Goldman eleva recomendação para 3R Petroleum (RRRP3) e fusão com Enauta (ENAT3) é só um dos motivos
O que mais chamou a atenção dos analistas é a melhora da relação entre o risco e o retorno da empresa, em um cenário de alta do petróleo e depreciação do real frente ao dólar

A 3R Petroleum (RRRP3) está pronta para subir no altar com a Enauta (ENAT3), formalizando uma bela união entre empresas jovens e produtoras de petróleo, as chamadas junior oils. Como presente de casamento, o Goldman Sachs resolveu elevar a recomendação para os papéis da primeira companhia, que manterá o nome após a fusão.
Em si, a união nada tem a ver com o relatório publicado nesta quinta-feira (18) — o Goldman explica que não cobre Enauta —, mas os analistas dão pistas de que esse pode ser um bom motivo.
Isso porque o banco de investimentos vê como positiva a disposição da empresa para criar valor para o acionista por meio das fusões e aquisições, o que daria escalabilidade aos negócios.
O que mais chamou a atenção dos analistas é a melhora da relação entre o risco e o retorno da empresa, em um cenário de valorização do preço do petróleo e depreciação do real frente ao dólar.
Por volta das 11h, as ações RRRP3 avançavam 1,00%, cotadas a R$ 33,43. Nos últimos 12 meses, os papéis registram uma valorização da ordem de 22%. Acompanhe a nossa cobertura ao vivo de mercados.
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3R Petroleum (RRRP3): o que salta aos olhos
Olhando mais a fundo, o cenário que favorece a 3R é a recente valorização dos preços do petróleo e a desvalorização do real frente ao dólar.
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Quanto ao primeiro ponto, o barril do Brent, utilizado como referência internacional e pela própria Petrobras (PETR4), avança aproximadamente 11% em 2024.
O aumento das tensões internacionais envolvendo grandes produtores de petróleo — como o conflito entre Irã e Israel ou entre Ucrânia e Rússia — tendem a valorizar a commodity.
Mesmo com essas perspectivas em vista, o Goldman Sachs enxerga que, no curto prazo, o preço do petróleo não tem maiores motivos para superar as estimativas mais pessimistas do banco, de US$ 90 por barril.
Ainda assim, “continuamos vendo benefícios de hedge no investimento da commodity contra choques geopolíticos negativos”, destacam os analistas.
Dólar > Real
Outro ponto importante é a valorização do dólar frente ao real. Isso porque a receita da empresa está atrelada à moeda norte-americana — contudo, parte dos custos são em moeda local.
Só na última semana, o dólar subiu 4,13% em relação ao real, enquanto o acumulado do ano é de avanço de 7,95%, segundo o Trading View.
O avanço recente se deve às preocupações envolvendo o futuro dos juros nos Estados Unidos.
O próprio Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), que não costuma dar sinais claros sobre o direcionamento da política monetária do país, fez as bolsas tremerem com suas declarações recentes.
O que pode jogar água fria nos negócios da 3R?
Por fim, o banco ainda destaca que o valuation da empresa permanece relativamente desinteressante, ao menos na perspectiva do fluxo de caixa livre (FCF, na sigla em inglês) para o fim de 2024.
Em comparação com PetroRio (PRIO3) e Petrobras, que tem um FCF de 20% em média, a 3R ainda não conseguiu elevar o fluxo de caixa para os dois dígitos.
“No entanto”, ponderam os analistas, “reconhecemos que a ação pode não ser negociada puramente com base em fundamentos no curto prazo”.
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