativo, com dispensa de registro.
As captações podem atingir R$ 15 milhões anuais pela regra atual, mas a consulta pública propõe elevar o teto de captação e, também, suprimir o teto de faturamento.
"É uma reforma tão substancial que estamos propondo uma nova norma", comentou Antonio Berwanger, superintendente de Desenvolvimento de Mercado (SDM) da CVM.
"A norma atual para o tema é nova, mas é um mercado que evolui rápido. Sabíamos que exigiria acompanhamento constante da CVM", complementou.
Conforme a proposta da reguladora, três novos tipos de participantes poderão fazer emissões: securitizadoras registradas na CVM, produtores rurais pessoa física e cooperativas agropecuárias.
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O texto também indica que devem ser criados anexos informacionais específicos para cada tipo de emissor e que serão exigidos indicadores de desempenho das plataformas.
As securitizadoras se tornaram participantes importantes deste segmento a partir dos ofícios circulares que reconheceram a possibilidade de oferta, via crowdfunding, de tokens representativos de certificados de recebíveis e de outros títulos de securitização emitidos por companhias securitizadoras de capital fechado.
Desde então, observou-se crescimento expressivo nas ofertas e volumes captados: de R$ 220 milhões em 2023 para R$ 1,5 bilhão em 2024, sendo 70% das ofertas e 76% do volume relacionados a certificados de recebíveis, destacou Berwanger.
Além disso, o documento propõe que deixe de haver limite de faturamento para empresas não registradas na CVM.
"A consequência é ter um universo maior de emissores que podem usar o crowdfunding. Mas não esperamos a chegada de emissores muito grandes, pois o limite de captação já se presta a fazer uma linha de corte", comentou o superintendente.
A consulta pública propõe que o teto para captação seja de R$ 25 milhões para sociedades empresárias e cooperativas agropecuárias; R$ 50 milhões para securitizadoras; e R$ 2,5 milhões por safra para produtores rurais.
Em relação a transações subsequentes, a consulta traz a possibilidade de recompra de valores mobiliários pelos emissores e revisão do conceito de "investidor ativo".
Também foi proposta a conversão do limite global de investimento em limite por plataforma e a inclusão da possibilidade de reinvestimento de valores recebidos no mesmo ano-calendário sem que sejam computados para efeito do limite anual.
Outro ponto destacado pela reguladora foi a possibilidade de integração entre plataformas de crowdfunding e instituições tradicionais do sistema de distribuição de valores mobiliários.
A CVM também está mirando, com a consulta, na diversificação dos investimentos de varejo, com o fortalecimento do sindicato de investimento participativo e com possibilidade de comprometimento prévio de recursos em teses lideradas por investidores líderes, registrados como gestores.
A consulta traz ainda adaptações nos procedimentos das ofertas, com ajustes nas regras de lock up — cláusula que impede a venda de ativos por um determinado período —, na definição de valores mínimos e máximos de captação. Abrange ainda a flexibilização do lote adicional em determinadas ofertas.
Além disso, o texto propõe um período de adaptação, com regras transitórias, especialmente para as securitizadoras já atuantes, que terão prazo para requerer registro junto à CVM sem interrupção das ofertas.
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