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CRIPTO E AS TARIFAS

Bitcoin supera US$ 116 mil; com tarifas no radar, BTC pode servir como reserva de valor, em meio à desvalorização do real

Alta histórica do bitcoin pode servir como proteção para investidores brasileiros em meio à disputa comercial com os Estados Unidos

Quem é Satoshi Nakamoto? HBO diz que vai revelar identidade do criador do bitcoin (BTC) hoje
Imagem: Divulgação HBO

O bitcoin (BTC) pisou fundo no acelerador nesta quinta-feira (10) e renovou mais uma vez sua máxima histórica, ultrapassando os US$ 116 mil. O movimento dá fôlego ao mercado global de criptomoedas justamente num momento de forte tensão para investidores brasileiros.

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A quarta-feira, 9 de julho de 2025, entrou para a história com o anúncio dos Estados Unidos de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, abalando o mercado. Para uma classe de ativos conhecida pela volatilidade, no entanto, o cenário é bem diferente.

Por volta das 18h30, o ativo digital registrava uma alta de 4,57% nas últimas 24h, segundo dados do CoinMarketCap.

E para o investidor brasileiro, que vê o dólar disparar frente à nova realidade comercial, o cenário é ainda mais promissor. No mesmo período de tempo, a cotação do BTC em real avançou cerca de 6%, rompendo os R$ 636 mil.

Segundo análise do Mercado Bitcoin (MB), uma das maiores plataformas de criptoativos da América Latina, o atual cenário reforça a tese do bitcoin como reserva de valor para investidores brasileiros.

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“Em tempos de incerteza econômica e cambial, o bitcoin surge como alternativa de hedge. Se o contexto se mantiver, poderá haver aumento da demanda de cripto no Brasil, principalmente por quem vê o bitcoin como reserva de valor”, diz nota da empresa.

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Outras criptomoedas também surfam na onda da alta histórica. Nas últimas 24 horas, ethereum (ETH) acumula ganhos de 5,72%, enquanto solana (SOL) sobe 3,75% e XRP avança 5,51%.

Confira o desempenho atualizado das dez maiores criptomoedas do mundo:

#Nome (Símbolo)Preço (USD)24h7dYTDMarket Cap (USD)
1Bitcoin (BTC)US$ 116.196,544,57%5,85%24,41%US$ 2,31 tri
2Ethereum (ETH)US$ 2.905,235,72%11,98%-12,79%US$ 350,71 bi
3Tether (USDT)US$ 1,00-0,02%-0,02%0,24%US$ 158,85 bi
4XRP (XRP)US$ 2,535,51%11,71%22,07%US$ 149,97 bi
5BNB (BNB)US$ 681,892,13%2,95%-2,73%US$ 94,98 bi
6Solana (SOL)US$ 163,013,75%6,65%-13,85%US$ 87,33 bi
7USDC (USDC)US$ 1,00-0,03%-0,02%-0,02%US$ 62,84 bi
8Dogecoin (DOGE)US$ 0,195,10%10,83%-39,50%US$ 28,66 bi
9TRON (TRX)US$ 0,290,72%1,94%14,84%US$ 27,67 bi
10Cardano (ADA)US$ 0,677,03%11,06%20,97%US$ 23,60 bi
Fonte: CoinMarketCap

Bitcoin: o novo porto seguro?

Para Thiago Fagundes, diretor de negócios do MB, o atual cenário pode reforçar o papel do ativo como reserva de valor, especialmente em tempos de desvalorização do real.

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"Menos exportações significam menos dólares entrando no Brasil, o que já provocou uma desvalorização do real frente ao dólar. Essa desvalorização aumenta automaticamente o preço do bitcoin e de outras criptomoedas cotadas em dólar quando convertidas para reais, mesmo sem alteração no valor global dos ativos."

O argumento do BTC como proteção patrimonial não é novo, mas ganhou força no último trimestre devido à estabilidade incomum da criptomoeda, movimento interpretado por alguns analistas como um sinal de amadurecimento do mercado.

Nesse contexto, muitos investidores passam a considerar o ativo como forma de dolarizar a carteira e, quem sabe, garantir bons retornos. No novo cenário comercial brasileiro, essa estratégia pode ganhar destaque, porém ainda é essencial avaliar bem o perfil dos investimentos.

"Para quem já tem exposição ao Bitcoin, faz sentido avaliar se o atual momento de alta no preço em reais representa uma oportunidade de rebalanceamento da carteira", afirma Fagundes.

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Por outro lado, "para quem está fora do mercado, pode ser prudente aguardar a estabilização do câmbio ou uma definição mais clara sobre as retaliações ou negociações entre Brasil e EUA", diz .

Desse modo, a cautela segue necessária.

"Se houver uma solução diplomática rápida, a tensão cambial pode arrefecer e corrigir o preço do real. O Bitcoin segue como um ativo volátil e globalmente exposto a outros riscos — regulatórios e macroeconômicos globais."

To the moon

Dois fatores adicionais explicam o otimismo atual com o bitcoin. O primeiro foi a divulgação da ata da última reunião do Fomc (equivalente norte-americano ao Copom), indicando uma inclinação de alguns membros do Federal Reserve (Fed) por cortes na taxa de juros já na próxima reunião, no fim deste mês. 

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Já o segundo fator é o crescente interesse institucional pelas criptomoedas. 

Por trás do movimento de alta podem ser encontradas fortes entradas em ETFs, adoção corporativa constante por empresas que mantêm tesouraria em criptoativos, além de um ambiente regulatório cada vez mais favorável, afirmou Gerry O'Shea, chefe global de análise de mercado da Hashdex.

"Embora o cenário macroeconômico continue incerto, acreditamos que o mercado de alta está longe de terminar. Novos catalisadores, incluindo o acesso ao bitcoin por meio de mais plataformas institucionais, podem ajudar a impulsionar o preço do BTC para US$ 140 mil ou mais ainda neste ano", diz o executivo, em nota.

Já para Guilherme Prado, country manager da Bitget no Brasil, o cenário positivo é sustentado por fundamentos sólidos, como a redução das reservas de bitcoin em exchanges e um fluxo institucional positivo, além do atual contexto de discussões sobre políticas monetárias e tarifárias nos EUA, que afetam o apetite global por risco.

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“A tendência de curto prazo para o BTC é altista, com fundamentos sólidos e momentum positivo. O rompimento acima de US$ 112 mil pode levar o bitcoin rapidamente a buscar US$ 115 mil e, possivelmente, US$ 120 mil”, completa Prado.

*Com informações do Money Times e Coindesk

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