Como a Consumidor Positivo quer “tirar o seu nome” da Serasa e quebrar o domínio da concorrente
Fruto da joint venture entre a Boa Vista e a Red Ventures, a plataforma pretende chegar a 50 milhões de usuários até o final do ano

Diz a lenda que a expressão “nome sujo na praça” começou com antigos comerciantes que se reuniam em praças públicas para trocar informações sobre os clientes que pagavam ou não suas dívidas. Ainda hoje, o termo é usado no Brasil para se referir a uma pessoa com dívida em atraso e que teve seu nome no cadastro de órgãos de proteção de crédito.
Uma das empresas que atuam nesse segmento é a Consumidor Positivo, que entrou em operação no país em maio deste ano para competir em um mercado em que, hoje, estar inadimplente — o velho “nome sujo” — é sinônimo de “ter o nome na Serasa”.
Fruto de uma joint venture entre a Boa Vista — dona da SCPC e do Acordo Certo — e a americana Red Ventures, especializada em marketing digital e data science, a Consumidor Positivo quer ir além do serviço de bureau de crédito.
Desse modo, “tirar o seu nome da Serasa” significa para a empresa não só ajudar o devedor a sair da lista de inadimplentes como também se tornar o cadastro de consumidores de referência do mercado.
- Quanto poupar por mês para poder se aposentar sem preocupações financeiras? Faça sua simulação GRATUITA aqui
O efeito-gangorra na inadimplência e acesso ao crédito
Ter o nome CPF negativo em bureau de crédito implica em uma série de restrições financeiras para o consumidor. Entre elas, a dificuldade de conseguir empréstimos, comprar um imóvel ou fechar uma compra. Outra consequência possível é o bloqueio judicial de carteira de motorista e até de passaporte, além da possibilidade de ter bens bloqueados.
Dados da Consumidor Positivo revelam que nos últimos 12 meses o registro de novas dívidas negativadas dos brasileiros chegou a 1,8 milhão. Considerando o mesmo período, os pedidos por aprovação de crédito dobraram, atingindo a marca de 24,8 milhões.
Leia Também
Para Fernando Iodice, CEO da Consumidor Positivo, existe um desequilíbrio entre a busca e aprovação de crédito no mercado. Ao mesmo tempo que mais pessoas buscam financiamento, menos estão sendo aprovadas, o que, segundo ele, cria um ‘ciclo vicioso’.
“O americano médio, por exemplo, tem mais acesso ao crédito e chega a ter seis cartões de crédito de uma vez. Ele pode escolher qual quer usar. O brasileiro não tem esse mesmo acesso. Ele não escolhe, ele precisa ser escolhido”, afirmou Iodice, em entrevista ao Seu Dinheiro.
A proposta da plataforma, segundo ele, é fazer com que mais brasileiros sejam “escolhidos”, oferecendo ferramentas para quem precisa restabelecer sua vida financeira.
A estratégia da Consumidor Positivo para ganhar mercado é oferecer o serviço de consulta gratuitamente, ao contrário do que acontece com os concorrentes. Na Serasa, por exemplo, a consulta ao CPF é gratuita, mas a empresa também oferece planos a partir de R$ 23,90 para o acesso a funcionalidades.
Com 45 milhões de usuários, a plataforma da empresa também possibilita renegociações de dívidas e oferece serviços financeiros, como empréstimo pessoal e cartões de crédito de outras instituições. A expectativa é chegar a 50 milhões de brasileiros até o final do ano.
Score de crédito: a vida financeira “praça”
No mês passado, a Consumidor Positivo lançou sua própria ferramenta de Score de Crédito. O indicador, usado também por diversos bureaus de crédito, utiliza dados de bancos e instituições financeiras para avaliar o comportamento financeiro do consumidor e oferecer crédito com base na pontuação, que varia de acordo com cada órgão de proteção.
Atualmente, existem milhares de variáveis que influenciam na pontuação do Score e na aprovação do crédito. “O brasileiro quer sair da negativação e conquistar crédito novamente, e para isso, costuma consultar seu score, mas, geralmente, sem ter o conhecimento adequado sobre como utilizar aquela informação”, afirma Iodice.
Nesse cenário, a empresa quer ensinar ao usuário o caminho para melhorar a pontuação do score, explicando as principais variáveis que impactam a pontuação e o que fazer para aumentá-la, facilitando assim, o caminho para a futura aprovação de crédito.
CONTEÚDO EXCLUSIVO: Tem dúvidas sobre planejamento sucessório, espólio, testamento, ou herança? Confira gratuitamente o guia completo d'A Dinheirista sobre o assunto
Do nascimento ao desafio da concorrência
As discussões sobre a criação da nova plataforma de análise de crédito para fazer frente ao domínio da Serasa começaram em 2021, quando Iodice ainda era vice-presidente da Red Ventures Brasil — empresa responsável pelo aporte inicial de R$ 70 milhões na operação.
A Consumidor nasceu do negócio entre a Red Ventures e a Boa Vista — segundo maior bureau de crédito do Brasil, antigamente conhecida como Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC).
A Boa Vista, que tinha capital aberto na B3 e hoje pertence à americana Equifax, já era dona da Acordo Certo, que conecta credores com dívidas vencidas com seus consumidores.
Em 2022, a Boa Vista decidiu unir as áreas voltadas ao varejo para criar uma joint venture com a fintech iq, que pertence à Red Ventures.
