Balanço da Boeing: Queima de caixa e queda de receita são destaque no primeiro trimestre, em meio à crise de produção
A queima de caixa da gigante aeroespacial disparou quase 400% em relação ao ano passado — e existem dois “culpados”, segundo a empresa

Com nuvens tempestuosas que em nada parecem dispostas a se dissipar, a Boeing enfrentou novas turbulências em 2024 — desta vez, no balanço do primeiro trimestre.
A gigante aeroespacial viu a receita encolher 8% entre janeiro e março deste ano em comparação com o mesmo intervalo de 2023, a US$ 16,56 bilhões — na primeira queda trimestral de receita da companhia em sete trimestres.
Apesar do recuo, a empresa norte-americana superou as expectativas dos analistas, que diminuíram as previsões para US$ 16,23 bilhões após novos problemas com aviões 737 Max resultarem na desaceleração da produção dos jatos mais vendidos da Boeing.
A fabricante de aeronaves teve um prejuízo líquido de US$ 355 milhões nos três primeiros meses do ano, uma melhora de 16% em relação às perdas de US$ 425 milhões vistas um ano antes.
“No curto prazo, sim, estamos em um momento difícil”, disse o CEO Dave Calhoun, que deixará o cargo no fim deste ano. “Entregas mais baixas podem ser difíceis para nossos clientes e para nossas finanças. Mas a segurança e a qualidade devem e virão acima de tudo. Estamos absolutamente comprometidos em fazer tudo o que pudermos para garantir que nossos reguladores, clientes, funcionários e o público que voa tenham 100% de confiança na Boeing.”
Não bastasse a receita em queda e prejuízo milionário, a Boeing intensificou a queima de caixa no primeiro trimestre de 2024, reflexo de “menores entregas comerciais e um momento desfavorável de receitas e despesas”, afirmou a empresa.
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A companhia registrou um fluxo de caixa livre (FCF) negativo em US$ 3,93 bilhões no período — uma piora de 399% no comparativo anual, mas ainda abaixo da cifra prevista pelos analistas, de US$ 4,49 bilhões, após o incidente com a porta do avião em janeiro.
O diretor financeiro (CFO) da empresa, Brian West, também antecipou, em conferência com analistas, que a queima de caixa no segundo trimestre deve ser “considerável”.
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Outros números do balanço da Boeing
A Boeing reduziu a produção de novos jatos — especialmente dos seus aviões mais vendidos 737 Max — após uma aeronave operada pela Alaska Airlines perder uma parte da fuselagem durante voo em janeiro.
A Administração Federal de Aviação (FAA), agência regulatória de aviação dos Estados Unidos, proibiu a Boeing de aumentar a produção e afirmou ter encontrado vários problemas ao longo da cadeia de fornecimento da empresa.
De acordo com o CEO, a produção do 737 Max da empresa caiu para menos de 38 jatos Max por mês — e deve continuar nesse ritmo até pelo menos o fim do primeiro semestre de 2024.
As entregas de aviões também registraram uma desaceleração robusta de 36% neste trimestre, para 83 jatos comerciais no período. A companhia entregou 13 aviões 787 Dreamliner de corredor duplo e 67 jatos 737 no trimestre até março.
A Boeing disse que espera aumentos mais lentos na produção e nas entregas de seus 787 Dreamliners devido à escassez de peças.
De acordo com o CEO, a Boeing terá “entregue em grande parte” seu estoque de 737 e 787 até o final do ano. O executivo ainda afirmou que a divisão de defesa e segurança, que vem perdendo dinheiro, “progredirá em direção a níveis mais históricos de desempenho”.
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Boeing na berlinda?
A agência de classificação de risco Moody's colocou a Boeing na prateleira.
A agência reduziu a classificação de crédito da fabricante de aeronaves para o menor grau de investimento possível, citando a queima de caixa e a perspectiva de que a Boeing terá que emitir mais dívida para pagar débitos de mais de US$ 4 bilhões com vencimento em 2025.
A Moody’s espera que os ventos contrários em torno dos aviões comerciais da empresa persistam pelo menos até 2026, quando a Boeing tiver dívidas de US$ 8 bilhões a vencer.
As ações da Boeing encerraram o pregão desta quarta-feira (24) em queda de 2,87% na bolsa de valores de Nova York (Nyse). No ano, os papéis da fabricante de aeronaves acumulam desvalorização da ordem de 36%.
*Com informações de CNBC e Reuters.
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