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VAI PIORAR ANTES DE MELHORAR

Brasil deve se tornar emergente mais endividado nos próximos anos, diz Fitch; mas há espaço para recuperar grau de investimento

Agência de risco avalia cenário macroeconômico, projeções de dívida e os desafios políticos que impedem o avanço do país rumo ao grau de investimento

Bandeira do Brasil, situação fiscal
Imagem: Canva Pro/Montagem Seu Dinheiro

A situação fiscal do Brasil continua sendo seu "calcanhar de Aquiles", impedindo o retorno do país ao grau de investimento, perdido há uma década. 

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Esta é a análise de Todd Martinez, co-chefe de títulos soberanos da América Latina da Fitch Ratings. Em entrevista ao Estadão, ele indica que uma solução para o dilema fiscal só será possível após as eleições de 2026. 

Segundo Martinez, neste momento, a principal fraqueza do Brasil é a falta de consenso político entre os poderes Executivo e Legislativo para avançar com a consolidação fiscal. 

Enquanto o governo busca medidas de receita via impostos, o Congresso prioriza cortes de gastos, mas dificulta essa direção. Iniciativas como a derrubada do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e o volume das emendas parlamentares são classificadas como contraditórias para esse objetivo. 

O co-chefe da Fitch acredita que existe um consenso político de que o Brasil precisa de uma reforma fiscal mais profunda, mas a janela apropriada para esse debate só virá depois das eleições de 2026.

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Retomada do grau de investimento

Essa agenda é fundamental para que o país crie condições de recuperar o grau de investimento. 

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Martinez aponta que os ajustes devem passar pela estabilização da relação dívida/PIB, melhora expressiva no resultado primário e reformas difíceis no lado dos gastos, como mudanças em programas sociais e reformas administrativas. 

Mas nada disso deve vir no curto prazo. Tanto que Martinez diz na entrevista que a expectativa é de que a situação do Brasil piore antes de melhorar. 

A agência projeta que o Brasil se tornará o país mais endividado entre os maiores mercados emergentes nos próximos anos, superando a África do Sul e a Índia. 

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A relação entre a dívida e o Produto Interno Bruto (PIB) do país deve atingir 79,3% em 2025 e crescer a um ritmo anual de 3 pontos percentuais. 

Para se ter uma ideia do quão elevada é essa taxa de dívida/PIB, a mediana de outros países com o mesmo rating é de 53%. 

… mas o Brasil tem pontos positivos 

Apesar dos desafios fiscais, a Fitch mantém o rating do Brasil em BB com perspectiva estável. 

Martinez afirma que as finanças externas do país são muito robustas, com um déficit em conta corrente que, embora tenha aumentado, permanece “administrável”. Além disso, o investimento estrangeiro direto (IED) é visto como forte, e o mercado de capitais, como desenvolvido. 

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Adicionalmente, a Fitch avalia que o Brasil tem a capacidade de se financiar quase inteiramente no mercado doméstico, sem depender de recursos externos. 

O Banco Central também foi avaliado como uma instituição forte e crível, que atua como uma âncora para a confiança, embora “enfrente alguns ventos contrários da política fiscal”. 

Essas são forças duradouras do país. 

Tarifas de Trump não devem abalar o país

Em relação às tarifas de 50% impostas por Donald Trump ao Brasil, a agência avalia que a baixa exposição comercial do Brasil aos EUA deve limitar os possíveis danos. 

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Martinez afirma que o Brasil é uma economia muito fechada quando se pensa na parcela de exportações e importações no PIB. Para ele, isso tem sido uma fraqueza, mas também uma força para o país.

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