Sequoia (SEQL3) dispara na B3 com CEO novo: Fundador deixa comando após 13 anos e ex-Ambev assume como diretor-presidente interino
O fundador e atual CEO, Armando Marchesan Neto, deixará a posição e passará a ocupar uma cadeira no conselho de administração em fevereiro de 2025

As novidades não param de chegar para os acionistas da Sequoia (SEQL3). Uma semana após o sinal verde da Justiça para o plano de recuperação extrajudicial, a companhia decidiu também reestruturar seu alto escalão — a começar pelo CEO.
A empresa de logística e transportes iniciou nesta terça-feira (29) um processo estruturado de transição do cargo de diretor-presidente com duração até fevereiro de 2025.
As ações reagiram positivamente ao anúncio. Por volta das 12h37, os papéis SEQL3 subiam 18,13% e figuravam entre as maiores altas da B3, cotados a R$ 4,43. No ano, porém, os ativos ainda amargam desvalorização da ordem de 54%.
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A troca de CEO
Com as mudanças, o fundador e atual CEO, Armando Marchesan Neto, deixará a posição e passará a ocupar uma cadeira no conselho de administração da Sequoia.
O fundador da empresa ainda permanecerá nos Comitês e em instâncias estratégicas do colegiado, além de liderar o comitê de vendas e operações.
Segundo fato relevante enviado à CVM, Marchesan Neto liderou a companhia nos últimos quase 13 anos e “foi o responsável, entre inúmeras outras conquistas, pela fundação, construção e ascensão da companhia ao topo do setor culminando com sua abertura de capital na B3”.
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Para substituí-lo à frente da companhia, o conselho elegeu Alexandre Rodrigues como sucessor.
Rodrigues assume hoje a posição de CEO interino como preparação para o cargo permanente de diretor-presidente da Sequoia, cujo mandato começará também em 1 de fevereiro do ano que vem.
Com 25 anos de experiência executiva em operações industriais, logística e serviços, o executivo já atuou em cargos de liderança na Ambev, Votorantim e na Ouro Verde/Unidas.
Segundo a Sequoia, Rodrigues chega com a missão de liderar a companhia "nesta fase final do turnaround", equilibrando a redução de custos e a reestruturação de dívidas em curso com a retomada do crescimento.
A situação financeira da Sequoia (SEQL3)
Vale relembrar que a Sequoia (SEQL3) deu início ao processo de reestruturação de dívidas não financeiras neste mês.
O plano atual inclui a conversão e reperfilamento de créditos de cerca de R$ 295 milhões, resultado de contratos firmados com fornecedores, prestadores de serviços e locadores de armazéns ao longo dos últimos anos.
Antes disso, a companhia já havia fechado um acordo de renegociação de dívidas com os bancos e os investidores de debêntures em dezembro do ano passado.
Segundo a Sequoia Logística (SEQL3), a recuperação extrajudicial é resultado das “dificuldades momentâneas” enfrentadas pelas empresas e fruto da “desaceleração do e-commerce no Brasil no último ano”.
Com IPO realizado na B3 em 2020, ainda durante a pandemia de covid-19, a Sequoia Logística sofreu com o ciclo de alta de juros que se seguiu.
Desde a abertura de capital, as ações SEQL3 praticamente viraram pó, com uma derrocada acumulada de 98% na bolsa. Hoje a empresa vale R$ 84,6 milhões na B3.
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Na avaliação da empresa, a crise atual é “plenamente superável", especialmente considerando os efeitos da atual reestruturação de dívidas com os credores.
A companhia tinha conseguido evitar a recuperação judicial até então, mas precisou fazer um duro plano de reestruturação das dívidas em outubro de 2023 para limpar o balanço e alongar o prazo do pagamento dos débitos.
Inicialmente, essa renegociação incluiu os credores financeiros e de mercado de capitais — bancos e debenturistas —, que detinham dívidas da ordem de R$ 750 milhões. Com a reestruturação, a empresa conseguiu diminuir os débitos em 82%, com R$ 582 milhões convertidos em ações e o valor restante, alongado.
No primeiro semestre deste ano, a Sequoia também anunciou uma combinação de negócios com a Move3.
Apesar dessas medidas, os papéis SEQL3 ainda acumulam baixa de 61% neste ano e precisaram passar por um grupamento, pois chegaram a ser negociados na casa dos centavos.
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