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O conglomerado francês Kering alertou que uma tendência “fora de moda” pode abalar o visual do balanço da holding no primeiro trimestre de 2024
O desfile das maiores grifes de luxo da Europa na passarela dos mercados de ações internacionais causa calafrios nos estilistas financeiros na manhã desta quarta-feira (20) — e a culpa é de um alerta feito pela dona da Gucci.
O conglomerado francês Kering, detentor de marcas como Gucci, Balenciaga e Yves Saint Laurent, alertou mais cedo hoje que uma tendência “fora de moda” pode abalar o visual do balanço da holding no primeiro trimestre de 2024.
O resultado trimestral do grupo de luxo será publicado apenas em 23 de abril, após o fechamento dos negócios na Europa, mas a empresa já antecipou aos investidores um dos indicadores do balanço.
A companhia prevê uma queda de aproximadamente 10% nas receitas em relação aos três primeiros meses do ano passado, resultado de um recuo mais acentuado nas vendas da Gucci na região da Ásia.
“Espera-se que as receitas comparáveis da Gucci no primeiro trimestre caiam quase 20% no comparativo ano a ano”, escreveu a empresa, em comunicado ao mercado.
Após a notícia, as ações da Kering desabam na bolsa de valores Euronext Paris. Por volta das 10h25, os papéis da dona da Gucci amargavam perdas de 13,79%.
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Com a desvalorização das ações, o fundador do conglomerado, François Pinault, viu sua fortuna desabar em torno de US$ 3 bilhões só nesta manhã, para US$ 28,5 bilhões (R$ 143 bilhões), segundo a Forbes.
O desempenho negativo da dona da Gucci ainda arrasta outras grifes de luxo pela manhã.
A Burberry recuava 4,47% em Londres no mesmo horário, atingindo o menor patamar de preços desde março de 2020.
Enquanto isso, a ação da holding LVMH — dona de empresas como Dior, Tiffany&Co e Louis Vuitton — caía 2,03% em Paris.
Aliás, a queda dos papéis da LVMH levou o homem mais rico do mundo, Bernard Arnault, a perder US$ 3,6 bilhões nesta quarta-feira, com um patrimônio atualmente estimado em 231,1 bilhões (R$ 1,56 trilhão).
Outrora considerada uma das joias do império Kering — responsável por metade das vendas do grupo francês e por mais de dois terços do lucro operacional —, a Gucci agora luta para manter sua relevância no mercado de alta costura, especialmente após a tendência de “luxo discreto” que ganhou força entre os consumidores nos últimos anos.
Em meio à forte concorrência e à perda de participação de mercado da Gucci frente a rivais de luxo nos últimos dois anos, a Kering realizou uma reforma administrativa e contratou um novo diretor criativo, Sabato de Sarno, para tentar mudar o desempenho financeiro da Gucci.
Em fevereiro, o balanço da Kering no quarto trimestre de 2023 mostrou uma queda de 6% nas receitas.
O resultado ainda mostrou uma redução de 7,5% nas receitas da Gucci no último trimestre do ano passado em relação ao mesmo período de 2022. Por sua vez, as vendas da marca caíram 4% frente ao trimestre anterior.
Outras grandes marcas do conglomerado francês, como Yves Saint Laurent, Balenciaga e Alexander McQueen, também viram as vendas encolherem durante o período.
*Com informações de Vogue, CNBC e Reuters.
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