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Camille Lima

Camille Lima

Repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap.

NÃO DEIXOU BARATO

Na mira de Xi Jinping: China impõe sanções à Boeing e mais duas empresas dos EUA por venda de armas a Taiwan

A medida é a mais recente de uma série de sanções anunciadas pelo Gigante Asiático nos últimos anos contra companhias pelo fornecimento de armamento a Taipé

Camille Lima
Camille Lima
20 de maio de 2024
19:22 - atualizado às 18:57
guerra comercial eua china taiwan
Imagem: Shutterstock

O xadrez geopolítico entre a China e os Estados Unidos acaba de ganhar um novo contorno. O Ministério do Comércio chinês anunciou sanções contra a Boeing e outras duas empresas norte-americanas pela venda de armas a Taiwan.

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O Ministério colocou a unidade de Defesa, Espaço e Segurança da Boeing, a General Atomics Aeronautical Systems e a General Dynamics Land Systems, na lista de “entidades não confiáveis”.

"Tais medidas estão sendo tomadas para salvaguardar os interesses de soberania, segurança e desenvolvimento nacionais da China", disse a pasta, em comunicado.

Com a decisão, as companhias serão impedidas de se envolver em atividades de importação ou exportação relacionadas à China e estarão proibidas de fazer novos investimentos na China futuramente — e a alta administração dessas empresas também estará banida de viagens para o país.

A medida é a mais recente de uma série de sanções anunciadas pelo Gigante Asiático nos últimos anos contra companhias de defesa pela venda de armamento a Taiwan — uma ilha autogovernada que a China considera como parte do seu próprio território.

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Já Lai Ching-te, o novo presidente de Taiwan, que assumiu a posição nesta segunda-feira (20), prometeu fortalecer a segurança da ilha através da importação de caças avançados e outras tecnologias e do fortalecimento da sua indústria de defesa interna.

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É importante lembrar que a eleição de um novo líder em Taiwan, em meados de janeiro deste ano, carregava consequências geopolíticas relevantes para a dinâmica no Estreito de Taiwan e as relações entre as duas maiores potências econômicas do planeta.

  • [Relatório cortesia da Empiricus Research] Estrategista-chefe da casa libera conteúdo com recomendações de investimento e comentários sobre o cenário macro. Veja o que Felipe Miranda tem a dizer sobre Israel-Irã, dólar, juros nos EUA e meta fiscal, clicando AQUI.

China vs. EUA: o papel de Taiwan

Vale ressaltar que Taiwan desempenha um papel estratégico crucial, sendo um centro vital na produção de semicondutores de ponta. Além disso, sua localização no Pacífico, próxima à costa chinesa, é fundamental nas dinâmicas militares entre os dois países.

“Não importa como a situação política na ilha de Taiwan mude, nada mudará os fatos históricos e legítimos de que ambos os lados através do Estreito de Taiwan pertencem a uma China, nem a tendência histórica que a China será finalmente reunificada”, disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China nesta segunda-feira (20).

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A China tem realizado exercícios militares regulares em torno da ilha — sobrevoando com caças e navegando em navios de guerra perto da região — nos últimos anos para pressionar Taiwan a aceitar a reivindicação de soberania de Pequim.

Além disso, Taiwan é exatamente a peça que falta para que a China complete seu quebra-cabeça de reunificação, em busca do conceito de “Uma Só China”. 

O rompimento aconteceu em 1949. Desde então, o dragão asiático reivindica Taipé como parte integrante de seu território, alegando que a ilha é uma província separatista e será reincorporada.

Atualmente, Taiwan é plenamente reconhecido por pouco mais de uma dúzia de países. Nem mesmo os EUA mantêm relações diplomáticas plenas com Taipé nem reconhece formalmente o governo.

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As sanções da China 

Em abril, a China congelou ativos da General Atomics Aeronautical Systems, que fabrica sistemas aéreos não tripulados, e da General Dynamics Land Systems, fabricante de veículos militares, mantidos no país.

De acordo com números operacionais da empresa, a General Dynamics opera meia dúzia de operações da subsidiária de jatos executivos Gulfstream e outros serviços de aviação na China — que continua fortemente dependente de tecnologia aeroespacial estrangeira.

A companhia estaria vendendo os jatos Gulfstream para Taiwan, além de ajudar a fabricar o tanque Abrams, que está sendo adquirido pela ilha a fim de resistir a uma invasão da China.

Já a General Atomics produz drones Predator e Reaper usados ​​pelos militares dos EUA — mas não se sabe quais armas a companhia vende para Taiwan, se vender de fato.

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Na época, Pequim afirmou que a venda de armas “interferia seriamente” nos seus assuntos internos e “prejudicava” a soberania e a integridade territorial da China.

“A contínua venda de armas pelos Estados Unidos à região chinesa de Taiwan é uma violação grave do princípio de Uma Só China e das disposições dos três comunicados conjuntos dos Estados Unidos e da China”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores chinês.

Há dois anos, a China anunciou sanções contra Ted Colbert, CEO da Boeing Defesa, Espaço e Segurança, depois que a empresa ganhou um contrato de US$ 355 milhões para fornecer mísseis para Taiwan.

Vale lembrar que a empresa não vende produtos de defesa para a China, mas possui um negócio robusto de aviação comercial no país.

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De acordo com a agência de notícias Associated Press, o provável impacto das sanções da China sobre empresas como a Boeing não é claro. 

Afinal, os Estados Unidos já proíbem a maior parte das vendas de tecnologia militar à China, mas algumas empresas do segmento também possuem negócios na indústria aeroespacial e outros mercados.

*Com informações de Reuters, AP e Xinhua.

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