XP quer recomprar até R$ 1 bilhão em ações após papéis despencarem 14% com o balanço do 1T24
O conselho de administração da companhia aprovou um programa de recompra de ações de papéis classe A no mercado norte-americano

A quinta-feira (23) começou agitada nos mercados financeiros globais. Do lado corporativo, a XP movimentou os ânimos após anunciar que pretende recomprar até R$ 1 bilhão em ações em Wall Street.
O conselho de administração da companhia aprovou um programa de recompra de ações de papéis classe A no mercado norte-americano.
A empresa poderá adquirir os papéis a preços de mercado ou em transações privadas, utilizando o caixa existente atualmente. O conselho inclusive já autorizou a contratação de um broker para recomprar as ações em nome da companhia no mercado aberto.
O programa teve início hoje e poderá ser estendido até 21 de dezembro de 2024 — ou até que todos os papéis sejam recomprados, “o que acontecer primeiro”.
Vale destacar que o conselho revisará o programa de recompra, podendo autorizar ajustes nos termos e tamanho, além de suspender ou descontinuar o programa, a depender das condições gerais de negócios e de mercado e de outras oportunidades alternativas de investimentos.
As ações da XP reagem em alta à notícia, recuperando parte das perdas recentes após o balanço do primeiro trimestre. No fechamento, os papéis subiam 2,67% em Nova York, negociados a US$ 18,47. No ano, os ativos ainda acumulam uma desvalorização de 27% na Nasdaq.
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Para que serve a recompra de ações?
Existem diversos motivos que levam uma empresa como a XP a aprovar um programa de recompras como esse. Entre eles, estão:
- A empresa acredita que suas ações estão baratas ou mal avaliadas pelo mercado;
- A companhia precisa distribuir ações aos executivos como bônus e não quer emitir novos papéis;
- Ela quer gerar valor ao acionista que continua em sua base, apesar da instabilidade do mercado.
Quando uma companhia recompra suas ações em programas como esse, os papéis deixam de circular na bolsa de valores e passam a ser mantidos em tesouraria.
A recompra é uma das maneiras que uma empresa pode optar para dar retorno para o seu investidor. É diferente da distribuição de proventos, por exemplo, que proporciona retorno por meio do pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio.
Caso a empresa opte por cancelar as ações recompradas, o acionista ganha por ficar com uma participação proporcionalmente maior.
Por outro lado, a recompra de ações faz com que os papéis percam liquidez na bolsa, uma vez que menos ações são negociadas no mercado.
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O que dizem os analistas sobre a recompra de ações da XP
Na avaliação da Ativa Investimentos, a recompra de ações anunciada pela XP vai em linha com o entendimento da diretoria da empresa de que o resultado do primeiro trimestre não justifica a desvalorização das ações.
Nos últimos cinco dias, as ações da XP caíram mais de 14% em Nova York. Já os BDRs listados na B3 sob o código XPBR31 recuaram 13% no mesmo período.
A performance negativa acompanhou a divulgação do balanço do 1T24. A XP reportou lucro líquido de R$ 1 bilhão no período, alta de 29% em relação ao mesmo intervalo de 2023.
Os ativos totais de clientes, métrica operacional usada para compreender o desempenho de uma corretora de valores, avançou 20% na mesma base de comparação, para R$ 1,1 trilhão.
Já a captação líquida total, outro indicador chave do setor, ficou em R$ 15 bilhões, abaixo dos R$ 16 bilhões do 1T23.
Segundo os analistas, após a queda recente dos papéis, a XP atualmente negocia a um múltiplo de 10 vezes a relação preço sobre lucro (P/L) de 2025, em um dos menores patamares da história da companhia.
“Consideramos o movimento positivo, embora discordemos de que a queda recente seja injustificável, nos parece um momento propício para anunciar um novo programa de recompra.”
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