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Muito além dos bunkers: o refúgio construído por bilionários para escapar do ‘fim do mundo’ na Argentina

Um grupo de bilionários acredita que o fim do mundo está próximo — e parecem ter encontrado o refúgio ideal na Argentina de Milei.

Martin Varsavsky
Martin Varsavsky, quem detém 50% de Wamani - Imagem: Wikimedia Commons

Talvez o apocalipse não esteja tão restrito aos livros de ficção científica quanto imaginamos. Pelo menos é o que parecem pensar alguns executivos bilionários. Na visão de um grupo de CEOs do setor de tecnologia, o fim está próximo.

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“Já estamos na Terceira Guerra Mundial. As linhas de batalha já estão traçadas”, afirmou certa vez Martín Varsavsky, empresário e investidor hispano-argentino. Nesse contexto, “faz sentido ter um refúgio”, disse ele em uma entrevista recente ao jornal britânico Financial Times.

Foi exatamente nessa tese que ele e outros cinco empreendedores apostaram ao dispor de U$ 10 milhões e construir, há três anos, o rancho Wamani.

Localizado no extremo oeste da Argentina, nas encostas dos Andes, o Wamani ocupa uma área de cerca de 32 mil hectares. O espaço reúne pequenas casas pré-fabricadas, cúpulas geodésicas e uma pista de pouso.

O objetivo é único e claro: alcançar a autossuficiência. E essa não é uma ambição exclusiva de Varsavsky e dos outros cinco cofundadores do Wamani.

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Tendência peculiar no ramo

Adquirir um refúgio para um eventual "fim do mundo" está na wishlist de muitos executivos. Reid Hoffman, fundador do LinkedIn, estimou certa vez que metade dos bilionários do Vale do Silício possuía algum tipo de "seguro apocalipse".

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Casos como o de Mark Zuckerberg ajudam a ilustrar a tendência. O fundador da Meta, por exemplo, possui um abrigo em seu complexo no Havaí. Mas Varsavsky almeja ir além de simplesmente se trancar em bunkers.

O empresário pretende expandir a autossuficiência da propriedade com a criação de gado e o cultivo de plantações em áreas vizinhas. Também são estudadas formas de manter infraestrutura tecnológica própria em um cenário de colapso global, usufruindo de energia solar.

Segundo ele, o interesse pela região está ligado ao seu potencial como refúgio em cenários de crise. A avaliação considera fatores como a distância dos principais focos de conflito, o menor risco de contaminação por radiação e a abundante capacidade de produção de alimentos e energia.

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Seria como se, em sua visão, "de todos os lugares para onde alguém poderia ir em caso de Terceira Guerra Mundial, a Argentina é o melhor". Foi por isso que surgiu o rancho Wamani — palavra em quíchua para "guardião das montanhas”.

Uma questão de segurança. Somente isso?

Varsavsky comprou o Wamani poucas semanas após a eleição de Javier Milei. Apesar da proximidade entre o empresário e o presidente, ele não foi o único atraído pela atual fase política da Argentina.

Segundo o Financial Times, as políticas pró-mercado de Milei despertaram interesse em parte do Vale do Silício, incluindo bilionários como o alemão Peter Thiel, que adquiriu uma mansão em Buenos Aires.

A atração, porém, não é apenas econômica. Ao Financial Times, Varsavsky afirmou que alguns empresários de tecnologia veem o país como uma espécie de “remanescente de uma Europa mais tradicional”.

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Segundo ele, a Argentina “preservaria com mais orgulho sua herança civilizacional ocidental” — algo que, em sua visão, teria se perdido em parte da Europa e dos Estados Unidos.

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.

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