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Biden e Trump protagonizaram no fim da noite de quinta-feira o primeiro debate com vistas às eleições presidenciais de novembro nos EUA
O primeiro debate entre Joe Biden e Donald Trump com vistas às eleições de novembro nem bem havia terminado e apoiadores do atual presidente dos Estados Unidos já pressionavam para que ele desistisse da indicação do Partido Democrata.
Não é que o desempenho de Trump, derrotado por Biden nas eleições de 2020, tenha sido exuberante. O que incomodou os partidários do atual inquilino da Casa Branca foi a postura dele durante o debate.
O olhar vago, a aparência cansada e os lapsos retóricos de Biden deram o tom de sua participação no debate, realizado na sede da CNN em Atlanta.
Em busca da reeleição, ele trocou palavras e demonstrou dificuldade para concluir o raciocínio ao falar de sua política econômica.
Em contrapartida, Biden tinha diante de si um Trump sem a vitalidade de tempos recentes, mas perspicaz como de costume.
O fato é que o eleitorado norte-americano terá de escolher em novembro entre os dois presidentes mais velhos da história dos EUA.
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Biden tem hoje 81 anos, apenas três a mais do que Trump.
Postos frente a frente, porém, a idade parece pesar muito mais sobre o atual do que sobre o ex-presidente norte-americano.
Biden chegou a afirmar que a idade não será empecilho para um eventual segundo mandato. "Estou em tão boa forma quanto há alguns anos. Eu me sinto muito bem", disse ele.
Trump não perdeu a deixa. Chegou a sugerir, entre outras coisas, que Biden seria reprovado caso se submetesse a um teste cognitivo.
Em termos de ideias e propostas, o primeiro debate da história opondo um presidente em busca da reeleição a um ex-presidente querendo retornar à Casa Branca não trouxe nenhuma novidade.
Biden e Trump defenderam seus respectivos governos, trocaram acusações, ofenderam-se mutuamente, culparam a pandemia pela alta dos preços e prometeram apoio a Israel em sua guerra contra os palestinos.
Também não foi difícil para eles deixarem evidentes suas divergências em relação a temas como aborto e a forma de conduzir a economia ou a política externa.
Fiel a seu histórico, Trump abusou das mentiras e das meias-verdades e destilou xenofobia ao tratar de temas como segurança de fronteira e imigração. Enfim, nada que já não se soubesse de antemão.
O que mais chamou a atenção mesmo foram os lapsos de Biden, especialmente nos momentos iniciais do debate. O democrata melhorou um pouco com o passar do tempo, mas a má impressão do início prevaleceu.
A idade avançada dos dois candidatos à presidência dos EUA nas eleições de 2024 também não é uma novidade.
Quando assumiu a Casa Branca em 2017, Trump superou Ronald Reagan para tornar-se o presidente mais velho a tomar posse no país.
Quatro anos mais tarde, Biden superou a idade de Trump no momento da posse.
Desde a campanha que o levou à Casa Branca, porém, Biden foi flagrado em incontáveis situações constrangedoras atribuídas à idade avançada.
Ao longo de seu mandato, essas situações serviram de munição a seus oponentes em meio a questionamentos quanto à sua aptidão para ocupar o cargo.
Agora, porém, o alarme soou entre os democratas.
O empresário norte-americano Andrew Yang, fundador do Venture for America, defendeu que Biden desista da candidatura.
"Biden é uma boa pessoa e deve fazer o que é certo para o país", escreveu Yang no X (antigo Twitter).
Segundo ele, o presidente já não é o mesmo da campanha de 2020 e tem dificuldade para desenvolver seus raciocínios e para expor suas opiniões.
Yang foi pré-candidato à nomeação democrata em 2020, mas desistiu em favor de Biden.
Por sua vez, o megainvestidor Bill Ackman pediu que Biden retire sua candidatura e sugeriu aos democratas que indiquem Jamie Dimon como candidato à presidência pelo partido.
Jamie Dimon é CEO do banco JP Morgan.
A vice Kamala Harris, por sua vez, procurou tirar os holofotes do desempenho de Biden.
Para isso, Kamala chamou a atenção dos eleitores democratas para os riscos representados por uma eventual vitória de Trump.
Entra eleição, sai eleição, mas a discussão sobre se os debates entre candidatos ajudam ou não o eleitor a se decidir não arrefece.
O ideal é avaliar caso a caso. E a postura Biden, especialmente nos primeiros dez minutos de debate, levou diversos analistas a recuperarem a memória da eleição presidencial de 1960.
Aquele pleito opôs o democrata John Kennedy ao republicano Richard Nixon. Até hoje, muitos analistas atribuem como fator decisivo as impressões deixadas pela imagem de ambos nos primeiros debates televisionados da história dos EUA.
Segundo esses analistas, a pinta de galã de John Kennedy diante de um Richard Nixon com terno mal ajambrado e a sombra da barba por fazer teria sido decisiva para a vitória do democrata.
Embora se trate de algo subjetivo, o resultado daquela eleição fez com que, ao longo dos anos, a preocupação com a aparência muitas vezes fosse maior do que com as propostas em si.
O fato é que Biden deixou uma má impressão no primeiro debate, realizado antes mesmo de os partidos democrata e republicano terem concluído os trâmites regimentais de suas respectivas nomeações.
Isso não significa que ele não tenha capacidade de reagir, ainda mais em um cenário no qual o eleitorado divide-se praticamente ao meio na preferência entre Biden e Trump.
Durante as primárias democratas, Biden liquidou a fatura rapidamente. Além disso, nada indica que, ao longo dos últimos anos, alguma eventual condição clínica tenha prejudicado o desempenho de suas funções na presidência.
O que mais chama a atenção é a percepção tardia entre os democratas de que Biden talvez não fosse a melhor escolha do partido para enfrentar Trump.
Em certo momento do debate, Donald Trump comprometeu-se a reconhecer o resultado das eleições, seja qual for.
Diante do que se sabe em relação ao ataque de seus partidários ao Capitólio, em janeiro de 2021, é obrigatório duvidar.
De qualquer modo, a vantagem clara de Trump sobre Biden em Estados-pêndulo restando menos de seis meses para a eleição talvez o isente de ter provar o que disse.
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