O dólar vai subir na Argentina? Banco Central anuncia mudança de regime cambial e programa de compra de reservas
A escassez contribuiu para uma corrida contra o peso em outubro, com investidores temendo que a Argentina ficasse sem dólares para sustentar as bandas cambiais

O ano de 2025 na Argentina foi marcado por muito vai e vem no câmbio. Primeiro, o governo de Javier Milei colocou em marcha um plano para acabar com as amarras do dólar para as pessoas físicas, depois tentou convencer os argentinos a tirar as verdinhas debaixo do colchão. Em seguida, recuou no fim desses controles e agora o banco central do país anuncia uma nova mudança cambial.
A partir de 1 de janeiro de 2026, o BC da Argentina vai permitir uma banda cambial maior para o peso e também vai começar de um programa de compra de reservas.
No caso da banda cambial, os limites superior e inferior seguirão a inflação do mês imediatamente anterior e não mais de 1% ao mês, como prevê o sistema atual. A inflação da Argentina foi de 2,5% em novembro.
Do jeito que está hoje, o peso se aprecia em termos reais, já que a inflação mensal da Argentina constantemente supera a taxa de desvalorização programada.
O problema é que esse mecanismo limitava a capacidade do banco central argentino de acumular reservas, já que o governo ficava obrigado a defender artificialmente a moeda dentro da banda.
Com relação ao programa de compra de reservas, a meta do é adquirir US$ 10 bilhões até o fim de 2026.
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“Com o objetivo de consolidar a estabilidade de preços, o Banco Central anuncia o início de uma nova fase do programa monetário”, disse Santiago Bausili, presidente do Banco Central da Argentina.
“Os esforços da autoridade monetária priorizarão o objetivo de alcançar a convergência da inflação doméstica ao nível da inflação internacional”, acrescentou.
A corrida contra o peso na Argentina
As medidas cambiais anunciadas nesta segunda-feira (15) estão sendo consideradas as mais significativas desde abril, quando a Argentina firmou um acordo de US$ 20 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e não é por acaso: o governo de Milei está mais de US$ 10 bilhões abaixo da meta de acumulação estabelecida pelo FMI.
A escassez contribuiu para uma corrida contra o peso em outubro, com investidores temendo que a Argentina ficasse sem dólares para sustentar as bandas cambiais.
Segundo o presidente do BC da Argentina, o avanço na correção dos desequilíbrios macroeconômicos e a validação da solidez do programa econômico de Milei, mesmo em meio à incerteza das eleições de meio termo, ampliaram significativamente o horizonte de planejamento.
Segundo ele, porém, a recente melhora no pano de fundo institucional e político criou condições mais favoráveis para a próxima etapa do programa: um ambiente propício ao crescimento econômico, à remonetização da economia e à acumulação de reservas internacionais, elementos que o BC considera fundamentais para sustentar o processo de estabilização e desinflação daqui para frente.
*Com informações do Money Times
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