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O temor de que a maior economia do mundo possa entrar em recessão provoca uma liquidação global nos mercados financeiros: as ações despencam, o dólar dispara e os yields (rendimentos) dos títulos do Tesouro norte-americano de dez anos atingem o menor nível em mais de um ano

A liquidação nas bolsas globais nesta segunda-feira (5) fez um eco nos mercados, indicando que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) pode cortar os juros antes de setembro, em uma reunião emergencial. Mas será mesmo que isso é possível?
Sim, o Fed pode convocar um encontro que não está previsto no calendário para decidir a nova taxa referencial. Foi exatamente isso que aconteceu na pandemia de covid-19.
Na época, o BC dos EUA — que tradicionalmente se reúne por dois dias, às terças e quartas-feiras — chamou um encontro em um domingo e colocou os juros perto de zero. A ideia era promover liquidez nos mercados, que entraram em colapso por conta das medidas de isolamento que jogaram economias na recessão.
Mais uma vez o temor de que a maior economia do mundo possa entrar em recessão provoca uma liquidação global nos mercados financeiros: as ações despencam, o dólar dispara e os yields (rendimentos) dos títulos do Tesouro norte-americano de dez anos atingem o menor nível em mais de um ano.
O gatilho das perdas de hoje é o payroll de julho. Na sexta-feira (2), o principal relatório de emprego dos EUA mostrou que a abertura de vagas no mês passado desacelerou mais do que o esperado, enquanto a taxa de emprego subiu para o maior nível desde outubro de 2021.
A economia norte-americana criou em julho 114 mil postos de trabalho, segundo o Departamento do Trabalho, uma desaceleração em relação aos 179 mil de junho e abaixo dos 185 mil esperados pelos economistas consultados pela Dow Jones. A taxa de desemprego, por sua vez, aumentou para 4,3%.
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Os dados sugeriram uma flexibilização do mercado de trabalho, o que gerou preocupações sobre uma recessão.
O movimento ocorre alguns dias depois de o Fed deixar os juros inalterados na Super Quarta e sugerir um corte na taxa em setembro.
Desde então, muitos investidores questionam se o banco central norte-americano deveria ter cortado os juros agora para evitar uma crise econômica.
A Capital Economics considera que o avanço do desemprego no payroll de sexta-feira pode ter refletido questões temporárias como o furacão Beryl.
"Continuamos a considerar que um pouso suave é o resultado mais provável, com o crescimento do PIB desacelerando abaixo do potencial ainda este ano", diz a consultoria.
Em meio aos temores de recessão nos EUA, a chance de o Fed cortar juros em 50 pontos-base em setembro caiu, segundo dados compilados pelo CME Group via ferramenta FedWatch.
Há pouco, havia 83,5% de probabilidade de os juros caírem do intervalo atual e 5,25% a 5,50% para a faixa de 4,75% a 5,00% no próximo encontro do Fomc, o comitê de política monetária do Fed.
Mais cedo, essa probabilidade chegou a superar a casa dos 90%. Na contramão, as chances de um corte menor, de 25 pontos-base, agora sobe para 16,5%.
As reavaliações seguem dados do Instituto para Gestão da Oferta (ISM) que indicaram força no setor de serviço dos EUA.
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