A ideia é oferecer um jornada completa para o devedor, que consulta seu score de crédito no Consumidor Positivo, renegocia suas dívidas na Acordo Certo e depois, com o nome limpo, pode pegar um empréstimo no marketplace da iq.
Hoje, todos esses serviços são agregados no marketplace da Consumidor Positivo, após a conclusão da joint venture no ano passado. A empresa conta com 50 parceiras para renegociação de dívidas e outras 10 instituições financeiras que oferecem crédito, como PicPay, C6, PagBank, Carrefour e will bank.
Segundo Fernando Iodice, a empresa quer ser uma alternativa forte às concorrentes. “São poucas alternativas, e algumas até cobram para dar informações sobre a análise de crédito. Hoje, muitos bancos e instituições conhecem a jornada financeira do cliente, mas a nossa ideia é que essa seja uma troca mais justa, que ele seja empoderado justamente com a informação que, no final, será usada para tomar uma decisão sobre ele”, afirma.
“Vamos ‘quebrar’ o monopólio desse mercado de forma gratuita, oferecendo serviços de maneira mais fácil e gamificada para o consumidor inadimplente. Queremos trazer transparência e um lado positivo para que as pessoas restabeleçam sua vida financeira.”
FORA DE CIRCULAÇÃO
Banco Central decreta liquidação da cooperativa de crédito Credipaiva após “grave violação” de regras
16 de outubro de 2026 - 9:26MERCADO EM EXPANSÃO
Rival da B3 quer estrear em 2027 e promete reduzir custos e ampliar opções para quem investe em ações, ETFs e FIIs
15 de outubro de 2026 - 17:10DOS MIMOS ÀS PROTEÍNAS
Black Friday 60% maior: como o iFood quer provar de vez que não é mais um aplicativo de entregas de refeições
15 de outubro de 2026 - 16:35ATENÇÃO, INVESTIDOR
INBR32 dá adeus à B3: prazo para decidir o destino dos BDRs do Inter termina nesta sexta-feira; veja as opções
15 de outubro de 2026 - 10:50ESTRUTURAS INTACTAS
O negócio caiu, mas a ação subiu: por que a disparada dos distratos não assusta os investidores de Tenda (TEND3) e Cury (CURY3)
15 de outubro de 2026 - 6:06ATENÇÃO, ACIONISTA!
Dividendos e JCP: dona da Vivo (VIVT3) vai distribuir R$ 450 milhões em proventos; confira os prazos
14 de outubro de 2026 - 19:14EM MEIO À EUFORIA
O Bradesco saiu de moda na bolsa? O rali eleitoral tem seus queridinhos — e BBDC4 ficou de escanteio
14 de outubro de 2026 - 19:03PARA ALÉM DAS ACADEMIAS
Juros são o maior desafio da Smart Fit (SMFT3), segundo o CEO. Como a líder do setor fitness tem crescido nesse cenário?
14 de outubro de 2026 - 17:45SAÚDE NA BOLSA
Ações de saúde pegaram carona na eleição; agora, UBS BB revela o que pode vir pela frente para Rede D’Or, Hapvida e outras
13 de outubro de 2026 - 19:51DE QUE LADO VOCÊ ESTÁ?
Vencedores e vencidos pelos juros: o mapa do BTG para a sua carteira com a Selic menor
13 de outubro de 2026 - 19:21ESPAÇO PARA FATURAR BILHÕES
O jogo virou para o Magazine Luiza (MGLU3)? Itaú BBA eleva recomendação para compra com alívio nos juros e crise na Casas Bahia (BHIA3)
13 de outubro de 2026 - 12:45DESALAVANCAGEM EM FOCO
CSN (CSNA3) põe siderúrgica alemã à venda; negócio de R$ 3,1 bilhões vai resolver sua dor de cabeça bilionária?
12 de outubro de 2026 - 10:59ESTRATÉGIA DE EXPANSÃO
Bradseg quer crescer sem entrar na guerra de preços dos seguros, diz CEO; veja onde está a aposta da companhia
12 de outubro de 2026 - 10:03NA ERA DA IA
Seu próximo gerente pode ser uma IA: veja como Bradesco e Santander estão se preparando e se os apps de banco vão acabar
12 de outubro de 2026 - 7:02O QUE ESTÁ EM JOGO?
Raízen (RAIZ4) quer listar subsidiária na B3 em meio a plano bilionário de reorganização
10 de outubro de 2026 - 9:08ATENÇÃO, ACIONISTA!
Dividendos e JCP: Santander (SANB11) distribuirá R$ 1,5 bilhão aos acionistas; saiba quem mais paga
9 de outubro de 2026 - 19:34Conteúdo Market Makers
Bancos vão investir R$ 3 bilhões em inteligência artificial e soluções de dados em 2026: O que eles já descobriram que você ainda não aplica?
9 de outubro de 2026 - 13:00Conteúdo Empiricus
Qual a importância de saber o valor real da sua empresa? Conheça uma forma gratuita de calculá-lo
9 de outubro de 2026 - 12:00ENERGIA NA MIRA
Não é a Taesa (TAEE11): Ação paga bons dividendos, mas não é a favorita do Itaú BBA; veja as elétricas preferidas do banco
9 de outubro de 2026 - 9:37NOVAS FRONTEIRAS