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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

FORA DE MODA?

O alerta que faz a dona da Gucci desabar mais de 13% na Europa — e arrastar as ações de outras grifes de luxo com ela

O conglomerado francês Kering alertou que uma tendência “fora de moda” pode abalar o visual do balanço da holding no primeiro trimestre de 2024

Camille Lima
Camille Lima
20 de março de 2024
10:41 - atualizado às 10:40
O conglomerado de luxo Kering, dono da Gucci
Imagem: Divulgação / Canva Pro / Montagem Seu Dinheiro

O desfile das maiores grifes de luxo da Europa na passarela dos mercados de ações internacionais causa calafrios nos estilistas financeiros na manhã desta quarta-feira (20) — e a culpa é de um alerta feito pela dona da Gucci.

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O conglomerado francês Kering, detentor de marcas como Gucci, Balenciaga e Yves Saint Laurent, alertou mais cedo hoje que uma tendência “fora de moda” pode abalar o visual do balanço da holding no primeiro trimestre de 2024.

O resultado trimestral do grupo de luxo será publicado apenas em 23 de abril, após o fechamento dos negócios na Europa, mas a empresa já antecipou aos investidores um dos indicadores do balanço.

A companhia prevê uma queda de aproximadamente 10% nas receitas em relação aos três primeiros meses do ano passado, resultado de um recuo mais acentuado nas vendas da Gucci na região da Ásia. 

“Espera-se que as receitas comparáveis da Gucci no primeiro trimestre caiam quase 20% no comparativo ano a ano”, escreveu a empresa, em comunicado ao mercado. 

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Ações das grifes de luxo em queda

Após a notícia, as ações da Kering desabam na bolsa de valores Euronext Paris. Por volta das 10h25, os papéis da dona da Gucci amargavam perdas de 13,79%. 

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Com a desvalorização das ações, o fundador do conglomerado, François Pinault, viu sua fortuna desabar em torno de US$ 3 bilhões só nesta manhã, para US$ 28,5 bilhões (R$ 143 bilhões), segundo a Forbes.

O desempenho negativo da dona da Gucci ainda arrasta outras grifes de luxo pela manhã.

A Burberry recuava 4,47% em Londres no mesmo horário, atingindo o menor patamar de preços desde março de 2020.

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Enquanto isso, a ação da holding LVMH — dona de empresas como Dior, Tiffany&Co e Louis Vuitton — caía 2,03% em Paris. 

Aliás, a queda dos papéis da LVMH levou o homem mais rico do mundo, Bernard Arnault, a perder US$ 3,6 bilhões nesta quarta-feira, com um patrimônio atualmente estimado em 231,1 bilhões (R$ 1,56 trilhão).

Gucci fora de moda?

Outrora considerada uma das joias do império Kering — responsável por metade das vendas do grupo francês e por mais de dois terços do lucro operacional —, a Gucci agora luta para manter sua relevância no mercado de alta costura, especialmente após a tendência de “luxo discreto” que ganhou força entre os consumidores nos últimos anos.

Em meio à forte concorrência e à perda de participação de mercado da Gucci frente a rivais de luxo nos últimos dois anos, a Kering realizou uma reforma administrativa e contratou um novo diretor criativo, Sabato de Sarno, para tentar mudar o desempenho financeiro da Gucci.

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Em fevereiro, o balanço da Kering no quarto trimestre de 2023 mostrou uma queda de 6% nas receitas.

O resultado ainda mostrou uma redução de 7,5% nas receitas da Gucci no último trimestre do ano passado em relação ao mesmo período de 2022. Por sua vez, as vendas da marca caíram 4% frente ao trimestre anterior.

Outras grandes marcas do conglomerado francês, como Yves Saint Laurent, Balenciaga e Alexander McQueen, também viram as vendas encolherem durante o período.

*Com informações de Vogue, CNBC e Reuters.

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