Por que as big techs seguem demitindo apesar do boom da inteligência artificial; Sony corta 900 funcionários da PlayStation
Após anunciar queda nas vendas, Sony vai demitir 8% do quadro de funcionários da divisão do PlayStation e var fechar estúdio em Londres

O ano de 2024 está sendo promissor para o setor de tecnologia, impulsionado pela expansão da inteligência artificial. Ainda em fevereiro, o resultado do balanço do quarto trimestre da Nvidia impressionou investidores. O índice Nasdaq, que lista grandes empresas de tecnologia, acumula alta de mais de 8% neste ano.
Contudo, enquanto as big techs veem os lucros crescerem, os trabalhadores das companhias enfrentam demissões em massa. Só neste início de ano, o setor de tecnologia já despediu 43.957 funcionários, segundo a Layoff.fyi.
As companhias já realizaram quase 760 demissões por dia em 2024. Durante 2023, o ritmo de cortes foi de 720 trabalhadores por dia.
Neste ano, 24 empresas de tecnologia anunciaram redução no quadro de funcionários, incluindo big techs, como Meta, Amazon, Google e a Microsoft, que encerrou contrato com quase 2 mil funcionários após aquisição da Activision Blizzard. Agora, foi a vez da Sony.
A empresa revelou que vai despedir 900 trabalhadores da área da PlayStation, o que representa 8% do quadro de funcionários da empresa no mundo todo.
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O que está por trás das demissões no setor de tecnologia?
O boom da inteligência artificial impulsiona o mercado de tecnologia. Porém, para os trabalhadores do setor, se tornou uma faca de dois gumes. Isso porque as companhias precisam de cada vez mais capital para investir em IA, o que faz as big techs repensarem o quadro de funcionários.
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Além disso, a inteligência artificial permite que algumas atividades sejam executadas por máquinas. Segundo relatório da Goldman Sachs, 300 milhões de empregos podem ser automatizados com a ajuda da nova tecnologia.
Mas não é apenas a inteligência artificial que colabora com as demissões em massa nas big techs. Durante a pandemia, a euforia com o setor levou as empresas a contratarem mais funcionários.
No entanto, 2022 não foi um ano tão promissor assim para o setor, o que vem levando as companhias de tecnologia a equilibrarem o quadro de funcionários desde então.
O caso da Sony
Se o setor já passa por uma onda de demissões, o buraco da Sony é mais embaixo. Em 14 de fevereiro, a empresa anunciou que não alcançou a meta de vendas do PlayStation 5 (PS5) e que prevê comercialização de 21 milhões de unidades no ano fiscal, que termina em março.
Até então, a previsão era de 25 milhões de vendas do PS5. A queda na previsão foi causada por uma baixa demanda pelo produto.
Analistas ainda previam que a Sony iria lançar uma nova versão do PlayStation 5 para impulsionar o interesse no console. Com o anúncio da queda nas vendas, a companhia também revelou que não irá lançar novidades para o game neste ano.
Com um cenário ruim para a companhia, a Sony informou na terça-feira (27) demissão de 900 funcionários, o que representa 8% da divisão do PlayStation no mundo todo.
A empresa também anunciou que o estúdio em Londres fechará totalmente. Porém ele não será o único e vários outros estúdios também serão afetados.
Em um e-mail aos funcionários, o presidente e CEO da unidade, Jim Ryan acrescentou que funcionários de todas as regiões da Sony serão impactados pelas demissões.
“Após consideração cuidadosa e muitas discussões de liderança ao longo de vários meses, ficou claro que mudanças precisam ser feitas para continuar a expandir o negócio e desenvolver a empresa”, afirmou Jim Ryan.
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Para além do PlayStation: o caso Microsoft
Recentemente, outra demissão em massa abalou o mundo tech. A Microsoft anunciou a demissão de 1,9 mil trabalhadores, cerca de 9% do quadro de funcionários, na divisão de jogos da companhia.
O comunicado veio após a aquisição da Activision Blizzard no valor de US$ 69 bilhões (R$ 343 bilhões).
Após o anúncio, a Comissão Federal de Comércio acusou a Microsoft de não honrar com o compromisso de uma aquisição vertical da Activision Blizzard.
O órgão apresentou uma queixa contra a big tech no Tribunal de Apelações dos EUA.
Já o CEO da Microsoft Gaming, Phil Spencer, afirmou que as demissões fazem parte de um “plano de execução” maior que reduziria “áreas de sobreposição”.
*Com informações da CNBC, BBC News, Engadget e G1
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