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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

RECOMPRA DE ATIVOS

Ação da Ambipar (AMBP3) está muito barata? Por que a empresa quer tirar até 37% dos papéis de circulação do mercado

Após uma desvalorização de 50% só em 2024, a empresa aprovou um programa de recompra de até 20,8 milhões de ações na B3

Camille Lima
Camille Lima
3 de junho de 2024
9:32 - atualizado às 12:34
Caminhões verde-limão da Ambipar
Grupo Ambipar - Imagem: Divulgação

A Ambipar (AMBP3) está insatisfeita com o preço das suas ações na bolsa brasileira — e após uma desvalorização de cerca de 50% só em 2024, a empresa decidiu retirar milhões de papéis de circulação do mercado.

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A companhia anunciou um programa de recompra de até 20,8 milhões de ações na B3, equivalente a mais de um terço dos papéis atualmente negociados — mais especificamente, correspondente a 37,35% dos ativos AMBP3 hoje em circulação.

Já o valor das ações a serem adquiridas pela empresa será de R$ 8,07, considerando o fechamento do pregão de 31 de maio deste ano.

A companhia separou R$ 167,9 milhões em reservas de capital para garantir a aquisição do teto de papéis proposto.

O programa teve início nesta segunda-feira (03) e poderá ser estendido por 18 meses, até 30 de novembro de 2025.

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As ações da Ambipar marcam valorização expressiva no pregão de hoje. Por volta das 12h15, os papéis AMBP3 subiam 13,88% na B3, negociados a R$ 9,19.

Leia Também

Por que a Ambipar (AMBP3) vai recomprar ações na B3?

Existem diversos motivos que levam uma empresa como a Ambipar (AMBP3) a aprovar um programa de recompras como esse. Entre eles, estão:

  • A empresa acredita que suas ações estão baratas ou mal avaliadas pelo mercado;
  • A companhia precisa distribuir ações aos executivos como bônus e não quer emitir novos papéis;
  • Ela quer gerar valor ao acionista que continua em sua base, apesar da instabilidade  do mercado.

No caso da Ambipar, o objetivo é justamente maximizar a geração de caixa aos investidores após a forte queda dos papéis AMBP3 na bolsa.

“Na visão da administração da companhia, o valor atual das suas ações no mercado não reflete o valor real dos seus ativos e a perspectiva de rentabilidade e geração de resultados”, disse a empresa, em fato relevante enviado à CVM.

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Vale destacar que, quando uma companhia recompra suas ações em programas como esse, os papéis deixam de circular na bolsa de valores e passam a ser mantidos em tesouraria.

Além da manutenção, a Ambipar pode optar por vender os ativos no mercado ou ainda usar em programas de remuneração baseado em ações e ou quitação de parcela de preço em operações societárias.

A recompra é uma das maneiras que uma empresa pode optar para dar retorno para o seu investidor, já que o acionista acaba com uma participação proporcionalmente maior se a companhia opta por cancelar as ações recompradas.

Por outro lado, a aquisição dos papéis faz com que eles percam liquidez na bolsa, uma vez que menos ações são negociadas no mercado.

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Um panorama da empresa

É importante lembrar que a Ambipar (AMBP3) encontra-se em uma situação financeira agridoce.

Cerca de sete meses atrás, a companhia teve um resultado frustrado numa oferta subsequente de ações na B3.

Mesmo saindo com um grande desconto em relação ao inicialmente proposto pela empresa, o follow-on não conseguiu conquistar o apetite dos investidores.

Cada ação foi precificada a R$ 13,25 na operação — um desconto de 28% em relação ao previsto pela empresa. 

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Com isso, a companhia levantou aproximadamente R$ 716,91 milhões com a oferta. O montante veio bem abaixo do previsto pela companhia, que projetava movimentar até R$ 1,12 bilhão com a oferta, considerando a venda integral do lote extra.

O objetivo da operação da Ambipar (AMBP3) era usar o dinheiro levantado na oferta primária para reforçar o caixa e diminuir sua alavancagem.

Afinal, a empresa de gestão de resíduos conquistou o apelido de “máquina de compras” ao longo dos últimos dois anos devido ao robusto número de aquisições realizadas.

A relação dívida/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da empresa chegou a 3,39 vezes no fechamento do primeiro trimestre de 2023, mas retornou ao patamar histórico de 2,90 vezes nos três meses que se seguiram.

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A companhia anunciou nesta segunda-feira suas projeções (guidance) para 2026. Para a alavancagem, a Ambipar se comprometeu a atingir uma alavancagem de 2,5 vezes até os próximos 12 meses, sem realizar novas aquisições adicionais até que o alvo seja atingido.

Já para a receita líquida, a empresa estipulou como meta um crescimento de 10% até 31 de dezembro de
2024. Por sua vez, a margem Ebitda deve crescer pelo menos 10% nos próximos 12 meses.

Para o Itaú BBA, o "ritmo acelerado" de crescimento inorgânico da Ambipar nos últimos anos impactou as margens, a alavancagem e a geração de caixa da empresa.

"No entanto, elogiamos a empresa pelas suas iniciativas contínuas para reduzir a alavancagem e concentrar-se na melhoria das suas margens comerciais atuais. Acreditamos que os investidores estão ansiosos para ver melhorias nas margens da Ambipar, bem como uma implementação bem sucedida do seu plano de gestão de passivos", escreveram os analistas.

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